08 junho 2013

Blindagem tutela comportamento social de Aécio Neves


 

Noticia importante:

 

Juca Kfouri expôs no seu blog que Aecio Neves, que está tentando levar para Belo Horizonte o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado numa festa no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro.

Registrou também que o constrangimento foi geral e que o casal foi cada um para um lado.

Juca assinala que a imprensa brasileira  não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.

A assesoria de imprensa do governo mineiro desmentiu a informação afirmando tratar-se de nota caluniosa. No entanto o blog assevera que a mantém inalterada.
 
O Expresso Vida se solidariza ao Juca e também espera que não haja um bloqueio de notas contras ou favoráveis aos candidatos a qualquer cargo.

 
 
Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

( Fonte - blog do Juca )

Judiciário x Registro Imobiliário -


 

 

A prepotência da Magistratura. ( cultura brasileira )


 


A Subseção II Especializada em Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho cassou determinação de remessa de documentos ao Ministério Publico Federal para apuração de crime de desobediência de um cartório de registros de imóveis que se recusou a registrar os imóveis arrematados em uma hasta pública. A seção seguiu o voto do relator, ministro Emmanoel Pereira, que deu provimento a recurso do Segundo Ofício de Registro de Imóveis de Ponta Grossa (PR) para cassar a determinação imposta pelo juiz da execução.

 

A ação teve origem na arrematação de quatro imóveis numa hasta pública. Expedida a carta de arrematação pelo juízo da 2ª Vara do Trabalho de Ponta Grossa (juízo da execução), esta foi protocolada no cartório e, no título, constava pedido de retificação dos registros dos imóveis, por não haver, no registro anterior à arrematação, a área total dos lotes, já que se tratavam de terrenos irregulares. As alterações solicitadas impediriam a registro da carta de arrematação.

Passados dois anos, o título foi reapresentado ao cartório sem que fosse suprida a exigência necessária ao registro. Houve ainda uma terceira apresentação do título e nova recusa em proceder ao registro.

O cartório alegava que já haviam cessado os efeitos da prenotação, prevista no artigo 205 da Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos – LRP). A prenotação é a anotação prévia e provisória de um título apresentado para registro, pelo oficial de registro público. Outro argumento foi o artigo 213, item II, da LRP, que impõe a obrigação de registro por parte do oficial do cartório no caso em que o requerimento do interessado for acompanhado de planta e memorial descritivo assinado por profissional legalmente habilitado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), o que não teria ocorrido.

Diante da recusa, o juízo da 2ª Vara do Trabalho de Ponta Grossa, onde corria a ação principal, determinou que o cartório remetesse cópia das matrículas dos imóveis, sob pena de pagamento de multa diária e remessa de ofício ao Ministério Público Federal para apuração de crime de desobediência à ordem judicial. Contra este ato, o cartório e uma de suas serventuárias impetraram mandado de segurança sustentando a impossibilidade de registrar a carta de arrematação na matrícula provisória do imóvel, pois isso importaria em transferência do domínio da propriedade. Sustentaram ainda que a determinação judicial não revogaria a transcrição imobiliária em nome da executada. Pediam, por fim, a exclusão da remessa de ofício ao Ministério Público para apuração de crime de responsabilidade.

O TRT-PR considerou ilegítima a recusa do oficial do cartório e rejeitou o pedido. Para o Regional, o cartório não poderia desobedecer à ordem do juízo trabalhista, que determinava somente que se procedesse a registros suscetíveis de adequação ou aprimoramento. O cartório e a serventuária recorreram então à SDI-2 do TST, com recurso ordinário em madnado de segurança.

No julgamento da matéria na sessão dessa terça-feira (4), o ministro Emmanoel Pereira considerou correto o entendimento do Regional de que o oficial do cartório não deveria recusar-se a cumprir a ordem judicial expedida pelo juízo da Vara do Trabalho. O relator destacou que, embora esteja entre os deveres do oficial de registros públicos a verificação dos requisitos extrínsecos do título imobiliário, é vedada a ele “a recusa em cumprir a determinação do Juiz do Trabalho de registro da carta de arrematação”, porque a decisão proferida tem qualidade de coisa julgada.

