quarta-feira, 3 de junho de 2020

EUGENIA PROGRAMADA À VISTA !

PERIGO: GENOCÍDIO EUGÉNICO!

Os brasileiros estão correndo alto risco de genocídio de grande parte da população dos mais frágeis. Sem receio posso incluir na listagem de hiposuficientes  os pobres, desvalidos, os doentes, os velhos, os desqualificados, os moradores de rua, os isolados nos grupos sociais diferenciados, entre os quais quilombolas, indígenas, pescadores artesanais, ciganos e milhões, sim, milhões de pessoas que não dispões de carteira de trabalho, diploma, força, dinheiro ou alguma forma de produzir e consumir.





O discurso contínuo e seguido das altas autoridades da República, especialmente as atitudes do presidente, como chefe de estado e de governo é a prova maior de sugerir que as orientações dos cientistas, médicos, sanitaristas e técnicos em saúde pública do mundo inteiro não devem ser atendidas, pois a economia e a vida financeira do país é que deve ser tutelada e agindo assim, os mais fracos irão morrer de qualquer modo e a economia quebrada gerará o colapso financeiro, extinguirá empregos, provocará falencias e o país não terá mais como cumprir suas obrigações fiscais, financeiras, economicas e sociais

Um discurso que é repetido em favor do incentivo a volta ao trabalho ignorando a recomendação para que a população fique isolada, guarnecida em casa, evitando o contato com outras pessoas, numa quarentena rasoavel, para evitar o colapso da estrutura sanitária e médica.

Sem delongas: O povo ignorando as recomendações dispostas pelas autoridades mundiais e atendendo aos reclamos das autoridades federais especialmente, estará se expondo e arriscando a própria vida. 

Grandes empresas multinacionais, conglomerados financeiros, empresários de um modo geral, proprietários de seus negócios, sabem que tem seus familiares e amigos  de certo modo protegidos em suas casas, sítios ou bangalos isolados e que não serão expostos a contágios. Incentivam a volta ao trabalho a qualquer preço e o trabalhador, comerciário, operário ou qualquer mão de obra sem lastro financeiro, se curva e irá cumprir as exigencias patronal para não perder o emprego. Apostará a vida em busca do trabalho.

É o genocídio arquitetado.
Ao invés do governo federal abrir o cofre e prover os habitantes frágeis de recursos para a sobrevivencia mínimamente humana, preservando a saúde, se omite e incentiva o fim da quarentena.

O Expresso Vida está do lado da ciencia. Dos médicos e dos que estudam como preservar a vida e enfrentar o coronavirus. Repudia toda tentativa de arriscar a vida de quem quer que seja, rico, pobre, negro ou incolor.

Enfim, atentem-se e cuidem-se.
A vida é uma só.
Emprego, mesmo dificil, é possível substituir, se o interessado, sobreviver.

Roberto J. Pugliese
editor
Titular da cadeira 35 da Academia São José de Letras.

 

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Um conto de Antônio Paixão !

O Expresso Vida apresenta um conto escrito pelo poeta Antônio Paixão.

A leitura atenta mostra claramente a triste situação que as cabeças que pensam estão analisando, ainda que de modo humurístico, o desgoverno implantado pelo Capitão de Xiririca, que por acaso, é o presidente da República.

