sábado, 17 de janeiro de 2015

Ciclovia não é o ideal. É demagogia.


 

 

A bicicleta e o transito.

 

Repentinamente o país de norte a sul começou a propagar que a solução para o trânsito melhorar é incentivar os ciclistas pedalarem pelas cidades.

Especialistas aventam que a mobilidade urbana será radicalmente melhorada pois o fluxo de automóveis diminuirá. Nesse sentido outras justificativas segundo os entendidos decretam, ajuntam à importância do ciclista.

Andar de bicicleta é a solução.

Segundo os adeptos, seja nas megalópoles como São Paulo, cheia de altos como a Avenida Paulista ou Santana e baixos, como a Lapa e a Várzea do Glicério, transitar com bicicletas é como o povo deve se mobilizar de um para outro ponto.

Andar em Santos, a capital do litoral paulista, cheia de morros, curvas e apertada entre o mar que a rodeia, cheia de prédios e ruas afogadas de tantos veículos é a solução. Do mesmo modo o será em todas as cidades brasileiras, inclusive Belo Horizonte com a sua bacia afogada dentro das serras que a circundam ou Salvador da cidade Alta e da cidade Baixa... Enfim, para os devotos da santa solução estratégica, que vingou na Europa, a bicicleta é o veículo limpo, silencioso, que não polui, promove a saúde dos ciclistas e a custo zero, leva e traz gente para todos os cantos...

Ledo engano.

Com sinceridade e já pedindo perdão pela insolência em contrariar teses e esquemas idealizados nas mesas de estudiosos, afirmo corajosamente que estão redondamente enganados os que decretam a bicicleta como solução para o transito, para a saúde e para a economia nacional...

Refiro-me ao veículo de transporte. Não aponto o biciclo como instrumento de laser ou esportivo. Falo em contestação às teses malucas que transitar de bique é a solução para a paz social. ( ?)

Nesta plana insta estampar que transitar de bicicleta como meio de transporte é algo que está bem longe da tradição brasileira, aliás, da tradição latino americana e poucos se aventuram nessa rotina. Andar de bicicleta é ainda, para alguns poucos, lazer. Ou esporte. Bicicleta para a massa brasileira, com raríssimas exceções é laser ou esporte. Meio de transporte é veículo motorizado, coletivos ou particulares. Inclusive motocicleta, triciclos e outras adaptações criativas, desde que movidas à pilha, bateria, óleo diesel, álcool ou gasolina...

Por mais que os Poderes Públicos resolvam investir em ciclovias e estacionamentos, ultimando medidas demagógicas por excelência, não será por decreto que o brasileiro deixará seu carro em casa, ou abdicará do metrô, para ir trabalhar de bicicleta.

Ainda que a mídia assuma a ideia e se debruce para valer se empenhando em difundir que é a solução nacional andar de bicicleta, a tradição verde amarela é outra, advinda de mais de um século rodando sobre quatro rodas movidas a propulsão petrólica. Terno, gravata e bicicleta não combinam.

Transitar sem pressa, sem lenço ou documento nas alamedas arborizadas da ilha de Paquetá, desviando-se apenas de charretes ou na Ilha Grande, sem ser importunado pela pressa de atravessar a cidade para chegar em tempo no trabalho faz da bicicleta mais que um meio de transporte, uma grande diversão.

Situação propícia para valer-se das biques é saber que vestido à vontade, de calção, com sandálias e apenas um chapéu para proteção solar, sem a pressão estressante de ter de chegar, guardar, acorrentar, e correr para o almoxarifado ou para a mesa de trabalho, pegar o alicate ou a caneta, suado, empoeirado e sentindo-se grosso da gordura impregnada pela proximidade das vias públicas, e iniciar a labuta rotineira. Saber que ao fim do dia, a chuva torrencial ou o vento gélido de Porto Alegre não Irá atrapalhar o retorno de bique para casa.

Pasmem, essa é a verdade.

Florianópolis, uma ilha paradisíaca para alguns, é uma cidade nervosa e vibrante para outros. Apertada entre montanhas e o mar, não tem espaço para ciclistas. Nem o costume do mané, mais navegador do que equilibrista, para justificar tanta ciclovia espalhada pelas vias principais, espremendo veículos presos em congestionamentos intermináveis.

Ciclovias estão vazias. Não há público para tanto espaço perdido. Lugares sem utilização testemunhados pelos motoristas dos autos aturdidos pela má distribuição das vias públicas. São Paulo, Florianópolis ou Brasília não se confundem com Guaratuba, Cananéia ou Paraty.

É preciso lembrar que na Europa a bicicleta surgiu após a segunda Grande Guerra. O continente destruído precisava ser reconstruído, e falido, com ajuda dos norte americano, com esteio no Plano Marssall,  começaram os investimentos de modo a dinamizar novamente os meios de produção.

Como o velho continente não tem petróleo, inventaram o transporte de bicicleta, incutindo tratar-se de veículo barato e bom para o ciclista, para o meio ambiente etc e tal... E assim já se vão  anos de tradição...

Aqui é diferente. A influencia dos EEUU no comportamento social e a tendência do brasileiro e dos latinos copiarem o modo de vida do gigante do norte, influenciados pela massiva propaganda que influencia nos costumes, o automóvel se tornou a coqueluche. Sempre foi assim e não vai mudar logo. O brasileiro se torna deverdor, vale-se do crédito que se quer dispõe, não come direito, mas sua primeira aquisição é o carro próprio.

Ademais, poucas são as cidades planas o bastante para valer à pena andar de bicicleta. E por aí a fora... E o ciclista operário, executivo ou diretor de empresa, terá também que ter adaptado o local de trabalho, com vestiários adequados à banhos para aquele que chega sujo e precisa por a gravata para atender o público, ou jaleco para iniciar as consultas médicas...

Vale a reflexão.

Ciclovia é uma grande enganação. Demagogia cara cujos efeitos não são bons para a maior parte da sociedade e para os políticos que as defendem. Ciclovia está em moda porque a politicagem e os artistas dessa arte desacreditados, acuados em denuncias e investigações, fazem de tudo para disfarçar e tentar agradar o eleitorado.

Repete-se: Vale refletir e pensar à respeito.

Roberto J. Pugliese
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos da OAB-Sc

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