Entretanto, a remessa das cópias para o Ministério Público Federal para apuração de crime de desobediência, previsto no artigo 330 do Código Penal, deveria ser cassada. O relator fundamentou sua decisão em precedente do Supremo Tribunal Federal, de relatoria do ministro Marco Aurélio, no HC-85911, no sentido de que o cumprimento do dever imposto pela Lei de Registros Públicos não é ato passível de enquadramento no artigo 330 do Código Penal, “pouco importando o acolhimento, sob o ângulo judicial, do que suscitado”. A decisão foi unânime.

A noticia trazida simboliza de um lado o despreparo de parte da Magistratura brasileira, quer no conhecimento jurídico, político ou social e de outro o despreparo psicológico que leva muitos a prepotência contumaz.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc


( Fonte Processo: ROMS-32100-16.2006.5.09.0909 )

Um pouco da história recente do Brasil - ( Eike Batista )


 
 
EIKE BATISTA, por Hélio Fernandes. (Publicado na TRIBUNA DA IMPRENSA )

( Hélio Fernandes... Após longa ausência, certamente motivada pelo falecimento de dois filhos, ocorridos no ano passado, e do irmão, Millor Fernandes, ocorrido no mês passado, o decano dos jornalistas brasileiros, nonagenário, finalmente volta a escrever e a nos brindar com suas análises, sempre acuradas e calcada em fatos incontestáveis. )

Eike Batista: "Paguei meu imposto de renda com um cheque de 670 MILHÕES DE REAIS."
Deve ser verdade. Mas de onde vem essa fortuna, que segundo ele, é a maior do Brasil? Do pai, o melhor do Brasil?

Ninguém duvida, as dúvidas estão todas na sua vida, ou melhor, na vida do pai, que montou sua herança, antes mesmo dele nascer. Ninguém tem uma trilha (que gerou o trilhão) de irregularidades tão grande quando Eliezer Batista. E em toda a minha vida profissional, nunca escrevi tanto e tão vastamente sobre irregularidades, prejuízo ao Brasil, ENRIQUECIMENTO COLOSSAL, quanto sobre Eliezer. E logicamente nem uma vez de forma POSITIVA, sempre naturalmente NEGATIVA.

A partir do "Diário de Notícias" (1956/1962) e depois já na "Tribuna da Imprensa", Eliezer era personagem quase diário.

O roubo das jazidas de manganês do Amapá, assunto exclusivo deste repórter, ninguém participava, Eliezer era tão GENEROSO com os jornalões, como foi depois com o filho. O Brasil era o maior produtor de manganês do mundo. Como era de outros minérios, todos controlados por ele, presidente eterno da Vale.


Eliezer devastou o Amapá, entregou todo o manganês aos americanos, a "preços de banana" (royalties para o presidente dos EUA, Theodore Roosevelt, que inventou essa expressão para identificar os países debaixo do Rio Grande. Isso em 1902).

No Porto de Nova Iorque, os navios que vinham do Brasil com manganês, atracavam lá longe para não provocar comentários. E este repórter dava o número dos navios, os nomes, o total da carga, o miserável preço da venda, EMPOBRECENDO o Brasil, ENRIQUECENDO os "compradores" e o grande VENDEDOR (sem aspas) Eliezer.

Está tudo no arquivo da "Tribuna", fechada por necessidade de silenciar o jornal que contava tudo. Os jornalões, servos, submissos e subservientes, exaltavam as vendas destruidoras, elogiavam o PROGRESSO DO AMAPÁ, por ordem de ELIEZER e da VALE. Diziam: "O Amapá abre estradas, constrói escolas e hospitais, os pobres estão muito mais atendidos e alimentados".

Mistificavam a opinião pública, queriam convencer a todos, que EXPLORAR AS RIQUEZAS do então Território, deixando os milhares de pobres habitantes sem comer, sem morar, sem hospital e escola. Tudo transitório, enquanto ESBURACAVAM todas as terras, EXTRAÍAM o manganês e DOAVAM tudo aos trustes. (Como se chamavam, na época).

