sexta-feira, 27 de junho de 2014

Colégio Mackenzie: lembranças. ( memória nº 94 )


Memórias nº 94
Instituto Mackenzie.

 

Lourenço concluíra o ginásio no Arquidiocesano, tradicional colégio da Vila Mariana, em São Paulo, em cujas carteiras, ilustres personagens da história já haviam sentados, entre outros, alguns prefeitos e vereadores da cidade, juízes, médicos e advogados renomados e entre esses, Jânio da Silva Quadros e Wenceslau Brás, que se elegeram presidentes da república. Instituição de ensino dos Irmãos Maristas, leigos de origem francesa, voltados para educação.

 

Concluído o curso ginasial em 1965, no ano seguinte matriculou-se no Curso Clássico, o terceiro grau então existente, voltado para as letras, distinto do Curso Científico, voltado para ciências exatas. Fora estudar no Colégio Mackenzie, instituição também tradicional quanto a outra, mas cujo regime disciplinar, era radicalmente distinto, sem qualquer restrição  ou regra comportamental de convivência.

 

De repente Lourenço se viu livre, leve e solto, em frente da Faculdade de Filosofia da USP, instalada do outro lado da rua, convivendo com radicais da esquerda e de direita, falando de política e tendo aula de inglês, sem que a professora proferisse qualquer sílaba em português.



 
Dentre os professores destaca o de literatura: Isidoro. Outro não se recorda...

 

Um prédio erguido no jardim acadêmico, ao lado de outros, onde se encontravam as escolas de arquitetura, de engenharia, de  direito, de economia permitindo conviver com jovens de ambos os sexos, com costumes liberais e vindos de todos os cantos, influenciando de forma recíproca, uns aos outros, num convívio bem democrático. Alunos dos cursos superiores junto com os do terceiro grau, sem portões que fossem fechados, sinos e regras que lhes foram impostas desde o primário nos colégios de bairro em que estudara. Não havia mais boletins. As notas eram publicadas com afixação nas paredes de papéis impressos na secretaria.

 

Tudo mudou repentinamente.

 

E, sem avaliar bem o que acontecia, Lourenço se viu ao lado de Arnaldo Baptista que estava se esforçando para firmar a sua banda, ainda não conhecida e às sextas feiras, dava convites aos colegas para prestigia-la. Os Mutantes, com Rita Lee e aparelhagem eletrônica de ponta, estavam surgindo à passos largos.

 

Na mesma sala, não menos excêntrico para aqueles tempos, Peticov o genial mestre das tintas, também dava seus primeiros passos para a fama.

 

A toda essas mudanças comportamentais, ajunte-se a transformação de pinto para galo e todas as novidades das cortinas da vida que mostravam para um novo espetáculo.

 

A esse tempo, Giba seu amigo de Itanhaém, estudava Química Industrial e assim se encontravam com frequência. Aliás esse fora seu incentivador para estudar no Mack...

 

E Lourenço foi reprovado. Sem qualquer chance. Algo inusitado acontecera e não sabia como dar a notícia. Sem alternativa, tomou o primeiro ônibus que passou e seguiu sentado no último banco refletindo... No ponto final, voltou... e no ponto inicial retornou... e assim passeou durante o dia inteiro.

 

(...)

 

No ano seguinte se viu matriculado no Colégio São Bento para repetir o primeiro Colegial que fora reprovado. E cursou o Clássico onde teve o privilégio de ser aluno, entre outros sabidos professores, do Dr. Henrique Vailati com quem veio desfrutar de seus ensinamentos e amizade.

Em 1970 ingressou na Faculdade de Direito da PUC-Sp.

 

Roberto J. Pugliese
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras

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