Boa leitura




"o aniversário do poeta

Depois de se recuperar do consumo de todo um tonel de vinho de São Roque em companhia de Beppe Molisano, por ocasião do aniversário do Poeta, António Paixão nos envia o seguinte conto:
O aniversário do Poeta.
Aproximou-se mais um meu aniversário, uma efeméride que continuamente me surpreende deprimido e desalegre, como consequência de minha triste existência. Neste final de abril de 2020, todavia, sempre que não me encontrava entorpecido pelo meu retiro voluntário no tonel de vinho de São Roque, no interior do Estado de São Paulo, o meu estado de espírito tornou-se particularmente lúgubre, penoso e sombrio. Assim, tenho buscado a imersão total no bálsamo de uva, com poucos momentos de sobriedade, para me esquecer dos tristes momentos em que a pandemia devassa a saúde do povo brasileiro e um desgoverno melífluo destrói o futuro do País.
As notícias que acompanho pelo telefone celular, sempre que vou ao banheiro, agravam minha depressão. Num destes momentos, em meados de abril, lembrei-me que, durante meu isolamento voluntário, tive apenas uma visita de um sapo falante, a qual relatei no conto “Diálogo com o Sapo” e uma aprazível visão de minha muito amada Dulcinéia, numa lagartixa na parede da cantina, que me proporcionou a inspiração para o poema “Venus Pugnax”, expressão latina para Vênus Combativa.
Foi então que me ocorreu a vontade de ter companhia para o dia primeiro de maio, data dedicada aos trabalhadores, quando celebraria o meu aniversário. Lembrei-me imediatamente de meu amigo, o Beppe Molisano, um italiano de Nápoles homiziado, não se sabe bem por que motivo (e ninguém tem coragem de perguntar-lhe o porquê), no bairro da Mooca, em São Paulo. Beppe, como é sabido por todos nos círculos mais decadentes, esquálidos e ignóbeis da Paulicéia, é um infame cantautor, poeta, ajudante de pedreiro, peixeiro, cozinheiro e putanheiro de minha aproximada idade, que trabalha apenas quando forçado pela mais amarga necessidade. Ele se define com pouca modéstia como um polímato renascentista.
Na privacidade do meu banheiro, liguei para o Beppe, que me respondeu naquele bonito sotaque musical da língua napolitana enriquecido pela cadência do dialeto da Mooca, que o faz soar como o falecido cantautor Adoniran Barbosa, de saudosa memória. “Buongiorno, grande giornalista e poeta. A que devo l’onore e la felicità do seu telefonema?”, disse-me ele de pronto.

 “Sabe, Beppe, no dia primeiro de maio completarei mais um aniversário. Estou um pouco deprimido com a situação da pandemia e com a política do País, aqui em meu tonel de vinho na cidade de São Roque, e gostaria de convidá-lo para um trago desta preciosa poção que me acolhe, abriga e acalenta. Seria na hora do almoço, lá pelas 13:30 horas e você pode trazer uma quentinha de papel alumínio ou marmita de metal com aquele saboroso bacalhau italiano, que sabe tão bem preparar. Comeríamos dentro do tonel, semi imersos. Venha só, o local não se presta à companhia feminina. Naturalmente, você terá que tomar um banho antes, ainda que não seja um sábado, ahahah”, disse-lhe.

“Ho capito, António”, respondeu-me ele, “você me invita per o seu compleanno em São Roque e eu devo ainda preparar il mio divino Baccalà alla Molisana?”

“Sim”, respondi com aquela infinita paciência que me foi dada por Nossa Senhora de Fátima no meu nascimento. “Mas eu entrarei com quantidades navegáveis deste primoroso vinho que faz a inveja de reis, príncipes, cardeais e juízes corruptos da Lava Jato. Você não irá recusar?”

“Senta, io non sono deprimido. Os michês delle puttane caíram per molto meno della metà. Non ignora que eu sempre preferí a libertà oferecida por uma puttana do que a schiavitù imposta pelo matrimônio. Comunque, va bene. Auguri. Ci sarò”, respondeu e desligou.

No dia e horário combinado, Beppe Molisano chegou à vinícola a bordo de sua Lambretta ano 1969, de cor vermelha Ferrari original, apenas um pouco desbotada, pelo decorrer de meio século de sua fabricação. No bagageiro, trazia duas quentinhas de papel alumínio, talheres e copos de plástico. Como planejaram comer dentro do tonel, colocou também uma pequena toalha de rosto, para poderem limpar a boca e as mãos, se necessário. Tudo no mais alto estilo, de fazer inveja aos protocolos do Vaticano e da Farnesina.

