segunda-feira, 6 de abril de 2015

Uma amizade: Rubens Henriques. ( memória nº 113 )


 
 
 
 
 
 
Memória nº 113
Acôrdo com a luz acesa -

 

Rubens então residente na Reta, um bairro rural de São Francisco do Sul, recém conhecido de Lourenço foi ao escritório para pedir alguma medida no sentido de que fosse ligada a luz de sua casa.  Contou que o vizinho e senhorio por falta de pagamento de aluguel queria que o imóvel fosse desocupado e após diversas tentativas resolveu de per si e unilateralmente cortar a energia elétrica, deixando a família às escuras.

 

Era final do ano e antes do início de recesso e férias forenses, em menos de um dia providenciou medida cautelar objetivando a re-ligação da energia, pleiteando fosse deferida de plano a ordem, dada as circunstancias relatadas. O magistrado determinou audiência de justificação, marcando a solenidade para poucos dias à frente, à realizar-se numa sexta feira no início da tarde.

 

Iniciados os trabalhos, o Juiz de Direito propôs acordo e ficou estabelecido que o senhorio ligaria a energia elétrica e cliente, inquilino inadimplente, sairia do prédio em 30 dias. Acertado o pacto, o Magistrado pediu a confirmação da avença e ia iniciar o ditado da sentença, quando foi interrompido por Lourenço, pedindo que o acordo fosse firmado à noite, na residência, com a luz acesa.

 

Perplexo, o Juiz de Direito questionou a razão que foi explicado pelo advogado e confirmado pelos presentes. O Magistrado não houvera percebido, talvez pela leitura rápida das peças processuais, o que na verdade acontecia. Enfurecido, suspendeu os trabalhos e determinou:

 

- Quero a energia ligada até as 18 horas de hoje. Caso contrário, peço que me avise, pois estarei no fórum até as 19 horas, que tomarei diversas providencias, inclusive mandando os autos para o Ministério Público para que verifique a prática de crime e proponha a competente ação penal...

 

A advogada do senhorio tentou explicar que já era o meio da tarde e que na sexta feira seria quase impossível fazer uma equipe da concessionária de distribuição de eletricidade ir até o local, situado na periferia da ilha, e ultimar as providencias necessárias para cumprir a ordem.

 

Sem dar muita atenção ao clamor expresso, apenas salientou que o senhorio deveria ter pensado antes da prática do ato, mormente por ser uma família com duas crianças e que a decisão estava tomada.

 

( ...)

A energia foi ligada ainda naquela sexta feira e propiciou o início de uma amizade que se projetou por anos entre aquela família e Lourenço.

 

Roberto J. Pugliese
Titular da cadeira nº35 da Academia São José de Letras.

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