terça-feira, 4 de março de 2014

Lourenço se eleje presidente da OAB. ( memória nº 71)


 

Memória nº71

Campanha: OAB Gurupi.

 

Em 1990 haveria eleições da OAB. Segunda a legislação da época o mandato era de dois anos e se elegia por cargo. Com a mudança da lei, o mandato passou a ser de três anos e a eleição por chapa.

 

Depois de ser tesoureiro por um mandato, três vezes secretário, inclusive duas vezes o mais votado da chapa, na OAB-Sp, 83ª subsecção de Itanhaém, tendo mudado para o Tocantins, se aproximou da diretoria da OAB em Gurupi.

 

E durante as negociações da formação da chapa para disputar a eleição da 2ª. Subsecção da OAB-TO, em Gurupi, ficou acertada que seria candidato à presidente, mas numa das reuniões, foi jogado, para o cargo de secretário.

 

Chapa única, tudo acertado e o descontentamento evidente de Lourenço. A reunião foi na sexta feira e no sábado, incentivado por Luiz Tadeu, colega da Fafich onde ambos lecionavam, avisou o candidato a presidente que não faria mais parte da chapa e sairia em chapa distinta em oposição.

 

Com cuidado e muita malícia, a chapa Participação e Descentralização em oposição clara ao modo centralizador de administração promovido pelo presidente candidato à reeleição, tinha Lourenço à presidência, na vice, Furlan, advogado radicado no Estado há mais de vinte anos, colega de Lions, paulista de Cardoso; a candidata à secretária era  natural da cidade e como tesoureiro, Magdal, militante do PMDB, também natural de Gurupi.

 

As eleições foram marcadas para o final de Novembro, e a chapa do Conselho Seccional, presidida por Augusto, candidato à reeleição, primo do candidato Gaspar, de Gurupi, tinha que enfrentar  a  chapa de oposição, bancada pelo governador Siqueira Campos.

 

Após a formalização da chapa, um dos candidatos ao Conselho da Chapa de situação para o Conselho Seccional foi ao encontro de Lourenço para ver a situação política e se tranquilizou que a oposição era local e estaria apoiando a chapa da situação para o Conselho, bancada pelo candidato ao governo em oposição ao governador.

 

A chapa de Lourenço era tida como um azarão.

 

Solitário começou a visitar os colegas. Primeiro em Gurupi, depois nas cidades da subsecção, cujo território abrangia àquele tempo, área superior ao Estado do Rio Grande do Norte em todo sul, no limite com Goiás.

 

No seu Fiat 157, o segundo carro do casal, aventurou-se sozinho pelas estradas de barro do sul de Tocantins. Saía pela manhã numa direção e ia parando nas cidades e visitando os colegas, anotando os reclamos etc.

 

Assim foi à Figueiropolis, Peixe, Alvorada, Palmerópolis, Jaú do Tocantins, Dueré, Formoso do Araguaia e demais cidadezinhas perdidas no sul do Estado recém-criado...Visitou quase todos os escritórios e a maior parte dos municípios da região abrangida pela Subseção... Incansavelmente queria vencer e se dispôs a trabalhar sozinho em busca de votos.

 

Muito interessante: Algumas Comarcas àquele tempo já dispunham de Magistrado, órgão do Ministério Público, Delegado de Polícia e até Defensor Público lotados e em exercício, porém careciam de advogados com escritórios no lugar, dado o isolamento e a falta de estrutura social. Bem pitoresco.

 

Nos escritório escutava os colegas e as reclamações principais.Pedia que fosse votar, e se o tempo estivesse ruim, que fosse na véspera, pois as estradas costumam ficar intransitáveis naquela época do ano.  Seus companheiros de chapa também telefonavam e faziam visitas a colegas com endereço em Gurupi.

 

Gaspar, presidente e candidato a reeleição praticamente estava todo dia no noticiário da TV, falando sobre isso ou sobre aquilo. Lourenço só teve uma oportunidade, quando parado no semáfaro da avenida Goiás, foi abordado por um repórter seu amigo.

 

Fazia apenas dez meses que morava no Tocantins e suas relações não eram tão extensas como as do adversário, que nascido e residente em Gurupi, circulava melhor. Ademais era candidato à reeleição.

 

À véspera do pleito a TV Anhanguera pedira para entrevistar ambos os concorrentes. Como era esperado, Gaspar de gravata, terno e com a pose que lhe era própria, gravou sua entrevista no escritório, tendo nos fundos livros e toda a pintura de uma banca de advogados.

 

Lourenço chamou a TV à sua casa, com a presença de integrantes da chapa e apoiadores que se manifestaram favorável às propostas. No alpendre de sua residência, com a presença de aproximadamente 30 colegas, expos de forma diferente o projeto de descentralizar e fazer com que todos participassem da administração.

 

A reportagem foi impactante revelando a diferença de posturas entre ambos os candidatos. A TV mostrou o jardim e os colegas agrupados no terraço, de forma descontraída, revelando forte união.

 

Ficou acertado que os colegas que viessem de fora seriam recebidos pelo candidato à vice que os levaria para almoçar. Também ficou acertado que os membros da chapa teriam uma fita vermelha presa à camisa ou junto ao braço... enfim, seriam identificados pela fita e todos que haviam prometido votar, ao chegarem na OAB, então com sede nas dependências do Forum de Justiça, também receberiam uma fita e seriam convidados a portá-las, de modo que, alguns constrangidos, por ter prometido votos às duas chapas, ficavam atônitos...

 

O resultado foi zebra verde, amarelo, azul e branca... para a situação, que não imaginara a organização da oposição. Com apoio dos advogados imigrantes, já maioria naquele tempo de criação do Tocantins, Lourenço venceu com a folga de dois votos para cada três...

 

(...)

 

Recorda-se que após a apuração ligou para São Paulo dando a notícia ao seu pai, que também não acreditava que a chapa teria sucesso. Depois foram a um bar na entrada da cidade, junto à Belém-Brasilia comemorar...

 

Merece recordar também que a posse foi solene e festivamente celebrada, tendo repercussão em todo o Estado do Tocantins.

 

Roberto J. Pugliese


Membro da Academia Eldoradense de Letras

Membro da Academia Itanhaense de Letras

Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras

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