“Bem-vindo, Beppe”, disse-lhe com o meu melhor sorriso jornalístico, aquele que é visível e deliberadamente falso, ao contrário do evangélico, aquele que é falso mas aparentemente sincero, na expectativa de logo poder comer meu almoço de aniversário. “Pode tomar um banho lá no fundo e vir despido para o meu tonel. Mandei colocar mais uma banqueta de pernas altas na posição oposta à minha. Tem também uma pequena bandeja sobre a boia, onde você poderá colocar a sua marmita, o copo e os seus talheres. Farei o mesmo do meu lado”.

Banho tomado, Beppe acomodou-se em sua posição no tonel e foi logo dizendo : “Fiz também um poema para ti. É sobre a situação presente, com a qual tenho familiarità, pois la politica è l’ùnico ambiente onde una puttana se sente à vontade. E de puttane eu tenho vários pós-doutorados, inclusive na Rua Augusta, na Major Sertório, na Rego Freitas, no Jockey Club e noutros centros de excelência de San Paolo”.

“Eu também fiz um poema para si, Beppe, é um esforço ecológico, neste momento em que o desgoverno Bolsonaro tudo destrói no País, inclusive nossas florestas” respondi. Mas logo emendei “de qualquer maneira, estou com fome, vamos logo abrir as quentinhas e provar este seu prato maravilhoso”. Em menos de meia hora, havíamos dado conta do conteúdo das marmitas. “Que delícia; que extraordinário; é único”, comentei. “Sempre acreditei que somente os portugueses soubessem fazer bem o bacalhau, mas você me provou que os italianos não ficam nada atrás”.

“Sai, António”, respondeu-me o Beppe, “o baccalà também é um piatto italiano. Piatto poveiro, come in Portogalo. No norte, no Veneto, fazem alla maniera Vicentina, com cebola e creme de leite. Em Bolonha, fazem o Baccalà mantecato. Em Livorno, na Toscana, fazem o Baccalà a Livornese. È tutto raggionabile, mas nel sud, no Molise, em Campobasso, è una meraviglia”. “Como è feito o Baccalà alla Molisana, Beppe?”, perguntei.

“Bene”, respondeu, “o bacallà deve essere dessalgado de véspera. No giorno seguinte, ele deve essere cortado em piccoli pedaços, empanado com farina di grano duro e passare por uma lieve frittura no óleo d’oliva do Molise ou, na pior hipótese, in quello della Puglia, com bastante aglio picado. Depois, retira-se o baccalà e se coloca pedaços piccoli de berinjela, cebola, tomate, pimentão e brocolli, na mesma panela, por soltanto 4 minutos. Nel forno pré-aquecido, leva-se a mistura do baccalà com le verdure e abbastanza óleo d’oliva, coberto por farina de pane, por cerca de 30 minutos. È pronto.”

“Vamos então ao vinho, Beppe?” “Certo”, respondeu. Depois da degustação de algumas dezenas de copos, o que necessitou a complementação do nível de vinho no tonel por funcionários da vinícola, Beppe observou: “Parece um Sangiovese”. Sem maiores indagações filosóficas, por despiciendas, respondi ter ficado feliz com a sua aprovação e sugeri que passássemos aos poemas, recitando primeiramente aquele feito por Beppe Molisano em minha homenagem:

BOLSONARO MILIZIANO FASCISTA.
Beppe Molisano
Bolsonaro miliziano fascista,
distrugge la foresta,
ammalia le donne,
fulmina la cultura,
ammassa i neri e
uccide i nativi.
È un lunatico terrapiattista
che affonda la salute del popolo,
aiuta i banchieri e diventa
un vero terrorista.
Il Brasile diventa comunista,
per combattere l’ingiustizia.
Dappertutto, per la strada
C’è soltanto un forte urlo:
Bolsonaro, vaffanculo!

