sábado, 12 de outubro de 2013

São Francisco do Sul, a tragédia esperada.


 

A TRAGÉDIA ESPERADA.

 

O acidente que provocou trágica situação danosa ao norte de Santa Catarina, com o incendio numa das empresas de logísticas de São Francisco do Sul, foi previsto há muitos anos atrás.

 

Para quem não conhece, o município tem sua sede numa ilha, ligada ao continente por um aterro e nela se encontra instalado o porto que é adminstrado pelo Estado e parte pela iniciativa privada.

 

É uma cidade histórica e com paisagens paradisíacas, com vocação de seu povo voltada para a agricultura familiar e pesca artesanal. Povo humilde, inocente e simplório, que nos últimos anos, veio a ser ludibriado na sua boa fé, por espertalhões ligados ao porto, administração do Estado e do Municipio, que envolventes, propuseram radicais mudanças na qualidade de vida local.

 

Para acolher a multinacional francesa interessada na instalação de usina de aço, receber benefícios fiscais de todas as esferas, e prove-la de abastecimento de água e energia elétrica na ilha carente dessaa fontes de vida, envolveram parcela considerável da população, com promessas de emprego e melhorias diversas.

 

Do dia para a noite a cidade então bucólica, aprasível e amena, viu que os empregos se limitaram a auxiliares de serviços gerais, dado o despreparo dos pés descalsos que, sem a mínima condição, não seriam aproveitados no complexo industrial implantado. A falta d’água provocada pela irrigação da usina, o congestionamento da rodovia que liga a sede municipal ao resto do Estado e o incomodo provocado pela concessionária privada ferroviária, que atravessa a cidade em vários trechos, causando diariamente em horários vários, congestionamentos incontáveis com as manobras dos trens, em pouco tempo revelou o engodo dos coronéis que mandam na ilha na ingenuidade ignorante da parcela quase total da população.

 

A cidade pobre permaneceu pobre. O povo carente, tornou-se miserável e esquecido e o turismo que a cidade desenvolvia, com algumas mansões de capitães de indústria de Joinville, Curitiba e alhures foram esquecidas e substituídas pelos pic-nics, promovidos por operários faroféiros que aos domingos sujam as praias com seus churrasquinhos e latinhas de cerveja espalhadas aos arredores de acampamentos erguidos, ao som de sambões cujos decibéis são incotroláveis, e ostensivas  agressões morais e ambientais ao bem estar do todo.

 

Com a usina, hoje nas mãos de multinacional indiana, outras empresas de apoio, também poluentes e especializadas, que deveriam estar instaladas em Duque de Caixas, Cubatão ou nos arredores de Belo Horizonte, ergueram suas filiais na mesma ilha. E a bucólica ilha se transformou repentinamente, sem a mínima estrutura, numa controvertida cidade que deixou de ser minimamente turística, espantou seus pescadores tradicionais e hoje é desorganizada e desestruturada  na busca de torna-se um pólo industrial.

 

São Francisco do Sul é uma potencia poluente que concentra poder e renda em mãos privilegiadas de poucos, que nem moram na cidade, investem seus lucros longe da ilha e conduzem a população sofrida e boba, como se leva o gado e os mancos  para onde se deseja.

 

A cidade não dispõe se quer de bombeiros militar. O Hospital é precário. A Delegacia de Polícia, única, que tem sob seu comando servidor público inamovível há trinta anos, num recorde inigualável quicá no mundo ocidental democrático. Ruelas congestionadas recebem o peso excedente de carretas que estão trincando imóveis históricos tombados pela União e, as composições intermináveis da ALL – América Latina Logística, a francesa que cruza toda a cidade, sem qualquer obra de arte, permanece incólume nas agressões ambientais e de trafego, provocando stress a qualquer turista que não está habituado ao caos nos seus passeios.

 

Quem pode se manda. Procura emprego noutro lugar. Investe seu dinheiro noutra paisagem. A cidade está à míngua: Falta água nos balneários. As praias são poluídas e o porto, ensurdesse o centro histórico dia e noite sem cessar.

 

O plano diretor não apresenta solução para adequar-se à cidade aos verdadeiros anseios naturais e próprios da população, mas é manipulado há anos, visando os interesses das multinacionais e dos empresários portuários.

 

Enfim, sem estrutura adequada para ser a cidade industrializada pretendida, é um risco para qualquer um continuar na ilha. Não vale a pena, pois, os mega empresários dominantes, aplicam seus recursos longe de São Francisco do Sul, restando sem rumo, 40 mil francisquenses mambebes que sem destino, rodam de lá, prá cá, prestando à elite local, serviços humilhantes, dentro de suas capacitações inexistentes.

 

Decorre pois que o acidente foi previsto há bom tempo. A cidade sem a mínima vocação industrial habitada por tradicionais pescadores artesanais  sem condições de tornarem-se repentinamente operários especializados para ingressarem nas fábricas erguidas, teve mudança radical no seu perfil dócil, recebendo milhares de pessoas oriundas de outros cantos do país e do mundo, que lá seguem diariamente no dia a dia de seus turnos e retornam para cidades vizinhas onde residem.

 

Não dispõe, como já dito acima, de qualquer infra estrutura necessária ao bem estar e segurança da população, que segue seu caminho sob o risco pirigoso de acidentes diversos que, acontecendo, provocam o desespero e tragédias como a última vivenciada ou outras já ocorridas ao longo dos últimos anos.

 

Assim, para concluir, insta salientar que, o antropofagismo francisquense, já denunciado pelo Expresso Vida é a realidade que o seu povo,inculto, inocente e manipulado, tende a perpetrar pelo destino que optou ao abandonar a pesca, o turismo e a preservação de seu ambiente natural e histórico do centro urbano privilegiado.

 Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos da OAB-Sc

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