sábado, 7 de abril de 2012

Médico legista da ditadura é desmascarado !



SÃO PAULO REAGE CONTRA MÉDICO LEGISTAS !
As atitudes enérgicas e corajosas sempre se iniciam em São Paulo.
Postes, muros e pontos de ônibus dos bairros da Vila Madalena e Pinheiros
amanheceram com centenas de cartazes de protesto contra Harry Shibata, médico
legista e ex-diretor do Instituto Médico Legal de São Paulo.
Acusado de ser
responsável por falsos atestados de óbito usados para acobertar assassinatos de
opositores pela ditadura militar, ele teria ignorado marcas deixadas por sessões
de tortura produzindo laudos de acordo com as necessidades dos militares. Os
cartazes foram colados por um grupo de manifestantes na madrugada deste sábado
7 de abril de 2012.

Shibata é acusado de, sem ter visto o corpo, atestar como suicídio a morte de
Vladimir Herzog, então diretor da TV Cultura, que fora convocado para “prestar
esclarecimentos” no DOI-Codi, em em outubro de 1975. O orgão, ligado ao regime,
tinha o objetivo de reprimir opositores e se transformou em um dos principais
centros de tortura do país.
A morte do jornalista após sessão de tortura tornou-se um símbolo na luta
contra a ditadura. E o culto ecumênico realizado em sua homenagem, em dezembro
daquele ano, na Catedral da Sé, foi o primeiro grande ato da sociedade civil
contra as atrocidades cometidas pelos militares.
Nos dias 31 de março e 1o de abril, manifestações no Rio de Janeiro e em São
Paulo reuniram centenas de pessoas para lembrar o aniversário do golpe de 1964.
Elas exigiram que os crimes cometidos pelo Estado durante a ditadura militar
sejam esclarecidos e os envolvidos em casos de tortura punidos por crime contra
a humanidade.
Como parte dos protestos, residências de militares acusados de envolvimento
em tortura foram marcadas. Da mesma forma, parte dos cartazes fornece o endereço
do médico legista, em uma rua de classe média alta.
Muitos envolvidos se encontram apavorados. A justiça natural tarda mais não falha. A Justiça estatal tarde e não justicia, pois só por tardar, já é injusta.
Roberto J. Pugliese
( fonte: Renap Rede Nacional de Advogados Populares )

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