sexta-feira, 6 de março de 2015

Eleição para Vereador - ( memória nº 111 )


Memória nº 111.

Eleição: Fatos marcantes.

 

Quinze de Novembro de 1982: Eleições gerais no país. Os militares foram obrigados a permitir que se votasse em Vereador, Deputado Estadual e Deputado Federal, Governador e uma vaga para Senador e Lourenço era candidato  à Câmara de Vereadores de Cananéia.

 

Não era da cidade. Um pouco mais de três mil eleitores espalhados pelo município formado por incontáveis ilhas, ilhotas e extensa zona rural. Cidade pobre e esquecida estava descobrindo o progresso.

 

Filiado ao PMDB que se quer conseguira preencher todas as vagas para o concurso ao cargo de  vereador, enfrentaria o forte partido da ditadura, do prefeito e da maioria da Câmara. A Arena, partido de Paulo Maluf que renunciara ao cargo de governador nomeado pelo ditador. Pretendia concorrer à presidência da República.

 

Logo cedo ficou impressionado com um de seus vizinhos, o velho Camargo, ex combatente da Revolução de 1932, que mesmo na humilde condição de velho pescador aposentado, vestiu-se à caráter: terno, gravata e medalhas que ganhara ao longo da guerra paulista. Questionado sobre a razão, Camargo disse orgulhoso que era data importante em que exercia sua condição de cidadão. (!!!)

 

Lourenço não transferiu nenhum eleitor para o domicílio na cidade para cooptar seu voto e tinha apenas o voto próprio e da mulher. Os demais seriam conquistado durante a solenidade, valendo-se de sua condição de candidato da Renovação Jovem, como foi difundido durante a campanha.

 

Seu amigo Gil e sua mulher foram à Cananéia para ajudar a transportar eleitor e distribuir santinhos. Lourença Sogra também viera para tomar conta de Lourenço Jr, então com pouco mais de 3 anos de idade.

 

A apuração se dava na sede da Comarca, em Jacupiranga, distante 80 km. E como esperado a Arena bateu o PMDB e Lourenço, o quarto candidato mais votado do município, não obteve votos bastante para se eleger, tornando-se o primeiro suplente do Partido.

 

O tempo correu e em Abril como já narrado noutra oportunidade assumiu a vaga do vereador que fora preso em fragrante. E nessa condição pensou com seus botões se deveria agir com retidão e tenacidade, buscando de todos os meios políticos e legais agir em favor da população e da cidade, ou com menos agressividade, de forma a conquistar o carinho do prefeito e da maioria dos vereadores, filiados à Arena, enquanto o processo de cassação do vereador preso não chegasse ao fim.

 

Optou por agir normalmente. Com rigor e bastante eloquência e esperteza em defesa da ordem jurídica, ignorando a  possível influencia do Poder Executivo sobre os colegas vereadores para absolverem o vereador afastado e assim esse retornar à Câmara e ficar refém dos adversários.

 

E foi o que deu.

 

Em Agosto o processo de cassação por falta de decoro foi concluído e o vereador absolvido e Lourenço retornou à suplência. De cabeça erguida.

 

Nesse interregno, com a ajuda de Jacy, o contabilista, conseguiu convencer à Camara rejeitar as contas do ex prefeito e remeter as informações para o Ministério Público, mesmo sendo o PMDB minoria.

 

Também foi honrado em sair carregado nos braços de eleitores numa das sessões que desmascarou publicamente a farsa do Prefeito Municipal.

 

Enfim tem incontáveis recordações de sua atuação durante os três meses que exerceu o mandato na Câmara de Vereadores da Estância de Cananéia, a cidade mais antiga do país.

 

Roberto J. Pugliese
foi presidente por dois mandatos da 2ª. Subsecção da OAB-To-Gurupi.

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