sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Lições da vida. ( memória nº 65)


Memória.nº65

Lições inesquecíveis.

 

Ainda não completara uma semana que estava trabalhando no tabelionato quando seu pai pediu que fosse ao escritório de um cliente para ler e assinar a escritura de compra de um prédio...
 
Deu as orientações mínimas e entregou o livro de notas, recomendando que tomasse cuidado e que depois de colher a assinatura cobrasse os emolumentos que disse cobrar e fosse direto para casa em razão do livro que não deve correr riscos de ser extraviado.
 
Naquele tempo o livro era enorme, manuscrito e Lourenço, com uma pasta própria seguiu para o tal escritório, nas imediações do Instituto Mackenzie, próximo ao Tribunal Militar Estadual, num prédio não muito alto, provavelmente na Amaral Gurgel...
 
Se apresentou como funcionário do cartório e aguardou ser chamado. Muito atencioso o cliente deixou bem à vontade e pediu que lesse a escritura. Como não entendia bem, ou nada do que estava lendo e, como era a primeira vez que se deslocava nessa missão, com o peso da responsabilidade e um tanto nervoso, sua leitura provavelmente enguliu a pontuação e as entonações adequadas a cada termo.
 
Gebara o cliente não entendeu nada, mas com educação pediu para dar uma olhada no texto, antes de assiná-la. Perguntou gentilmente há quanto tempo era funcionário do cartório e, após assinar onde foi indicado,pagou o devido e ainda deu uma gratificação para encentivo.
 
- Parabéns...
 
Elogiou e incentivou o rapaz, mesmo sendo apenas para não desmoraliza-lo.
 
Ocorre que o cliente, na verdade, era um sócio do Iate Clube, amigo de Lourenço Pai e desconhecia que o rapaz era o filho de seu amigo. Mesmo com a insegurança, nervosismo e falta de expressão, elogiou e incentivou, dando animo ao jovem que estava se iniciando numa carreira.
 
Lourenço contou para o pai e elogiou o comportamento social do cliente.
 
(...)
 
Passados alguns anos, já advogado e numa posição social outra, seguro de si cruzou como Gebara na garagem de barcos do Iate Clube, criou coragem, e interrompendo a lavagem da lancha em que estava entretido, pediu licença e contou a história que se sucedera anos antes, elogiou e agradeceu o amigo de seu pai. E aprendeu a agir do mesmo modo. Nunca esqueceu.
 
Quem também o ajudou no inicio da advocacia foram os proprietários de uma imobiliária, que tinha diversos loteamentos, inclusive um em Serra Negra e outro em Iguape.
 
Lourenço lavrava escrituras do loteamento Varella, situado em Iguape e quando saiu do cartório para exercer a advocacia, lembrou-se que havia inúmeros compradores inadimplentes e sugeriu rescindir esses contratos. Eram mais de mil contratos e a rescisão extra judicial.
 
Não precisariam contrata-lo para o serviço, mas para ajuda-lo no inicio da carreira, Waldemar da Costa Gomes e Francisco José de Toledo Machado, esse último, inclusive advogado, entregaram esses contratos e os de Serra Negra para que ultimassem as medidas próprias.
 
Foi à época uma grande ajuda. Inesquecível o comportamento dos  loteadores, que nunca teve oportunidade de retribuir ou agradecer, pois com o tempo, com as mudanças de domicilio e  circunstancias da vida, se desencontraram. Mas nunca os esqueceu. Nem os esquecerá.
 
Roberto J. Pugliese
Presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud
Sócio do Instituto dos Advogados  de Santa Catarina
 
 
 

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