Gostaria de reproduzir tudo isso, a corrupção praticada pelo pai, beneficiando e enriquecendo ele mesmo e acumulando para o filho bem-aventurado. (Mas como, o jornal está fechado? Tenho que ESQUECER essas matérias de 40 e 50 anos, mas a-t-u-a-l-i-z-a-d-í-s-s-i-m-a-s.

Quem nasce Batista se reproduz na riqueza de outro Batista. Só o manganês não se reproduz, dá apenas uma safra.

Mas como Eliezer foi sempre muito PREVIDENTE, controlou todos os minérios, que deixou para o filho, de "papel passado", ou então em indicações DEBAIXO DA TERRA. Mas com os mapas atualizados e do conhecimento APENAS DO FILHO, A MAIOR FORTUNA DO BRASIL, ANTES MESMO DE NASCER.

(O Brasil tem quase a totalidade da produção desses minérios, como tinha do manganês, raríssimos. E como tem do NIÓBIO, ainda mais raro e IMPRESCINDÍVEL, 98 por cento de tudo o que existe no mundo).

Alternando de pai para filho, afinal onde termina Eliezer e começa o Eike? O pai já completamente identificado, mesmo com presidente, "DONO" da Vale, embora já carregasse como propriedade pessoal a ICOMI, fundada para concorrer com a própria Vale. Utilizando a ESTATAL para produzir lucros PARTICULARES.
***

PS - O filho Eike nasceu rico e poderoso. Se descuidou, foi preso em casa pela Polícia Federal. Seguiu a receita de Daniel Dantas, "só tenho medo da Polícia, lá em cima, eu resolvo", resolveu. Ninguém sabe onde está a conclusão do ato de prisão.

PS2 - Para o HOMEM MAIS RICO DO BRASIL SER PRESO, é necessário que a acusação esteja fundamentada. ESTAVA. Mas as providências, LÁ DE CIMA, também ESTAVAM.

PS3 - Eike "funda" empresas que provocam notícias e permitem a concessão de favores. Nem é pelo lucro, e sim para exibição.

PS4 - Fora a herança "que meu pai me deixou", abriu ou comprou restaurantes, hotéis, espalhou, através dos amestrados, "estou DESPOLUINDO a Lagoa Rodrigo de Freitas". Continua a mesma, ninguém conhece a Lagoa como este repórter. Mas as pessoas acreditam na DESPOLUIÇÃO. Ha!Ha!Ha! Não riam, é a tragédia da corrupção.

PS5 - É preciso que alguém obrigue Eike Batista a explicar como se tornou O HOMEM MAIS RICO DO BRASIL. Acho que quem pode fazer isso é a RECEITA FEDERAL.

O Expresso Vida lamenta que milhões de brasileiros babacas ainda aceitem e aplaudem que um único homem que foi privilegiado pelos governos ditatoriais do passado recente, se orgulhe em dizer que é isso ou aquilo, escondendo a origem pecaminosa e ilegal de toda sua fortuna.

Insta salientar que além desse Eike, milhares de outros apaningados esburacaram outras dezenas de Amapás para fazerem fortunas nesse país de impunidade oficial, concentrador de renda e que históricamente ignora sua população.

 
Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

( Fonte = A Tribuna da Imprensa )

 

 

 

 

ILHA COMPRIDA CAPITAL INTERNACIONAL DE BLUES -


 
 
FESTIVAL INTERNACIONAL DE BLUES.

A Ilha Comprida, municipio paulista situado no litoral sul, entre os dias 25 e 28 de Julho vai promover a 8ª. edição do Ilha Blues Festival Internacional. Será no Iate Park Hotel.

James Cotton já confirmou a presença.

A organização do Ilha Blues também confirmou shows de Artur Menezes, Eddie Taylos Jr, Ari Borger, Nuno Mindelis, Lurrie Bell ( vencedor de dois Grammys) , Michael Dotson, General Blues, Jefferson Gonçalves e Adriano Grineberg. O cananeense Big Chico, no rol dos grandes do blues nacional, também tem presença confirmada.

A Ilha Comprida está se transformando na capital do Blues

O Expresso Vida aplaude e apóia a iniciativa. Outras informações poderão ser obtidas no departamento de CULTURA DA Prefeitura Municipal.
 

