sábado, 1 de fevereiro de 2014

Pão com sardinhas, o banquete em Subauma. ( memória nº 60)


Memória nº 60

Banquete em Subauma: Pão com sardinhas.

 

Distante aproximadamente vinte quilômetros de Iguape, junto à rodovia SP 222,  que nesse trecho atualmente tem o nome de Ivo Zanella, Subauma se constitui em um núcleo urbano onde pescadores amadores mantinham desde tempos idos,  pesqueiros, barcos e casas simples de turistas amantes da natureza e da pesca principalmente.

 

Lá a estrada muda o rumo e se distancia da orla seguindo para o interior em direção à Pariquera Açu, e havia um único empório, onde Fragoso vendia de tudo um pouco.

 

Era bar, boteco, armazém... Até farmácia com Melhoral, Engove, esparadrapos, colírios e remedinhos corriqueiros. Fragoso tinha de tudo para salvar a dispensa de quem estivesse por lá e precisasse de algo, já que nos finais de semana, pescadores apareciam pegavam seus barcos e, do  riozinho, seguiam em direção ao Mar Pequeno para suas pescarias. Ao anoitecer sentiam falta de azeite, vela, álcool, abridor de latas, cerveja, cachaça... e corriam para lá onde havia sempre para servir alguém da família do comerciante  pronto para bem atender, jogar conversa fora e ganhar o pão nosso de cada dia.

 

Certa vez, quando mantinha dois loteamentos junto ao Rocio, à beira do Valo Grande, nas proximidades do campo de aviação, Lourenço por volta das 15 horas partiu de  Iguape em direção à Cananéia, seguindo pela rodovia, então sem asfalto. Junto com o sócio Zé Antonio, seguiram sem almoço e a fome bateu.

 

Entraram no Subauma, então modesto aglomerado de pequenos ranchos, com uma única rua que da rodovia terminava na beira do rio.

 

Junto à garagem de barcos, deram com o barzinho tosco  mas providencial, pois poderiam comer um peixinho frito ou  batatas fritas e tapear o estomago até o jantar...

 

- Não tenho nada para servir. Não faço almoço... Já é tarde.

 

(...)

 

Não teve jeito. A mulher havia ido para a cidade e assim não tinha nada e como preparar...Fora irredutível e não aceitou qualquer argumento da dupla faminta. Fragoso, simpático, educado e sem maiores esclarecimentos, disse não a todos os argumentos.

 

- Tem sardinhas em lata?

 

Duas latinhas de sardinhas para cada um, acompanhado de cerveja gelada e biscoito salgado, pois não havia pão, foi o saboroso e grande banquete inesquecível.

 

De lá, seguiram o caminho e à noite, já hospedados, jantaram em Cananéia.

 

Roberto J. Pugliese


presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc

Membro da Academia Eldoradense de Letras

Membro da Academia Itanhaense de Letras

Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras

Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas

Autor de Direitos das Coisas, Leud

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