sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ribeira - Uma nova estrela na fededração.







O Vale do Ribeira está localizado no sul do estado de São Paulo e ao leste do estado do Paraná. Recebe este nome em função da bacia hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape e ao Complexo Estuarino Lagunar de Iguape, Cananéia e Paranaguá.




Sua área de 2.830.666 hectares abriga uma população de 481.224 habitantes e inclui integralmente a área de 31 municípios (9 paranaenses e 22 paulistas). Existem ainda outros 21 municípios no estado Paraná e outros 18 municípios no estado de São Paulo, que estão parcialmente inseridos na bacia do Ribeira.



Abriga 61% da Mata Atlântica remanescente no Brasil, 150 mil hectares de restinga e 17 mil de manguezais. Em 1999 a UNESCO declarou a região Patrimônio Natural da Humanidade e contém em si uma das maiores biodiversidades do globo, pois conserva a maior porção de Mata Atlântica do Brasil. A região é produtora de água de qualidade, tanto para abastecimento humano, quanto para a fauna aquática. O Vale do Ribeira apresenta ecossistemas aquáticos (rio, estuário e mar) e terrestres (duna, mangue, restinga e floresta ombrófila densa).



A região é destacada pela preservação de suas matas e por grande diversidade ecológica. Seus mais de 2,1 milhões de hectares de florestas equivalem a aproximadamente 21% dos remanescentes de Mata Atlântica existentes no Brasil, sendo a maior área contínua de um ecossistema do Brasil. Neste conjunto de áreas preservadas são encontradas não apenas florestas, mas importantes comunidades indígenas, comunidades quilombolas, comunidades caiçaras, imigrantes e uma biodiversidade em plena preservação.



Os principais ciclos econômicos do Vale do Ribeira se instalaram ao longo da história, foram: a exploração aurífera e outros minérios; o cultivo do arroz; o cultivo do café; o cultivo de chá e o cultivo de banana. Estes ciclos econômicos transformaram o Vale do Ribeira em uma potencial fonte de recursos naturais de baixo custo para regiões próximas.A ocupação do Vale do Ribeira teve início no século XVI, com a fundação dos povoados de Cananéia e Iguape por espanhóis e portugueses. As cidades estratégicas do Vale do Ribeira funcionavam como núcleos de apoio aos colonizadores, Iguape e Cananéia com seus portos facilitando a entrada de intercambio e de mercadorias que penetravam através do Rio Ribeira de Iguape e seus afluentes.



O impulsionamento do desenvolvimento na região se deu pela descoberta de ouro na Serra de Paranapiacaba que, no século XVII, atraiu garimpeiros para a região. A população negra era superior a população branca na região e tornou-se a principal mão de obra no Vale do Ribeira, muitas das construções foram feitas por mão de obra escrava; Igrejas, monumentos, cemitérios e outras construções.



A mineração do ouro na região foi responsável pelo surgimento de várias cidades no Vale do Ribeira, muitas destas cidades como Apiaí surgiram pela migração de garimpeiros em busca de ouro. No século XVIII os garimpeiros abandonam a região do Vale do Ribeira ao receberam a notícia que o estado de Minas Gerais possuía abundância em ouro. Com a escassez do ouro na região a agricultura que era subsistência passou a ter maior valor na região. Com vasta experiência naval, a região passa construir embarcações para todo o país.



Iguape tornou-se o primeiro produtor de arroz do país, durante o século XIX, permitindo a integração da região à economia mercantil escravocrata vigente na época. No entanto, a expansão desse mercado esbarrou em uma série de obstáculos que dificultaram a sua manutenção.



Os problemas eram inúmeros, entre eles, os problemas relativos à produção, a concorrência mundial e a deficiência dos meios de transporte. O ciclo da cultura do café no estado de São Paulo levou os investimentos para outras regiões, deixando o Vale do Ribeira sem incentivos para a reorganização da região.



A instalação de colonização de Pariquera-Açu e a construção de estradas de ferro ligando a região com o planalto e o porto de Santos(Santos-Juquiá), entre 1900 e 1920.
A cidade de Registro passa a ser o centro econômico da região. Com a imigração de japoneses, os bananais passam a ocupar as áreas ribeirinhas, substituindo o arroz, e a cultura do chá foi iniciada nas colinas. O Vale do Ribeira passa a fazer parte da economia do estado de São Paulo, porém os resultados são lentos na região. A pesca permanece sendo a principal atividade econômica da região desenvolvida na cidade de Cananéia em escalas comerciais mantendo a região na economia paulista.