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

( Fonte -Blog Vale do Ribeira )

 

 

 

Conselho Nacional de Idoso com nova composição





Nomeação importante.

Através de portaria de 6 de junho último, a Ministra Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidencia da República nomeou os integrantes do Conselho Nacional dos Direitos Idoso.

Entre os ilustres designados, Marília Celina Felício Fragoso, de Santa Catarina, representando a classe de Organizações da Comunidade Científica, assume a suplência de Marcelo Salgado.

Com vasto currículo e muito experiência, sócia do Lions Clube Lagoa Hellen Keller, de Florianópolis,a ilustre Conselheira Marilia Fragoso haverá de cumprir com bastante autoridade e conhecimento as funções que são próprias ao Conselho.

O Expresso Vida parabeniza a Ministra pela escolha e nomeação referida e dos demais membros do Conselho vinculado a referida Secretaria.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

07 junho 2013

O herói de cães ! ( memória 10 )


Memória 10

História de cães.

 

Certas situações se apresentam na vida que provocam a iniciativa de agir rápido e com firmeza ou então, ignorá-la e seguir a vida, sem se importar com a omissão covarde.

 

Pois com ele aconteceu algumas vezes exigindo coragem e pronta iniciativa em nome de seu perfil justiceiro. Nessas memórias vale lembrar de três ocasiões que dada as condições que alguns cachorros se encontravam  foi obrigado a ultimar medidas peculiares.

 

Certa feita Lourenço retornava para sua casa em São Francisco do Sul, era sábado e a maré estava muito alta. Não sabe ao certo, mas era inverno, sol aberto, perto do meio dia e a costeira já recebia algumas ondas, no bairro do Paulas.

 

Cenário bonito, porém, ao passar pela casa que na praia ficava em palafitas sobre a praia, percebeu que ao lado, a casinha do cachorro estava quase submersa e o cão continuava amarrado, porém acuado, sobre a mesma.

 

Parou o carro e chamou o dono para que soltasse o cão. O homem disse que iria faze-lo depois. Imediatamente de dentro do carro falou com energia que deveria faze-lo naquele instante e que iria chamar a policia.

 

Acuado o imbecil adentrou no mar e soltou o cachorro sob a sua fiscalização. Com água pela cintura se viu obrigado a liberar o cão que estava muito assustado e preso.

 

A seguir partiu.

 

Noutra ocasião, também em São Francisco do Sul, seguia por uma rua em direção a sua casa. Iria para São Paulo e estava com certa pressa. No entanto, passou por uma residência na qual, na porta havia inúmeros cachorros e preso, entre a casa e a calçada, um cãozinho se encontrava na abertura do registro d’água. Não teve dúvida, parou o carro, desceu e bateu palmas.

 

Não havia ninguém na casa. Vacilou. Tentou arrancar, pela rua, o cão preso, mas percebeu que ao puxar machucava-o ainda mais. Não teve alternativa. Abriu o portão e ingressou no imóvel vago. Os demais cachorros olhavam o comportamento daquele que poderia salvar o cachorrinho preso.

 

Foi ao registro da água, com cuidado tirou a tampa de madeira que vedava parte da abertura e cuidadosamente suspendeu o cão que se atirou na calçada e se juntou ao bando...

 

Partiu em seguida sentindo-se herói.

 

Enfim, nessas memórias, Lourenço certa vez também na mesma ilha, percebeu que no imóvel situado do outro lado da rua,na ladeira onde se encontra instalado seu escritório, no quintal devia ter cerca de uns 40 cães confinados. Alguns amarrados, mas a maioria solta.

 

Uma casa velha e abandonada que do dia para a noite havia sido ocupada por cães que foram colocados ali.

 

Passou um ou dois dias e a latição estava incomodando a todos. O seu escritório era estratégicamente situado no segundo andar em ponto que percebia toda a movimentação do casarão. No térreo a proprietária do salão de beleza também percebera que havia cães e muito barulho.

 

Não teve dúvida. Foi com a proprietária do salão e algumas freguesas que lá se encontravam até a esquina, junto ao consultório de um veterinário e pediram para que soltasse os cães.

