domingo, 1 de setembro de 2013

( memória nº21 ) Taubaté: Apenas lembranças.


Memória nº 21 -
Taubaté – Apenas lembranças.

 

Taubaté a conhecida cidade do Vale do Paraíba, fundada em 1628 por ordem de Mariana de Souza Guerra, a Condessa de Vimeiros,  sobrinha neta de Martim Afonso de Souza, ao tempo que então governava a Capitania de São Vicente, da capital improvisada na vila de Conceição de Itanhaém. Num momento da história foi elevada a 2ª. Comarca da Provincia de São Paulo e do solo fértil de seu território, entre tantos destacados ilustres personagens, é possível trazer a lume, sem muito esforço, José Bento Monteiro Lobato, Hebe Camargo, Cely Campelo, Yara Salles, José Carlos Moreira Alves, Cid Moreira e infinidade de outros nomes que engrandeceram as ciencias políticas e jurídicas, as artes e as letras de São Paulo e do Brasil.

Pois foi nessa estação da Central do Brasil, que em 1888, Conceição nasceu. Seus pais iam do Rio de Janeiro para Campinas, mas para que Anna desce à luz, ficaram uns dias na já progressista cidade que margeia o Rio Paraiba, à sombra da Mantiqueira e da Serra do Mar.

Passaram-se os anos. Décadas. Lourenço não se dava bem no curso médio. Reprovara o primeiro ano do clássico que cursou no Instituto Mackenzie. Estudara numa turma bem distinta de seu tempo e de sua acanhada adolescência ainda provinciana, a despeito de ser da capital e nela ser criadao sempre. Seus colegas já mais maduros e adultos: Mário Belfort, que se tornou ilustre jornalista; Arnaldo Baptista, que à época estava criando os Mutantes, Peticov o renomado pintor entre outros.

Recorda-se que certa vez resolveram cabular aula e foram à casa da namorada do Arnaldo, a Rita, onde os Mutantes ensaiavam... Àquele tempo também se recorda que fora com La Cordelle, colega de turma, meio parente do então governador Laudo Natel, conhecer uma casa de tolerancia situada à rua Alvaro de Carvalho.

Do insucesso educacional do Mack, foi matriculado no Colégio de São Bento, com mais tradição, rigor e rédias para limitar suas gazetas. Lá celebrou algumas amizades que as conserva a despeito dos quase cinqüenta anos de distancia.

Dr. Rafael, depois se tornou seu calouro na PUC; dr. Cláudio, idem, hoje Procurador da República aposentado; dr. Martinelli, que à época estudava para ser padre e vieram a se encontrar em Joinville, onde mantém a maior banca de advogados do sul do país... Outra grande amizade foi com o professor Vailati, sábio advogado que lecionava geografia e que até sua morte mantiveram contatos.

No Colegio São Bento tornou a ser reprovado. Entre outras matérias o português, lecionado pelo Chequeto, um capixaba muito exigente, que determinou a leitura de O Bobo, de Alexandre Herculano, um livro escrito noutros tempos reportando-se à idade média em Portugal... Um porre para um adolescente.

Pela terceira vez cursava o primeiro clássico, versão especializada do colegial, voltado para ciências humanos e, a turma se indispôs com o professor de latim.

Democraticamente estabeleceram que iriam impor à direção da escola que se não fosse dispensado o professor, todos os 16 alunos da sala, sairiam do colégio... E no final do embate, o professor não foi dispensado e 14 colegas se afinaram. Apenas Lourenço e Bellardi saíram.

A solução era prestar o exame de Madureza, uma forma especial de conclusão do curso médio, para poder habilitar-se ao vestibular. E foi o que fez. Ao invés de matricular-se num curso preparatório desses exames, resolveu matricular-se no pré vestibular, o Cursinho Castelões, que preparava para ingresso na Faculade de Direito e enfrentar o exame de Madureza sem qualquer preparação especial, valendo-se do seu conhecimento e ciência adquirida nos longos 3 anos de reprovações e pesquisas culturais que sempre fizera.

E o exame foi marcado. Seriam 5 matérias na primeira etapa e 3 na última, à realizar-se no Colégio Estadual na cidade de Taubaté, onde no século anterior sua avó nascera. Ele e Bellardi ficaram numa pensão próxima a uma praça no centro da cidade. Recorda-se que o estabelecimento não primava pela limpeza, conforme confabulavam durante as noites, as baratas e outros peçonhentos.

Passados alguns meses retornou à cidade e realizou os demais exames faltantes, concluindo o II grau e se habilitando a prestar o vestibular. Ainda naquele mesmo ano, 1969 prestou vestibular na USP e na PUC, passando na segunda e ingressando no Curso de Direito em 1970.

As duas semanas que esteve em Taubaté, instalado na pensão, para prestar o exame, recorda-se bem que foram bem vividas em todos os sentidos: Estudos e amizades novas. Passeios pela cidade e a satisfação de estar só, quase independente, se sentindo dono do próprio nariz.

Taubaté, a cidade de sua avó, foi sua morada por dias, na sua adolescência.

Anos depois, já casado, retornou à mesma cidade com seu primo Tom, para tentar buscar uma solução para o primo Carlinhos que acometido de câncer, estava sofrendo na cama, com mulher e três filhos bem pequenos. Dor e sofrimento indiscritível. Tristeza geral.

Na cidade havia o Instituto Cembranelli, sob a direção de um cientista que emprestava o nome ao centro médico e que elaborava vacinas para esse tratamento, com base em qualquer coisa, talvez sangue de muares... mas infelizmente não deu certo e depois de muito sofrimento, Carlos Francisco morreu.

Roberto J. Pugliese
 

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