sexta-feira, 29 de junho de 2018

Teologia da Libertação

Papa Francisco saúda Gustavo Gutierrez Merino.



Gus­tavo Gu­tiérrez Me­rino, Frade Do­mi­ni­cano, nasceu em Lima, no Peru, no dia 8 de junho de 1928. É con­si­de­rado o “Pai da Te­o­logia da Li­ber­tação”. Hoje, ele re­side no Con­vento dos Do­mi­ni­canos de Lima. De­dica-se ao tra­balho pas­toral, à pre­gação de Re­tiros, à ad­mi­nis­tração de Cursos de Te­o­logia na Uni­ver­si­dade de Notre Dame (In­diana, EUA) e no “Stu­dium” Do­mi­ni­cano de Lille (França), e de Con­fe­rên­cias em Cursos e En­con­tros.

Com todo ca­rinho e apreço - como um irmão que de co­ração aberto es­creve a outro irmão - o Papa Fran­cisco envia uma Carta ao teó­logo  pa­ra­be­ni­zando-o pelo seu ani­ver­sário de 90 anos  e agra­de­cendo o seu ser­viço te­o­ló­gico e o seu amor aos po­bres. Por fim, en­co­raja-o a se­guir adi­ante.
   
“Es­ti­mado irmão: por oca­sião do seu 90º ani­ver­sário, es­crevo para pa­ra­be­nizá-lo e as­se­gurá-lo de minha oração neste mo­mento sig­ni­fi­ca­tivo de sua vida. Uno-me à sua ação de graças a Deus, e agra­deço-lhe pela sua con­tri­buição à Igreja e à hu­ma­ni­dade através do seu ser­viço te­o­ló­gico e o seu amor pre­fe­ren­cial pelos po­bres e des­car­tados da so­ci­e­dade. Obri­gado por todos os seus es­forços e pela sua ma­neira de in­ter­pretar a cons­ci­ência de cada um, para que nin­guém seja in­di­fe­rente ao drama da po­breza e da ex­clusão”.

Con­clui o papa: “com esses sen­ti­mentos en­co­rajo você a con­ti­nuar a sua oração e o seu ser­viço aos ou­tros, dando tes­te­munho da ale­gria do Evan­gelho. E por favor, peço-lhe que reze por mim. Que Jesus te abençoe e que a Virgem Santa te cuide! Fra­ter­nal­mente, Fran­cisco”.
    
Os estudiosos da Igreja de Cristo interpretam o gesto do Santo Padre Papa Francisco como reconhecimento do valor da Teologia da Libertação e reforça  a opção pelos pobres.

Na ver­dade, toda Te­o­logia é da Li­ber­tação. Se não for da Li­ber­tação, não é ver­da­deira Te­o­logia.
   
Uma das crí­ticas que se faz à Te­o­logia da Li­ber­tação é a de que - ao menos até agora - ela tratou, quase que ex­clu­si­va­mente, da re­a­li­dade so­cial e po­lí­tica. Ora, como o ser hu­mano é his­tó­rico (um “vir-a-ser”, um ser em cons­trução), seus co­nhe­ci­mentos - me­ra­mente ra­ci­o­nais (ci­en­tí­ficos e fi­lo­só­ficos) ou ra­ci­o­nais à luz da Fé (te­o­ló­gicos) - são também his­tó­ricos, si­tu­ados (no es­paço) e da­tados (no tempo). 

Acon­teceu (e po­derá sempre acon­tecer) que - em de­ter­mi­nadas si­tu­a­ções, para dar sua con­tri­buição na res­posta aos pre­mentes de­sa­fios apre­sen­tados - a Te­o­logia da Li­ber­tação apro­fundou mais al­guns as­pectos da re­a­li­dade (como o so­cial e o po­lí­tico) e deixou na sombra ou­tros as­pectos (como o cul­tural). Com isso, a Te­o­logia da Li­ber­tação deu a im­pressão de que tra­tava so­mente de temas so­ciais e po­lí­ticos.

Isso é hu­mano e com­pre­en­sivo quando “se faz te­o­logia” a partir de si­tu­a­ções con­cretas. As­pectos da re­a­li­dade, que fi­caram apa­ren­te­mente es­que­cidos, po­derão ser apro­fun­dados em ou­tros mo­mentos. Só não se deve apre­sentar uma parte da ver­dade como se fosse toda ver­dade.

Como se­gui­dores e se­gui­doras de Jesus - que vivem em Co­mu­ni­dades (Igrejas) - de­vemos estar sempre in­se­ridos e in­se­ridas (en­car­nados e in­car­nadas) na vida do povo, en­tra­nha­da­mente so­li­dá­rios e so­li­dá­rias com todos e todas que so­frem e or­ga­ni­ca­mente unidos e unidas a todos e todas que lutam pela vida hu­mana e por todas as formas de vida.    

Os cris­tãos e cristãs têm, por­tanto, o dever de par­ti­cipar (ser mi­li­tantes) dos mo­vi­mentos po­pu­lares, sin­di­catos de tra­ba­lha­dores e tra­ba­lha­doras, par­tidos po­lí­ticos po­pu­lares, fó­runs de de­fesa e pro­moção dos di­reitos hu­manos, con­se­lhos de di­reitos e ou­tras or­ga­ni­za­ções po­pu­lares, com­pro­me­tidas na cons­trução de “outro mundo pos­sível”, que é a so­ci­e­dade do Bem Viver, que é o Reino de Deus na his­tória do ser hu­mano e do mundo.

É visível a qualquer um a repugnância de certos segmentos elitizados em relação aos que seguem a aludida Teologia da Libertação, acusando-os de socialistas, comunistas, rebeldes e contrários à fé cristã. Mentira.

Enfim, o Expresso Vida, por seu editor, aplaude e comemora junto com SS Papa Francisco o feliz aniversário do criador da Teologia da Libertação.
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Roberto J. Pugliese
www.puglieseadvogados.com.br
presidente da OAB-TO- Gurupi ( 1990-1991 e 1992-1993 )



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