domingo, 2 de março de 2014

O pic nic desastrado e outras histórias ( memória nº69 )


Memória nº 69

O pic nic na beira do Ribeira.

 

Ao longo dessas  décadas de vida Lourenço construiu valioso patrimônio de sólidas amizades. Sem exagero, guarda consigo  precioso rol de conhecidos, colegas e amigos que o acompanham na sua trajetória por longa data.
 
Trajetória tortuosa que de São Paulo traçou rotas diversas pelo imenso país, vivendo momentos igualmente distintos com gente alta, baixa, gordos e magros, feios e lindos... enfim, ricos e pobres, cultos e incultos das mais diferentes rodas e quadrados da sociedade.
 
Alguns desses amigos já completaram mais de 50 anos de estreita amizade. Aliás, essas relações sociais por tantos anos, se traduzem inexoravelmente em amizade, pois se não o fosse, o laço estaria rompido e não se projetaria por longa data.
 
Com tantos amigos e tempo de vida restam lembranças do passado que merece registro. Uma dessas história se deu em Eldorado.
 
Foram à Caverna do Diabo com as namoradas. Visitariam a caverna e fariam um pic nic em algum canto do parque estadual ou na estrada.
 
Saíram cedo de São Paulo e depois de rodar mais de 300 quilômetros, parte pela BR116, então com pista única nos dois sentidos e quase 90 quilômetros em estrada sem pavimentação, chegaram ao monumento natural.
 
(...)
 
As meninas ficaram encantadas com a beleza. Valera o sacrifício. Eles já conheciam e apreciaram mais uma vez os estalaquitites, corredores, morcego cegos que voam perdidos pelas galerias... Ouviram atentamente a história do bagre cego, um peixe que vive na escuridão do riozinho que construiu durante milênios a caverna... Ouviram do guia turístico histórias e outras informações.
 
O lanche resolveram fazer num  canto da estrada, antes de chegarem à Eldorado. Havia muita gente nas imediações da caverna que tiraria a liberdade dos casais.
 
Seguiram a viagem de volta procurando um cantinho aprazível para degustarem os quitutes que as namoradas prepararam. E numa curva qualquer observaram espaço razoável para estacionarem e se instalarem aproveitando a sombra de algumas arvores e com a visão pitoresca do rio Ribeira de Iguape.
 
Manobraram, estacionaram e desceram. Já abriam o porta-malas do fusquinha, quando escutaram tiros... e perceberam que eram dirigidos à eles... que sem pensar, fecharam tudo e zarparam sem olhar para trás.
 
(...)
 
Começara a chover e resolveram andar mais de pressa dada as condições da estrada... e não teve pic nic. Nunca mais houve qualquer pic nic com o Gil, a Regininha e Lourença namorada ... mesmo sendo o grupo unido e viajando juntos por diversos cantos.
 
Noutra ocasião, já eram casados e foram à Atibaia passar um final de semana num aprazível hotel fazenda. Chegaram por volta da meia noite de alguma sexta feira.
 
Lourenço, com a mulher e Lourenço Jr. vieram de Itanhaém, passaram no apartamento dos amigos e seguiram viagem... Ao se apresentarem no hotel, por coincidência Lourenço começou falar com uma das mãos numa das orelhas, acompanhado de Gil e de Lourenço Jr., que sem combinarem assim conversaram com o porteiro do hotel.
 
No dia seguinte, vagando que estavam pelos caminhos, trilhas e estradas do hotel e proximidades encontraram com o porteiro da noite anterior, que ao vê-los, de pronto colocou uma das mãos numa das orelhas os imitando...
 
Nessa ocasião andando pela cidade encontraram um moveleiro de peças antigas e Lourenço comprou u’a mesinha de madeira com um suporte de mármore. Gil, consertou a peça que tinha algum defeito que propiciara minorar o preço... e esse móvel se encontra no seu escritório servindo de suporte para seu telefone fixo.
 
Roberto J. Pugliese
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras

Um comentário:

  1. Depois do susto , rimos muito sempre que nos lembramos dessa aventura com amigos queridos demais!!

    ResponderExcluir