segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Roberto J. Pugliese recebe o título de cidadão CANANEENSE !

 
 O Expresso Vida transcreve o discurso que Roberto J. Pugliese proferiu em 12 de Agosto último durante a sessão da Câmara de Vereadores em que foi homenageado com o título de cidadão Cananeense.
 

Vista parcial da cidade de Cananeia
 
 
 
 
"Saudações 
Senhoras e senhores !              
Serei breve. Apenas alguns minutos.
 
Caminhava descomprometido pelo centro histórico do Recife,  quando numa das calçadas, exposto junto à porta de um restaurante, um quadro indicava – “ Temos ostras de Cananéia.” Isso se deu em 1973 quando participava de congresso universitário de direito civil, representando o Estado de São Paulo. Não conhecia a  CIDADE ILUSTRE DO BRASIL, mas sabia dos atributos de suas ostras, reconhecidas pelo sabor e  qualidade pelo mundo a fora.
 
Por volta de 1979, num final de tarde presenciei deslumbrado um caiçara valendo-se da força do vento que estufava um pano branco adaptado e a força da maré enchente, navegando numa piroga à remo, vindo do sul para o porto Bacharel.Antes, durante a  manhã já me surpreendera ter pela primeira vez me deparado com um micro computador, funcionando no escritório contábil Jacy.  Cananéia se revelara, mostrando num único dia, versões de sua realidade. Senti naquela cidadezinha de 3 mil almas a riqueza criativa de seu povo.
 
Em 1991 assistia palestra na Faculdade de Direito no interior do Estado do Tocantins, e o palestrante, mencionou a história do Mestre Cosme Fernandes, o enigmático Bacharel de Cananéia. Impressionante: Estava na Amazônia e o letrado de Minas Gerais, falou com bastante intimidade de personagens dos primórdios do Brasil Colônia que viveram por aqui.
 
A história do Brasil tem suas primeiras linhas escritas nesta Maratayama indígena, com o europeu presente anteriormente à conquista oficial pelos portugueses. A importância estratégica de Cananéia àquela época é simbolizada pelo monumento em mármore, nos arredores da Torre de Belém, em Lisboa, no qual está esculpido a rosa dos ventos com o mapa mundi, salientando o contorno da costa do Brasil, assinalando:1502, Cananéia. O Padrão dos Descobrimentos foi erguido estampando mapa quinhentista usado pelos navegadores a quem se destina a homenagem.
 
Ao tempo que me refiro, o Padrão português  assinalando as divisas entre castelhanos e lusitanos, foi assentado por Martin Afonso de Souza,na Ilha do Cardoso.Por foto estampa a primeira capa do Direito das Coisas, que publiquei em 2005.
 
São João Batista de Cananéia, sítio abençoado, reconhecido por seus encantos como RESERVA NATURAL DA BIOSFERA, tombado como Patrimônio Natural Mundial pela UNESCO, no passado se destacou como empório abastecendo navegadores e tornou-se a grande guardiã da Colônia, impedindo aventureiros apossarem-se do cobiçado litoral,transformando-se no primeiro povoado em terras americanas e o berço da civilização brasileira, de onde partiram bandeiras ampliando o Brasil.
 
Essa é a cidade cujo povo generoso e pacifico me acolheu como seu filho. É o lugar no qual vivendo, convivendo e vivenciando atentamente, chegando de São Paulo, minha vibrante terra natal, pude aprimorar o sentimento da verdadeira justiça. Evoluí. Transformei-me.
 
O pessach se deu em 1976, quando navegando avistei o casario à beira mar. Antes e depois. E o depois é o agora, que me tornei oficialmente seu filho e, me permito assentar-me com os heróis que imbuídos de audácia e coragem aventuraram-se em colonizar a Terra dos Papagaios.
 
Aqui vivi a realidade então desconhecida. Paulistano, urbano, almofadinha, filho da alta classe média, ignorava o drama dos caiçaras desses confins. Não tinha ideia que nos limites do território paulista, tão rico, esbanjando progresso, poderia encontrar o que pensava só existir além fronteiras.
 
