terça-feira, 17 de abril de 2012

Essa nota não saiu na Globo, Veja, Folha...

O golpe de 2002 na Venezuela: a praia Giron da mídia golpista.

A mídia latino-americana sempre foi golpista. Representante das
oligarquias do continente, dirigida por um punhado de famílias (todo país tem
seus Frias, Mesquitas, Marinhos, Civitas), sempre esteve envolvida nos golpes
militares contra a democracia no continente, do lado dos EUA.

Se a OEA foi chamada por Fidel de Ministério das Colônias dos EUA, a SIP
(Sociedade Interamericana de Imprensa) é seu Ministério de Comunicação para as
Colônias. Sempre coordenou a ação da mídia nos golpes militares e nas campanhas
contra os governos democráticos do continente.

Antes mesmo da campanha que levou Getúlio ao suicídio, em 1954, e
derrubou Perón em 1955, a mídia ja tinha sido participante fundamental no
sangrento golpe na Guatemala, em 1954, que levou esse país a se tornar, nas
décadas seguintes, naquele que sofreu os maiores massacres em um continente
cheio de massacres.


Há exatamente 10 anos atrás a mídia venezuelana mobilizou e convocou um
golpe militar contra Hugo Chavez. O movimento chegou a ter sucesso imediato,
uma TV escandinava pode produzir "A revolução não será televisionada”,
documentário já tornado um clássico do cinema de documentário sobre a América
Latina. O presidente da Fiesp de lá foi nomeado presidente da ditadura que
pretendia se instalar e era saudado, no Palácio Presidencial, pelos chefes da
Igreja católica, pelos donos das empresas de comunicação, pelos dirigentes dos
partidos de direita, enquanto Hugo Chavez era levado por militates para uma
ilha e pressionado para assinar sua renúncia.

Assim que soube do golpe, o povo desceu maciçamente às ruas, dirigiu-se
ao Palácio, derrubou as grades e entrou no prédio. Assiste-se nesse momento, no
documentário, os chefes do golpe fugirem rapidamente pelas portas laterais do
Palácio, enquanto o povo penetra nele.


As TVs e rádios golpistas simplesmente deixaram de dar notícias e
passaram a projetar desenhos animados. O fugaz presidente golpista tentou
enganar a CNN dando entrevista como se estivesse ainda no Palácio Presidencial,
mas o próprio entrevistador lhe disse que sabia que ele já estava num quartel,
fugindo. A nem veja, nem leia, eufórica, deu mais um “furo”: sua edição da
semana saiu, no sábado cedo, com a notíia do golpe que teria derrubado Hugo
Chavez como a grande matéria de capa. (Nenhum meio tradicional de comunicação
brasileiro, todos com DNA de golpistas, recordou os 10 anos do golpe fracassado
na Venezuela.)

Embora houvesse já na doutrina e um acordo dos governos do continente de
se oporem aos golpes militares, sentiu-se o silêncio ou a cumplicidade, e salvo
Cuba, não houve protestos contra a derrubada de um presidente legalmente eleito
no continente. O povo venezuelano fez justiça com suas próprias mãos e
recolocou Hugo Chavez na presidência do pais, para a qual tinha sido eleito por
seu voto.

O golpe de 11 de abril de 2002 foi, para a mídia golpista
latino-americana, o que a também fracassada invasão de Praia Giron foi para o
imperialismo norteamericano: sua primeira grande derrota, que demonstrou que o
povo do continente não a aceitar mais que ela pusesse e tirasse governantes no
continente. Que agora é o povo quem decide seu destino na América Latina.

( Fonte: Emir Sader http://www.cartamaior.com.br/templates/postMostrar.cfm?blog_id=1&post_id=947 )

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