sábado, 19 de setembro de 2015

Lourenço Jr., o buggy, a fazenda e a emboscada.


Memória nº 118.
A emboscada no Gaivota.

Lourenço acabara de almoçar naquela quinta feira e convidou Lourenço Jr para irem juntos até o Gaivota, bairro periférico próximo a divisa do município de Itanhaém com  Peruíbe. Pretendia ver uma, área de terra conflituosa que seu escritório estava envolvido e conversar com o cliente, caseiros e até mesmo algum invasor.






Uma fazenda entre a rodovia e a praia com disputa de propriedade e posse que Lourenço fora contratado para promover ação em favor de uma das partes. Foram de buggy pela praia.

 

Dia bonito foram conversando até chegarem ao ponto em que saíram da praia e por uma pequena estrada arenosa seguiram em direção à sede da fazenda. Uma estradinha quase caminho, com facões, buracos, charcos, curvas fechadas... Um caminho precário.

 

Chegaram a uma clareira no meio do mato ralo típico da costeira onde estavam erguidas duas ou três casas de alvenarias aparentemente abandonadas. Ninguém apareceu mesmo tendo aguardado alguns minutos. Tocou buzina algumas vezes e o próprio barulho do motor do auto revelou sua presença, porém ninguém apareceu. Ou se esconderam ou não havia ninguém por ali.

 

Retornavam para a praia pelo mesmo caminho quando numa curva Lourenço deparou-se com uns arbustos postos de modo a impedir a passagem do veículo. Estancou e recuou alguns metros, onde tinha visão melhor ao redor, já que o obstáculo fora colocado onde o mato era mais alto.

 

- Preste bem atenção, vou tentar passar a qualquer modo, mas é uma emboscada. Caso alguém me barre ou atirem ou aconteça algo, mesmo que eu pare ou me peguem, você pula fora e saia correndo sem olhar para trás. Corra sem parar em direção à praia e chame socorro. Não se importe comigo. Entendeu?

 

Lourenço dirigiu-se ao filho de modo sério e preocupado, instruindo o garoto que à época tinha menos de 10 anos. Em seguida acelerou bem o veículo e sem dar confiança ao que havia no caminho, foi em direção aos galhos e arbustos, desviando o máximo que pode, adentrando um tanto na lateral esquerda do caminho, ultrapassando pelo tronco e galhos e superando o obstáculo sem parar, seguiu em velocidade superior em direção à praia.

 
 

Pessoas fecharam o caminho. Não soube quem era e tão pouco porque razão. Mas foi claro que interromperam a passagem para impedir que saísse do lugar em conflito para assaltarem ou apenas amedrontar ou mesmo para outras ações conexas ao próprio conflito fundiário. A sorte, provavelmente se deu que retornando rapidamente, a barreira não ficara completa e permitiu ser superada.

Para o filho, foi uma grande aventura. Para ele um grande susto, principalmente por estar com a criança e não saber o que poderia acontecer.

 
Roberto J. Pugliese
pugliese@pugliesegomes.com.br
Autor de Direito das Coisas, Leud, 2005.
Cidadão Honorário de Cananéia, Sp. -

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