Na década de 1960 foi construída a BR-116 alterando as formas de ocupação na região e incorporando-a ao mercado imobiliário com a valorização de suas terras. A região da bacia do Rio Ribeira frente à economia do Estado de São Paulo, mesmo tendo em sua área dois municípios que iniciaram a ocupação do território paulista (Cananéia, em 1501 e Iguape, em 1538), continua com a mais baixa densidade populacional do estado de São Paulo e permanece à parte dos processos de desenvolvimento da economia paulista.



O Vale do Ribeira permanece pouco habitado e mantém parte do seu ambiente natural preservado. Nele, a história ficou gravada em remanescentes de quilombos; nos desvios dos rios pelos jesuítas na busca por ouro; nas minas subterrâneas com seus labirintos a percorrer o interior da terra, nos monumentos importantes das épocas áureas do ciclo do ouro e da cultura da erva-mate, do arroz e do chá. O complexo rizicultor escravista do Vale do Ribeira paulista teve decadência concomitante à do Vale do Paraíba, entretanto a crise foi mais grave em razão da dificuldade de transportes.



No início do século XX, chegaram as primeiras rodovias ligando os principais núcleos à capital paulista, que proporcionou o deslocamento do eixo econômico para o centro e o norte do Vale, não sendo, contudo, suficiente para promover o desenvolvimento da região. Uma relativa reintegração econômica da porção paulista da região viria a ocorrer em meados do mesmo século, em especial a partir de 1940, momento em que a agricultura regional começou a ser incorporada à economia estadual com a implantação das culturas de chá e banana, graças à colonização nipônica.






A partir da década de 1950, tomou vulto a exploração industrial do pinho, que absorveu a mão-de-obra liberada da cultura do chá, cuja produção entra em declínio.



Trata-se de uma área repleta de unidades de conservação ambiental e destaca-se no cenário nacional pela riqueza de recursos minerais e por ser a região que conserva o maior remanescente contínuo de mata atlântica. O sistema de drenagem é comandado prioritariamente pela Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape e secundariamente pela vertente Atlântica (baías de Paranaguá e Antonina no Paraná) e pelos rios que deságuam no oceano ou em estuários, em São Paulo.



Do ponto de vista econômico, merecem destaque as atividades agrícolas para as culturas da banana e da tangerina e as atividades pecuárias de rebanhos bovino e bubalino, que se encontram em expansão e há seis anos ambos já atingiam a cifra próxima de 230 mil cabeças. As culturas temporárias de tomate e milho são as mais expressivas e concentramse na área serrana. Entre as culturas permanentes merece destaque a tangerina, marcadamente presente na área serrana e ao longo da BR-116, onde também se destacam as culturas de banana, caqui e maracujá.



A caracterização sociocultural e geoeconômica da Mesorregião Vale do Ribeira/Guaraqueçaba sinaliza a existência de um enclave de estagnação econômica e baixo desenvolvimento social, em um espaço físico marcado pelo intenso verde de um dos mais ricos e ameaçados biomas do planeta, fato este que a configura como uma área bastante complexa e frágil para todas as modalidades de uso e ocupação e demonstra ser imprescindível que os problemas identificados sejam tratados de forma conjunta entre os setores públicos, privados e a sociedade civil, potencializando o capital social e natural para o desenvolvimento e a conseqüente redução das desigualdades.






Sao municipios que integram a região do Vale do Ribeira, Apiaí, Barra do Chapéu,Barra do Turvo,Cananéia,Eldorado ,Ilha Comprida ,Iporanga ,Itaóca ,Itapirapuã Paulista,Itariri,Jacupiranga ,Juquiá ,Juquitiba ,Miracatu,Pariquera-Açu,Pedro de Toledo,Registro,Ribeira,São Lourenço da Serra ,Sete Barras ,Tapiraí ,Adrianópolis,Bocaiúva do Sul,Cerro Azul,Doutor Ulysses,Itaperuçu ,Rio Branco do Sul,Tunas do Paraná, ajunte-se também, por estarem geograficamente ligados e a cultura caiçara prevalecer, Guaraqueçaba e Antonina e Itanhaém e Mongaguá.





Essa região, abrangendo território dos atuais estados do Paraná e São Paulo, com características praticamente única e distinta, com tantas expressões culturais comuns, inclusive o sotaque caiçara característico, tem condições economicas precárias, porém poderia, numa redivisão territorial brasileira, tornar-se primeiramente um território federal e posteriormente um Estado autonomo, com capital em Antonina, Registro ou Itanhaém.


Nesse assunto voltaremos a tecer considerações e vamos anotar todas as idéias, sugestões e críticas.


ROBERTO J. PUGLIESE









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