sexta-feira, 20 de julho de 2012

Homenagens equivocadas a personas non gratas !


Havelange é nome de estádio olímpico.

A Justiça Federal no Acre determinou que o governo federal suspenda o repasse de verbas para o Estado, dez municípios e a Ufac (Universidade Federal do Acre). A condenação foi motivada pela utilização de nomes de autoridades vivas para batizar ruas, prédios e outros bens públicos, o que é proibido por lei federal.
A decisão ocorreu também por causa da utilização de uma estrela vermelha em um helicóptero comprado pela Secretaria de Segurança --o que foi considerada propaganda partidária favorecendo o PT, partido do governador Tião Viana.O Estado alega que a estrela integra sua bandeira, mas a Justiça diz que as medidas estão desproporcionais.
Segundo o Ministério Público Federal, nomes de pessoas vivas eram usados até em uniformes escolares e cavaletes de obras.
Apenas os recursos da educação, saúde e assistência social não serão bloqueados. Os repasses só serão liberados depois que os gestores trocarem os nomes dos bens públicos e que o Estado modificar a estrela do helicóptero.
A sentença não deixa claro se a suspensão dos recursos é imediata. Verdade, ou meia verdade ou mentira, interessante o nome de pessoas vivas atribuídas a bens públicos em quantidade exacerbada pelo país inteiro.
No Rio de Janeiro, a obra construída com recursos federais, o estádio Olimpico, cedido ao Botafogo Futebol e Regatas, leva o nome de João Havelange, o velho desportista que entre outras acusações, consta que foi traficante de armas, sua empresa era de fachada e serviu de instrumento para assassinar o ex presidente JK e agora está sendo acusado de desviar 40 ou 45 milhões de dollares da Fifa e receber suborno.
No Brasil, existem muitas obras públicas que mesmo não levando o nome de autoridades públicas ou privadas vivas, são homenagens a pessoas truculentas, ditadores  corruptos, bandidos autoritários e assim por diante.
Apenas a título de ilustração, Getúlio Vargas o ditador algoz a São Paulo é nome de rua, praça, avenida em muitas cidades paulistas. Castelo Branco, o marechal da ditadura é nome de Rodovia naquele Estado e Costa e Silva é homenageado cedendo seu nome e patente à Ponte Rio-Niteroi.
Outros emprestaram o nome à cidade, como Medicelandia no Acre ou presidente Figueiredo no Amazonas.
Parece que o brasileiro  de um modo geral, gosta de ditadores, de pessoas violentas e truculentas, pois em todo canto são prestadas homenagens emplacando-se ilustres carrascos em ruas, avenidas, hospitais e prédios públicos. Felinto Muller, o homem da policia política do período Vargas,  empresta seu nome, entre tantos e tantos lugares, na cidade de Bonito, no interior do Mato Grosso do Sul é um exemplo da escolha e o que é pior, da permanência desse logradouro até os dias de hoje, com um nome que lembra o horror e o sangue dos tempos da ditadura Vargas.
Creio que chegou a hora de se pensar melhor nessas homenagens.  Itanhaém merece servir de exemplo. A Estancia Balneária do litoral paulista, no Belas Artes tinha a avenida 31 de Março, que teve seu nome trocado para Harry Forssel, ex prefeito por duas vezes, recentemente falecido com mais de 100 anos de idade.
Só o fato de retirar essa data alusiva ao golpe de 1964, já é uma grande homenagem para a cidade. O palácio sede do Tribunal de Contas do Municipio de São Paulo, cujo nome tem a mesma data, deveria seguir o exemplo da centenária Conceição de Itanhaém.
Enfim, o Expresso Vida convida a ilustrada platéia de sábios leitores para  refletirem e sugerirem mudanças radicais em nomes de prédios e logradouros públicos que levam nome de pessoas vivas ou mortas, mas que não são dignos de homenagem alguma, como em São Carlos,Sp que tem uma rua com o nome do delegado Sergio Fernando Paranhos Fleury, assassino torturador notabilizado durante os anos de chumbo e que foi assassinado num passeio de barco no litoral de Ilhabela pois era um arquivo perigoso.
Vamos democratizar o país agindo consciente em todos os lugares e em tudo que possa ser assim democratizado. Trocar o nome da avenida Roberto Marinho nas imediações das margens do rio Pinheiros em São Paulo, substituindo pelo do Vlado, também jornalista seria de bom tamanho !

Para encerrar merece registrar que um vereador de Uberlandia, Mg. resolveu trocar o nome do Estádio J. Havelange, no Parque dos Sabiás, naquele municipio pelo nome de um ilustre personagem do esporte local, entrando com o referido projeto de lei na Camara Municipal local. Até que enfim estão acordando.

Roberto J. Pugliese
( fonte: Folha de São Paulo )

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