quinta-feira, 23 de abril de 2015

A visita à Abílio Pereira de ALmeida. ( memória nº 115 )


Memória nº 115
ABÍLIO PEREIRA DE ALMEIDA.

 
 
 
 
 
 
Começou a investir no Vale do Ribeira por ter vislumbrado grandes possibilidades de progresso pois era, como ainda hoje é, a região mais carente do solo paulista.

 

Comprou uma fazenda situada no bairro do Serrote, em Registro, onde plantava chá e abacaxi. Depois montou um escritório imobiliário em Miracatu e em Iguape loteou duas áreas no bairro do Rocio, próximo ao campo de pouso.

 

Quando trabalhava no cartório focou clientes que investiam em loteamentos na Ilha Comprida, então parte pertencente a Iguape e parte à Cananéia. Chegou a ter mais de vinte loteadores que lavravam as escrituras de venda de seus lotes com ele. Cada loteamento tinha em média quatro ou cinco mil lotes.

 

Em Cananéia chegou a comprar e vender alguns terrenos e investiu bastante no exercício da advocacia, morando na cidade  por dois anos, porém mesmo longe, desde que mudou-se de lá, sem se desvincular de suas relações com a cidade, sempre se manteve próximo à cidade.

 

Certa vez, ainda residente na cidade de São Paulo, soube que determinada área, abandonada, com grande extensão de terras coberta por mata primária originária, situada junto à Serra do Mar, no sul de Cananéia, pertencia a um senhor que a adquirira e há boa data não ia visitá-la. Boa parte invadida e que poderia ser negociada.

 

Com cautela e muita pesquisa conseguiu o endereço do proprietário e determinada noite, com hora marcada foi ao seu encontro. Um apartamento situado num prédio antigo, mal tratado, nas imediações da Praça 14 Bis, numa ladeira em direção à Rua Augusta. Um apartamento modesto num edifício igualmente modesto, num bairro boêmio.

 

Foi encontrar-se com Abílio Pereira de Almeida, então já um velhinho bem decadente revelando-se no final de sua vida, com saúde aparentemente debilitada e mostrando-se empobrecido.

 

Não sabia que estava na residência de um dos maiores destaques do cinema e do teatro brasileiro, e que ao longo da primeira metade do século XX havia contribuído sobremaneira para a cultura das artes cênicas brasileiras e na formação desse segmento artístico em São Paulo.

 

Não sabia que fora um dos atores do filme O Caiçara, que também era dramaturgo de grande projeção e também fizera parte do tradicional TBC – Teatro Brasileiro de Comédia.

 

Desconhecia o ilustre anfitrião e limitou-se a falar de negócios envolvendo o imóvel em Cananéia. Não houve acerto e por sua ignorância cultural se quer pediu um valoroso autografo do teatrólogo de grande projeção que era e foi Abílio Pereira de Almeida.

 

Pouco tempo depois, em 1977 veio a falecer e o noticiário envolvendo o óbito trouxe à Lourenço a biografia do extinto.

 

Lourenço lamenta profundamente que esteve junto e próximo do grande artista e não soube avaliar a grandeza de quem o recebera.

 




Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas, Leud -2005.

 

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