segunda-feira, 14 de outubro de 2013

São Francisco do Sul: Preocupações reais.


São Francisco do Sul: Uma incógnita preocupante.

 

 

A fumaça tóxica que encobriu o município mais 60 horas e impediu centenas de pessoas de voltar para casa, também pode ter deixado outro efeito devastador — e ainda invisível — pelo caminho: os danos ao meio ambiente e a saúde física e mental de seus habitantes.

O real impacto da fuligem sobre animais, árvores, rios, mangues e o solo que contornam São Francisco do Sul é desconhecido, mas já faz com que pesquisadores ambientais temam consequências graves.

Ambientalistas temem por efeitos semelhantes as erupções vulcânicas, que após  a lava, a emissão de gases tóxicos, os efeitos são trágicos à natureza.

O medo é justificado principalmente pelo município estar numa região considerada rica para o Estado. A vizinha Itapoá tem a maior parte de seu território preservado com mata atlântica e manguezais. No ligação entre as duas cidades está a baía da Babitonga, que concentra 75% dos mangues de Santa Catarina — berço de toda a fauna marítima da região.

O solo e água sofreram influencia tóxica da fumaça que envolveu o município e as redondezas na terra e no mar.

Nas primeiras horas do incêndio químico, os possíveis impactos já eram uma preocupação. Naquela madrugada, o secretário municipal do Meio Ambiente, Eni Voltolini, ordenou a escavação de duas piscinas no entorno do local para que pudessem receber toda a água usada no controle. A ideia era evitar que ela escorresse para o solo e córregos. As duas cavas foram forradas com lonas plásticas impermeáveis e oito caminhões-pipa iam e vinham para levar a água a grandes tanques de armazenamento.

Na tarde de sexta-feira, poucas horas após o controle da fumaça, os 800 mil litros de água usados no processo já eram transportados para o aterro industrial de Joinville, enquanto os resíduos sólidos eram levados para uma cooperativa paranaense.

Enfim, o fim do incêndio e o controle da fumaça não encerra o risco que toda a região corre, notadamente a saúde de seus habitantes, que conviveram com o ar envenenado por horas seguidas.

O Expresso Vida lamenta profundamente que a ausência contumaz de serviço público naquele município tem provocado com freqüência acidentes de proporções incontroláveis com dimensões imprevisíveis.

 Roberto J. Pugliese
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

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