“Genial, meu caro Beppe. A Humanidade agradece sua importante colaboração na luta por um mundo melhor, onde sejam respeitados os melhores valores éticos. De minha parte, fico sensibilizado com o seu presente de aniversário, que me ilumina a alma”. “Prego”, respondeu-me Beppe.

“Gostaria agora de declamar o poema que fiz em homenagem à ocasião de nosso encontro. É também sobre o desgoverno pro bono malum de Bolsonaro.Tudo bem?” “Certo”, disse-me Beppe.
A PASSARADA
Por António Paixão
No desgoverno do Cão,
a floresta caiu em destruição.
Incêndios, motosserras e machados.
Outros meios também foram usados.
O que era a vida, virou a morte.
Foi esta a nossa triste sorte.
Nas águas, terras e ar,
nenhum ser sobrou para contar.
Revoltada, foi ela a arara,
quem mandou o pombo convocar
uma manifestação da passarada,
para do mundo chamar a atenção,
para tamanha maldade,
para tamanha devastação.
Nos galhos calcinados,
lá estavam empoleirados
o bem te vi, o colibri, o vivi,
o suiriri e o pitiguari.
Juntas ficaram a rolinha,
o quero-quero, a andorinha e
a risadinha.
Formosos e em atenção perfilaram-se
o carcará, o sabiá, a coruja,
o carapinhé e o falcão.
Com presteza, aproximou-se
o tucano com seu enorme bicão.
Assumiu a presidência o urubu,
quem logo mandou a maritaca se calar,
para depois denunciar
a indecência e a tristeza
dos crimes contra a natureza.
Foi então que, em revoltada canção,
Gorjearam jacu, anu e udu:
“Bolsonaro, chegou a sua hora,
para o bem de todos,
e felicidade geral da Nação,
vá logo embora!
E aproveite para tomar no cu.
“Brillante, Carissimo”, disse-me Beppe. “C’è ancora vino da bere”. “Então vamos terminar com o tonel, que tem mais de onde veio esta maravilha”, respondi empolgado."

 Com os aplausos o Expresso Vida mais uma vez deixa patente a boa literatura expressa pelo poeta e cronista Antonio Paixão.


Roberto J. Pugliese
editor
www.caminhosdolagamar.com.br


quarta-feira, 20 de maio de 2020

Um conto verdadeiro !

O Expresso Vida traz para seus leitores e amigos um texto muito bem elaborado, quase real, escrito pela conhecida jornalista, radialista, sindicalista e defensora de direitos humanos, Elaine Tavares, de Santa Catarina.
Boa leitura.!


"SER VELHO E INÚTIL –

Elaine Tavares*
 Hoje estava lavando roupa e o tanque fica bem num ângulo que dá pra ver o quarto do pai. Vi que ele conversava muito animado com uma fotografia que achou numa revista e que colocou na mesinha de suporte. Ela fica ali como num altar. É uma foto de um grupo de pessoas, num tempo passado, creio que deve ser lá pelos anos 1940. Não sei quem são, e nem ele, presumo. Mas, de qualquer forma ela o distrai e ele conversa amiúde com aquele povo. O papo é animado, ele mexe as mãos, ri, argumenta. É bem engraçado.
 
O pai passa os dias assim. Acorda, cochila, come bergamota, cochila, fuma, fica andando em volta da casa, vai até o portão e volta, pega os lixos da lixeira e traz para a cozinha, depois leva outra vez para a lixeira. Almoça, cochila, fica andando em volta da casa, prá e prá cá no portão, fuma, ouve música, come banana. Depois, janta, ouve música, come bergamota, toma chá, vê televisão e vai dormir. É uma vida não produtiva, que alguns chamariam inútil. No mundo do trabalho, do capital, ele é um inútil. Ele não pinta, não compõe, não se lembra do passado,  não faz absolutamente nada que sirva para alguma coisa. Então, talvez por isso, que alguns governantes não se importem com a morte dos velhos agora na pandemia, afinal, são inúteis, não servem pra nada.
 
