domingo, 29 de abril de 2012

Quando a ordem serve de escada !

Dr.Orlando Maluf Hadad subscreve e edita carta aberta.
                




 QUANDO NOSSA ordem SERVE DE ESCADA







O nome próprio do título, comumente  utilizado com maiúscula, hoje se escreve com minúscula, propositalmente.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção de São Paulo que conhecemos e aprendemos a admirar, não é mais aquela entidade singular, independente, altaneira, sede da democracia e liberdade, pioneira na defesa intransigente dos direitos do homem e do cidadão.

A Ordem que conhecemos , desde sua criação em 1930, jamais deixou de ser escola de humanidade, exemplo  de multiplicidade de competências , tanto na defesa  das prerrogativas da cidadania e dos advogados, como na Ética, na cultura jurídica, na seriedade com que compartilhou honrosamente a escora perpétua da Justiça, com a Magistratura e o Ministério Público.

A  admiração de toda a sociedade brasileira pela Ordem dos Advogados do Brasil sempre excedeu à das demais entidades das mais diversas naturezas, desde as religiosas de todos os matizes, educacionais, sindicais, políticas, até as empresariais.

A Ordem sempre foi o repositório das esperanças da população contra  todas as ilicitudes, abusos e desmandos de toda a espécie, inclusive do Poder Público.



Em que essa Ordem se transformou, em infelizes nove anos apenas? Numa servil escada que dá suporte a anseios político-partidários, sem pejo e sem hesitação dos atuais dirigentes, que sob o pálio de um conselho de grande e lamentável tolerância se une com todas as forças (forças que deveriam estar a serviço do advogado, da advocacia e da cidadania) para servir de suporte a seu  simpático e carismático fuehrer para que alcance a sublime posição de servir a um partido político!



Subverte-se tanto os valores da Ordem, que a ordem hoje caracterizada por um gigante burocrático, dirigida por cérebros essencialmente burocráticos de impressionante miopia em relação aos verdadeiros fundamentos da entidade.



Após iludir os advogados paulistas no que se refere a suposto e inexistente “saneamento de suas finanças” a ordem deixa depois de nove anos, todas as subseções que outrora despontavam como valores pontuais de gerencia e administração,  anos-luz atrás do que conquistaram a duras penas, numa lenta mas segura evolução que jamais comportaria o lastimável abandono em que hoje se encontram, apesar da sempre inócua  presença interesseira de quem pretende suceder o grande líder político partidário na presidência da ordem minúscula.



Mídia e burocracia, eis nossa entidade  hoje, refém de parcos escrúpulos de quem se tornou seu “dono”, saudosa, como saudosos estamos todos os advogados, da Ordem de Cid Vieira de Souza , de Mario Sergio Duarte Garcia, de José de Castro  Bigi, de Marcio Tomaz Bastos, de Antonio Claudio Mariz de Oliveira  dos anos 80, de José Eduardo Loureiro sempre, de Carlos Miguel Aidar, do mestre  Raimundo Pascoal Barbosa eternamente.

Os jovens advogados de hoje têm, como apresentação da ordem, um verdadeiro show dirigido pelo e para o ator mais eficiente que um dia galgou a presidência e nela quis permanecer por muito mais tempo que a ética permite. Assistindo-se a solenidade de entrega de identidade profissional do advogado, tem-se a nítida impressão de estar em meio a eficiente lavagem cerebral tão bem engendrada por Goebbels para seu ídolo nos anos 30 , na Alemanha que em pouco tempo iria se tornar um monte de ruínas.



A ordem paulista de hoje também difere da Ordem de antes pela absoluta indiferença com que é tratada pelas cortes de todo o pais. Inexiste qualquer resquício do então natural prestígio da entidade, junto aos Tribunais e Poder Público em geral, em que pese os esforços do político presidente, esforços envidados sempre em causa própria.



Neste singelo pensamento, a diferença da ordem com letra minúscula com a Ordem com maiúscula é tão simbólica quanto abissal na nossa realidade.



Cabe, pois,  a todos que queremos o renascer de uma grande entidade, não mais permitirmos gestões tão minúsculas, cabe-nos escolher verdadeiros advogados para que possam dirigir a Ordem sem afrontar seu nobre destino.



Orlando Maluf Haddad

O.A.B./S.P. nº 43.781












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