Soube ser Cananéia. Envolvido pela brisa adocicada da flora Atlântica, deixei-me seduzir pela magia de seu povo brejeiro, simples, caiçara, suis generis. Encantado soube interpretar a fala marota do boto cinza. Conheci o jacaré de papo amarelo.À sombra do Caindiró, ouvi o choro triste da rabeca solitária.
Soube acreditar na dança das sereias. Aprendi saudar os amigos com gole de Cataia, ouvir, cantar e dançar fandango. Na trilha do telégrafo entendi a história de onde o Brasil começou. Privilégio raro que me oportunizou expressar a sensibilidade de ser Cananéia.
 
E assim me aproximei do laureado Antonio Paulino de Almeida, a quem, por oportuno, rendo sinceros aplausos.
 
Orgulhoso  desse honroso título, diplomado por tão Respeitada Casa, da qual fiz parte, deixo expresso, que a participação de amigos, companheiros ilustres e anônimos foram fundamentais para a gala desta celebração,com os quais compartilho tão importante condecoração.
 
Expressando gratidão abraço tabelião José Luis Gorgone; aos professores Wagner Teixeira e Pedro Souza Franco; o querido compadre Aroldo Pires Xavier e sua tão acolhedora família, os diletos Marcos Gama, Osvaldir Camargo Dias, Aderbal Arantes, Medalhinha, Pedro Mariano e Roberto Carlos Rodrigues; os advogados Antonio Severino dos Santos, tão importante que foi e continua agora como sempre; Jomary Farias e Leonel Saletti esse verdadeiramente o ADVOGADO MAIOR; aos auxiliares da Justiça, Paulão e Tininho; aos pescadores Armando Cuba, Wagner Klienki, Jorge Malaquias e demais integrantes da Colônia Apolinário Araújo; as dedicadas Sonia Ferreira e Cida Rangel da Pastoral dos Pescadores; os jornalistas Mário e Edna Sulzbach da Folha de Cananéia; Benedito Machado, do saudoso O IGUAPE; os integrantes do Correio do Vale e A Tribuna do Ribeira, inesquecível porta voz do povo caiçara. Igualmente rendo homenagens aos saudosos amigos que, rebeldes já se foram: O Deputado Rubens Lara,  os queridos Jair Saurin Rios; Edegar Jacy Teixeira; pe. João XXX; Son; Firmo Rodrigues; Bernardo Paiva; Lino Xavier; Josef Kovaciks;Mauricio Xavier de Oliveira Rosa; Otávio Baganha;  Ernesto Matheus Guimarães; Eider Castor; Don Aparecido José Dias; Carlos Ialongo, João Albano Mendes da Silva, José Gaspar Silva, Eduardo Boechart Ramos, João Carriel, Delmar Simões, fundamentais para a costura de tão importante pergaminho.
 
Agradeço ao ilustre  presidente vereador Marco Aurelio que ousou me propiciar com o projeto do Decreto Legislativo nº 01-2015, aprovado por unanimidade de seus dignos pares, a quem também agradeço, por tão nobre titulação.
 
Agradeço sensibilizado a presença de queridos amigos que se deslocaram de São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, do interior do Vale do Ribeira, do tão longínquo Tocantins e do distante Estado de Santa Catarina. A presença de Carlos Eduardo meu irmão.
 
E nessa plêiade expresso o mais terno para Ivone Cláudia, companheira, parceira de incontáveis projetos, sempre presente ajudando nos difíceis enfrentamentos da vida.
 
A celebração festiva dessa outorga seria completa se presente estivessem minha mãe com seus 91 anos e meu saudoso pai. Lamento que Betito, meu filho; Thais Cristina, minha nora e Rafaela, tão amada netinha não puderam aqui chegar para aplaudir os 484 anos de fundação e vida rica em histórias e importância que representa Cananéia para todos nós.
 
Tenham certeza. Até então me empenhava pelo charme de seus encantos e carinho de seus habitantes que me conquistaram. Doravante,  como filho privilegiado deste Lagamar, vou me empenhar e dar razões  para justificar essa honraria e virem a se orgulhar deste novel cidadão da Estância de Cananéia.
Muito obrigado
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Roberto J. Pugliese
Cidadão Cananeense
 
 
 


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