Quando eu vejo o meu pai, aos 88 anos, na sua rotina diária de andanças pelo quintal, num ir e vir aparentemente sem sentido, não posso deixar de me comover. Sua inutilidade é um fato. Ele que sempre foi arrimo da família, agora não faz mais nada por ninguém. Passa o dia vivendo sem qualquer preocupação. Não seria então a inutilidade um presente? Um momento de viver para si, só na fruição? Penso que sim. Quem disse que é preciso produzir o tempo todo? Quem disse que há que se cumprir um protocolo de utilidade para ser uma pessoa?
 
O pai começou a trabalhar cedo, em escritório de contabilidade. Teve uma vida boa até os quarenta e poucos anos, quando perdeu tudo e teve de começar do zero. Um velho já para o mundo do trabalho. E, ainda assim, ele se reergueu. Estudou, se esforçou, e terminou sua jornada de trabalhador como chefe do almoxarifado do DEER de Minas Gerais. Nunca se queixou do trabalho duro e sempre foi em frente, sem reclamar. Como empregado era um calvinista. Nunca chegou atrasado, nunca faltou, deu sempre o seu máximo. Fazia o impossível pelos seus colegas. Como pagador de trabalhadores no trecho – obras nas estradas – ele se virava nos 30 para fazer chegar o dinheiro, fizesse chuva ou sol. Chegou a atravessar um rio, amarrado numa corda, para garantir o salário dos companheiros. Era o que se chama de “caxias”.
 
O pai criou os filhos sempre ensinando o sentido da honestidade e do trabalho. Pagava as contas religiosamente. Era capaz de ter um troço se não tivesse dinheiro para quitar as dívidas e o sinal para a demência foi justamente esse: de repente ele se esqueceu de pagar as contas. Isso só poderia ser doença. E era.
 
O pai foi um cara extraordinário ao longo de sua vida “produtiva”. Ele tem uma história linda de perseverança, de coragem, de derrotas e superações. Ele tem uma história, que está viva em nós.
 
Por isso que hoje, quando ele aproveita – sem culpa  - desse momento de inutilidade, eu me encho de ternura. É bom vê-lo sem a neurose das contas, sem a necessidade de cumprir afazeres, obrigações. Na sua vida inútil ele está livre. Ele pode conversar com os amigos imaginários nas fotos, ele pode degustar as frutas, dormir, caminhar, ouvir música sem preocupação. Ele tem quem lhe cuide, que lhe dê o alimento na hora, troque sua roupa, dê o banho, quem dance com ele, e lhe encha a cama de perfumes e cobertas quentinhas.
 
Ele é uma vida que foi vivida na plenitude, mas sempre acorrentada ao trabalho, à obrigação, ao dever. Agora, não. É só um corpo dançante, que toma vinho e cospe o que não quer comer.
 
Por isso que a vida dele importa. Tanto quanto a do jovem que ainda não viveu tudo o que ele já percorreu. Por isso que não é possível escolher entre um e outro. Cada um é um universo. O jovem, ainda em jornada. O velho, que já cumpriu tanto.
A proposta do “deixa morrer os velhos e os fracos”, que aparece agora, com a pandemia, tem me consumido os dias e noites. Não posso aceitar. Porque, como Manuel de Barros, tenho respeito pelas coisas inúteis, que existem apenas para a fruição. Um velho dedal esquecido numa caixa, um quadro sem valor, um lápis de cor quebrado. Coisa que evocam belezas. O pai, esse homem de tanta vida, é assim. Um ser de fruição. Um evocador de belezas. Ele merece viver sem a pressão de ser útil.



 

Ele é velho, inútil agora, mas já riscou um caminho nesse mundão de deus. Sua vida importa. E muito. Assim como a vida de outros velhos e velhas desse planeta azul, cheios de histórias, memórias e belezuras. ( *Elaine Tavares é jornalista )"

Roberto J. Pugliese
editor
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

Caminhos do Lagamar - Navegação e turismo !

O Expresso Vida recomenda passeios com a traineira  #Manjuba  no Lagamar de Cananéia.

