sábado, 17 de novembro de 2018

POESIA CONTRA O FACISMO -


O Expresso Vida apresenta poema de Zeh Gustavo, do Rio de Janeiro, Rj.
(zehgustavo@yahoo.com.br<zehgustavo@yahoo.com.br )

Boa Leitura e Reflexão.
 
 
HIPERCHILINQUES

 

Zeh Gustavo.
 
I

puxa, mais um crime abominável
uma senhora respeitosa frequentadora da igreja
cortou a garganta do filho pervertido
mas ele era pervertido dava muito aquela bunda
fez por merecer
culpa dessa ditadura gueizista de hoje
coitada daquela senhorinha
ela tinha um cachorro e usava aquelas roupas
pastoris, que tesão!

II
vai rápido, corta tudo, filha da puta de governo
corta a carne que já está toda estragada
o câncer é só sintoma
obra-facada do destino
a popularidade só aumenta
os dados evidenciam que diante da crise
o próximo governo eleito
ainda se trata de uma boa gestão
a mudança chegou, minha gente armada

III
para a dispersão vocês podem usar
borracha com pimenta
e soltem aquelas mil bombas de gás
que encomendamos, coisa fina, fofa, fogo

importante: usem a versão enésima ponto plus arromba zero
queixo-me às bombas
mas que bobagem as bombas não falam
simplesmente as bombas exalam,
sussura desafinante o Cartola
autocensurado de agora

o tempo é de teló
Cartolas não podem mais grunhir
quem cantar samba vai ter que ser bonitinho
de preferência na cadeia que é lugar de vagabundo

IV
o exército pacificador entra no metrô
à cata dos músicos fanfarrões
esses passadores de chapéu
amadores camelôs tocam coisas estranhas
que vergonha tentarem ganhar dinheiro com arte
e às custas de pessoas de bem
esses meninos deviam procurar uma profissão
dizem as senhorinhas que não morrem jamais
serão bruxas?!

V
atordoado cada qual
retorna a seu pedaço de chão
acende seu aparelho de desligar
e apaga-se
valendo menos que um cigarro
cada cabeça uma falta de cérebro
cada sujeito a sua própria guimba

VI
as baratas não voam
rastejam, mesmo quando no ar

elas adoram esse calor
principalmente quando podem ir à praia
ou falar alguma merda no zap-zap

VII
sonhos sonhos sonhos
eles rondam

soturnos como balbucios de alento
quando o barulho todo ameaça
desabar com tudo

mas a cidade no subfundo dos links
certa hora vai dormir

haverá uma noite pálida e brumosa
e a cidade a roncar baixo
seus motores que não pifam

houve sempre gente que retemperasse o amanhã
a grita a furduncinha o carnaval de rua
o amor de marchinha com dose de riso e birita

VIII
fascistas babões plantaram cimento nos próprios ouvidos
e depois, com sua valentia capitã, fugiram novamente
para seus armarinhos, com suas armazinhas
apontadas felizes para as próprias cabeças
aquela coisa que eles têm por de cima do corpo débil

mas a verdade tem de ser dita:
humildemente, enquanto matam terroristas,
eles sempre adoram o senhor o bispo o patrão o juiz o paizão

fascistas babões e seu clérigo, eles morrem um dia
e sua morte é feia tem tiro para o alto para amedrontar o céu
o céu sempre se vinga
manda mais de nós pra luta e pra lida

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