quinta-feira, 15 de novembro de 2012

BLUMENAU EM PERIGO - Prejuízos à vista.

Oktoberfest de São Paulo.

Depois do carnaval carioca é considerada a maior festa popular brasileira a Oktoberfest que se realiza anualmente na cidade catarinense de Blumenau desde 1984.
É notabilizada pelos atrativos postos à disposição daqueles que integram as festividades. De um lado, turistas, principalmente do cone sul, dos Estados do Sul, do interior catarinense e de todos os cantos do país, notadamente oriundos de São Paulo e de outro os próprios blumenauenses que por mais de dez dias, se envolvem nas comemorações.

São brasileiros, jovens e maduros fantasiados de alemães estilizados, que já não existem há décadas: Chapeuzinhos de feltros verdes, com fita acetinada em vermelho e direito até a peninha enfeitando alguns cocos amarelos dos descendentes germânicos.
São gorduchos com bermudas e suspensórios verdes, em cima de camisas brancas de mangas curtas,bordadas em vermelho, sapatos e meias três quartos, caracterizando ridículas figuras que na contemporaneidade não existem se quer no mais longínquo rincão de influencia teuta. Alguns acrescentam a esta caricatura desatualizada gravatas igualmente verdes.

Carros pipas distribuem cervejas e shops pelas avenidas da cidade; carros alegóricos levam nas carrocerias meninas e meninos ridiculamente fantasiados, crentes que estão imitando seus antepassados que colonizaram aquela curva do rio Itajaí, que anualmente provoca enchentes e prejuízos financeiros ao povo daquela paroquiana cidade que, um dia, antes da rodovia federal Mário Covas, foi a principal do Estado, graças ao trabalho diuturno de seus colonizadores e descendentes.
Enfim, durante o mês de outubro a Blumenau germânica pensa que é Moniche e vive a farsa de ser alemã, com gente parda, morena e oxigenada, fingindo-se de arianos, como à época do Nazismo...

Meninas também fantasiadas, alegram os olhares dos que participam das festas, mas recatadas aos costumes germânicos provincianos, nada mais oferecem além da alegria de seus belos rostos e chopp para os que degustam salchichas  e quitutes bávaros.
Uma alegria que provoca a ida de multidões para a cidade, trazendo além da bagunça típica de festejos populares, dinheiro para o comércio local. Alegria de moços e moças da terra da ex miss Vera Fisher, que um dia foi linda representando a cidade, o Estado e o país.

Uma folia com senhoras gordas, ronchonchudas, aloiradas, falando “aroz “ ao invés de arroz e acentuando os sotaques oriundos das inúmeras vilas isoladas espalhadas pelo vale tortuoso e serra que abriga além de filhos de alemães,também tem descendentes de austríacos, poloneses, suecos... italianos e brasileiros que se orgulham da tradição e origem.
Só que agora, São Paulo, a maior cidade catarinense do país, e a que  concentra o maior parque industrial alemão do mundo, fora do seu território , resolveu também organizar festa semelhante.

Os organizadores se acertaram com as autoridades de Moniche. Nesse primeiro ano, a festa será no Anhembi. Apenas 3 dias.
Enfim, dada a grandeza e as condições de São Paulo para esse tipo de organização e a existência de colônia alemã, catarinense e de curiosos da cidade ou de fora, é de se prever com segurança, que em poucos anos, a festa germânica popular do sul, perderá espaço para a  Oktoberfest de São Paulo.

Os alemães, catarinenses e seus descendentes, que outrora viviam nas imediações do Brooklin Paulista, Santo Amaro  e redondezas e hoje se espalham por toda metrópole, talvez inconscientemente apagarão o brilho da acanhada  Blumenau.
Vamos aguardar. Quem viver verá.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br

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