Passeios desde Iguape, Sp, até a Ilha do Mel, Pr, com segurança e conforto.

COnheça pelo mar, Cananéia, Ilha Comprida, Iguape, Antonina, Paranaguá, e Guaraqueçaba, cidades do Lagamar de São Paulo e Paraná. Conheça vilas e aglomerados de pescadores artesanais e caiçaras. Lugares isolados onde vivem indígenas, quilombolas e caiçaras nativos. Conheça parques florestais da Ilha do Mel, da Ilha do Cardoso e outras reservas ecológicas.

Na região se encontra o Distrito do Ariri, cuja história é motivo de interessante pesquisa e Superagui, vila situada na Ilha artificial onde se encontra a praia Deserta, com mais de 20km. de extensão.

Outras informações podem ser obtidas pelo endereço: informacoes@caminhosdolagamar.com.br

Entre em contato.
48**3232.7058
48**9.99119911

Roberto J. Pugliese
editor.
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos. Letras Jurídicas, 2015.

terça-feira, 19 de maio de 2020

Enfrentamentos primários para 2020

Grandes enfrentamentos o brasileiro terá pela frente durante o ano !

Arrolar todos os embates que se avizinham é trazer lista interminável e cansativa. São incontáveis as violencias que o governo no todo,  ao longo do tempo já concretizou contra o interesse do povo e do próprio Estado Nacional e não serão poucos as investidas que se concretizarão durante o ano.

                                 ( Estátua do Cristo Redentor na cidade de Iguape, Sp - )

O Brasil está sendo destruído de forma rápida para servir a interesses imperialistas do capital internacional, especialmente dos Estados Unidos da América.

Assim como agora, os americanos bombardearam o Iran matando um general de importancia estratégica para o mundo árabe, ao longo dos últimos anos, os mesmo americanos, sem usar bombas, apenas valendo-se dos meios de comunicação e outros ingredientes estão destruindo a nação.

Valores nacionais estão sendo aniquilados, como anos atrás, foram os valores nacionais do Iran igualmente aniquilados pela guerra. Não há necessidade de bombas. Basta destruir a história e os institutos que preservam a cultura e o saber, para se dar um passa muito importante com esse objetivo.

Sem delongas.
Os brasileiros conscientes não podem se aquietar. 

O Expresso Vida clama por ações enérgicas em defesa da nação.

E antes de encerrar é bom lembrar que o governo, caminhando para o lado oposto de toda a humanidade está incentivando sem pudor o genocidio dos brasileiros, ao incentivar que não se preservem escondidos em suas casas, para voltar a trabalhar e gerar a movimentação da economia.

Diante de tudo o que o Expresso Vida traz e tudo mais que transita pelos bastidores só resta às forças populares e mais voltadas para a humanidade, se organizarem e agirem enquanto podem.

Não pode esmorecer. Tão pouco, nem deixar para depois. É agora. !

Roberto J. Pugliese
editor
AUTOR de Quase Romance ( Contos de Conceição ) - Letras Jurídicas

Viva o MMDC - 23 de Maio de 1932





23 de Maio, data a ser lembrada sempre.

A crise econômica imposta pelo fechamento da bolsa de Nova York em 1929 provocou danos de monta no Brasil, cuja monocultura cafeeira era o esteio das exportações, concentradas para os Estados Unidos, causando pânico às elites financeiras, política e à classe dos ruralistas, então dominantes.



 ( Monumento à Paulo Virgínio na rodovia que leva seu nome no Município de Cunha)

Júlio Prestes de Albuquerque, então governador de São Paulo, foi nesse clima de incerteza vencedor das eleições presidências de 1930 provocando a insatisfação de gaúchos, que sob a liderança de Vargas pegaram as armas e impuseram ao país um governo espúrio, derrubando do cargo o carioca Washington Luiz Pereira de Souza, ex governador dos paulistas.

