quarta-feira, 1 de maio de 2019

Programa Expresso Vida nº16, Rádio Comunitária Transmar

O Expresso Vida traz para seu público o programa nº 16 levado ao ar pela Rádio Comunitária Transmar de Cananéia e pela rede mundial de computadores.

Segue o texto.

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Programa nº16 

 

DISTINTOS OUVINTES, saúde, justiça e paz, eu sou Roberto José Pugliese, cidadão honorário de Cananéia, e o programa de hoje é dedicado a lembrança de Luiz Alves, ex prefeito de Cananéia e ao ensejo irá abordar tema referente as restrições ambientais impostas arbitrariamente ao município e ao seu povo.

 

Como é sabido a cidade está erguida numa ilha situada no centro de um arquipélago cujo patrimônio ecológico é de expressivo valor. O meio ambiente com predomínio da Mata Atlantica é de reconhecimento internacional, a ponto de Cananéia ser há bom tempo considerado pela Unesco, o órgão de cultura da ONU,  área declarada Reserva da biosfera , e assim, ter olhares especiais, em tese, pelos poderes públicos.

 

Mas esse patrimônio não autoriza, de modo algum, que as autoridades com fundamento na defesa ambiental, passem por cima de direitos e garantias fundamentais que preservam, antes de tudo, a mínima dignidade humana.

 

As populações locais, não apenas os segmentos tradicionais, entre os quais, os indígenas, os descendentes dos quilombolas, os pescadores tradicionais e o caiçara de um modo geral não podem ser ultrajados arbitrariamente no modo de vida, em homenagem ao meio ambiente preservado a qualquer custo, para benefício na maioria das vezes, de populações outras, até nem sempre da região e distantes o bastante para desconhecerem o drama do povo do Lagamar.

 

O Vale do Ribeira, mas especialmente o caiçara do litoral sul paulista, aquele ilhéu perdido na floresta atlântica que, por gerações convive amigavelmente com a flora e a fauna a preservando e dela tirando seu sustento, é a maior vítima de ecologistas que mais agridem os povos mais humildes e ignoram as investidas do capital internacional e das elites locais, que no último século, paulatinamente operam  nos diversos cantos, praias, ilhas e cidades até então isoladas do convívio  destruidor daqueles que dizem trazer o desenvolvimento.

 

A Ilha Comprida é o exemplo dessa destruição.


 

A cidade de Cananéia em seu centro urbano, à vista de todos, tem nesse aspecto, atentem-se, uma fábrica e um centro comercial aterrados no mangue, apenas para pontuar uma violência ambiental ignorada. Tem ao longo do Retiro das Caravelas, a privatização de avenida beira mar, com muros e cais particulares, impedindo o acesso público. E nessa linha, outras tantas e tantas agressões podem ser apontadas e demonstrado que ecologista e autoridades públicas se calam.

 

E as autoridades que mandam derrubar casebres ao longo da Rodovia Municipal José Herculano Rosa, ignoram e se curvam diante das  agressões e ilegalidades apontadas.

 

Enfim, sem delongas, o município de Cananéia depende do desenvolvimento trazido pelo turismo especialmente, mas essa fonte da economia potencial tem que se ajustar ao modo de vida do caiçara e demais habitantes, da zona urbana e rural desse privilegiado espaço natural.

 

Se isso não ocorrer, em breve, a fonte natural de recursos secará e Cananéia será esquecida. Ninguém se deslocará para a cidade se o meio ambiente não estiver preservado, porém, a preservação ambiental não significa a violência contra o caiçara e o ilhéu tradicional do Lagamar.

 

A crítica é dever da inteligência. 

Obrigado "

Roberto J. Pugliese
editor
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos -OAB,Sc

 

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