Para o ditador prevaleceu sua vontade sob a força do chicote. Com a bombacha e as esporas que se habituara nas planícies do sul, não titubeou em empastelar jornais de oposição, nomeou interventores nos Estados cassando os então governadores eleitos e os substituindo por seus asseclas. Num lance ilegítimo e grosseiro amordaçou o povo brasileiro como na práxis própria dos ditadores que se legitimam no poder pela força e não aceitam opiniões contrárias.

O povo paulista não aceitou e foi  para as ruas... Gritaram, pediram a Constituição... e a rebelião tomou vulto incontrolável. Santos, Campinas, Ribeirão Preto, Taubaté tumultuadas pelos gritos e manifestações populares.

Há 88 anos passados, no 23 de maio de 1932, os acadêmicos do Largo de São Francisco saíram as ruas protestando contra o arbítrio do caudilho impondo à São Paulo um interventor, desrespeitando a vontade popular e mantendo o país sem Constituição.

Os paulistas não aceitavam a imposição arbitraria de um gaúcho  castrando a autonomia própria da laboriosa província que, àquela época, já se orgulhava da singular condição de sua próspera industrialização e única exportadora dos grãos que geravam divisas para o pais.

Exigiam o levante contra a ditadura e ao meio da balburdia das passeatas, Márcio, Miraguaia, Dráuzio e Camargo estudantes de direito, foram baleados e mortos por soldados de Getúlio Vargas.

A sigla MMDC ficou gravada, simbolizando a truculência do ditador  e estimulou eclodisse em 9 de julho do mesmo ano a Revolução para se impor o regime democrático suspenso há mais de dois anos.

Alguns Estados prometeram aderir. Mandar tropas e material bélico. As promessas de ajuda não chegaram. Não vieram os soldados nem armas  e, traídos pelos patrícios acovardados, restaram os paulistas lutarem sozinho.

Os operários despiram-se dos uniformes. As mulheres ajudaram nas enfermarias. Crianças, pré adolescentes, transformaram-se em estafetas e auxiliares nas repartições militares.

O povo paulista se levantou. Todos unidos queriam armas para enfrentar o potencial bélico de 350 mil soldados oriundos de outros 20 Estados e do Distrito Federal.

Apenas 35 mil paulistas foram para as trincheiras. Batalhas épicas numa guerra desigual que fez sucumbir após 85 dias de luta o sonho de redemocratização do país.

A epopeia paulista revelou heroísmo e mostrou que igual ao aço, o paulista pode quebrar, mas não se curva.

E a liderança se fez sentir. Perdeu nas armas porem venceu impondo a legalidade. Não se permite esquecer o maior evento épico brasileiro. Tão pouco os heróis anônimos que tombaram pela liberdade.

A Revolução revelou no curto período de seus combates sangrentos a disposição de um povo, que largando seus afazeres e empreendimentos, foi às trincheiras e se submeteu as agruras próprias das batalhas. Revelou a singular organização que é própria da cultura local, que improvisou diante da inferioridade e todas as diversidades inerentes, meios para se impor e revelar o heroísmo de seus soldados.

Revelou enfim que  para trabalhar e produzir a exigência de ordem jurídica é fundamental, e só com a legalidade o paulista poderia voltar a produzir e ser a potencia econômica que se mostra atualmente. A Guerra Paulista continua viva e atual. Não pode ser esquecida. Tão pouco seus heróis anônimos que tombaram por um ideal coletivo, patriótico, libertário.

Daí, a grande avenida que do vale do Anhangabaú parte em direção ao Ibirapuera, na Capital paulista, ter a data que a designa e o pomposo mausoléu guardar cinzas dos que, sob a sombra das 13 listas da bandeira, participaram do histórico episódio.

 Enfim:” és paulista? Ah ! Então tu me compreendes! Trazes, como eu, o luto na tua alma e lâminas de fel no coração”, como conclama o poema.

Roberto J. Pugliese
Editor
Cidadão Cananeense
Membro da Academia São José de Letras.