 

Em principio se negou. Disse que não podia entrar na casa dos outros.

 

Ele explicou que assumia a responsabilidade e que por não ser veterinário tinha receio dos cães. Mas entraria junto.

 

E foi o que fizeram.


Quando os cachorrinhos começaram a sair do casarão as mulheres que aguardavam na rua aplaudiram a ambos.

 

Lourenço se sentiu herói.

 

Roberto J. Pugliese


membro da ACADEMIA ITANHAENSE DE LETRAS

membro da ACADEMIA ELDORADENSE DE LETRAS

05 junho 2013

COMUNIDADES QUILOMBOLAS AMEAÇADAS NO VALE DO RIBEIRA




QUILOMBOLAS – Triste realidade.

O Vale do Ribeira, no sul do Estado de São Paulo, sempre foi o lugar de difícil acesso, motivando assim, estar preservado até presentemente, com a maior extensão contínua de Mata Atlântica existente no país.

Por esse e outros inúmeros motivos a região abriga atualmente muitas áreas remanescentes de quilombos, com inúmeras comunidades espalhadas pelo interior, especialmente nas imediações de Eldorado, principalmente e nos confins de Cananéia, entre outros municípios.

São lugares ermos e de difícil acesso até hoje. Lugares esquecidos.

Sendo obrigação constitucional regularizar as terras de remanescentes de quilombos, o Poder Público até 2013  legalizou apenas 207 comunidades apenas. No entanto, estudiosos acreditam que os quilombos se aproximam a três mil comunidades espalhadas pelo país.

As áreas sem a devida titulação geram conflitos, violência e prejuízo econômico para os interessados e para o Poder Público.

Essa  ordem constitucional, ou seja, política e jurídica, visa resgatar a dívida histórica do País com os afro descendentes que se refugiaram em comunidades fugidas da escravidão ou formadas após a Abolição pelos que não foram absorvidos pelo regime assalariado. Desterradas de suas origens, elas fixaram-se ou permaneceram em locais mais ou menos remotos, de forma quase invisível, e resgataram ou reconstruíram sistemas de subsistência e de compreensão do mundo que se traduzem em inúmeros conhecimentos tradicionais, manifestações culturais, na nossa música e culinária.

Como sempre autoridades públicas, entre os quais, ocupantes de cargos políticos, membros dos Poderes da República, agentes dos Estados e da União se interessam em não resolver o problema por pressão ou interesses outros de terceiros. (!!! ))

São inúmeras as histórias que se ouve e que se sabe a respeito dessas comunidades: O Brasil vive o esquecimento de grupos diferenciados.

Os descendentes de escravos são perseguidos atualmente pelos ruralistas que pretendem suas terras e o que é pior, pelas autoridades públicas, notadamente pelas forças armadas que igualmente cobiçam áreas ocupadas por remanescentes desses grupos.

São muitas as histórias. Todas tristes. Violências que campeiam contra os negros, mulatos e brancos que vivem nessas áreas abandonados.

No Vale do Ribeira a história é semelhança. As comunidades estão ameaçadas. São projetos de hidrelétricas, um deles da Companhia Brasileira de Alumínio, do Grupo Votorantim. Aliás os projetos põe em risco a própria vida do Rio Ribeira.A implantação das barragens podem provocar enchentes, o que ameaça até a igreja do Quilombo Ivaporunduva, com 300 anos entre tantas e tantas outras situações absurdas.

O Expresso Vida se manifesta contra essa violência jurídica que se pretende perpetrar no interior da mata atlântica, nos confins do Rio Ribeira, entre Iporanga, Eldorado, Cananéia, Jacupiranga expulsando os descendentes legítimos dos primitivos quilombolas.

Roberto J. Pugliese
Autor de Terrenos de Marinha e Seus Acrescidos – Letras Jurídicas.
Presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos – OAB-SC

04 junho 2013

Orientação para depois - ( quando morrer ! )


INSTRUÇÕES IMPORTANTES - post mortem.

 

- Ele morreu !  E agora?

Será um Deus nos acuda. Tumulto no quarto, na casa, na vizinhança. Ninguém sabe o que fazer. Um manda poupar a madrinha, outro manda avisar o tio... Cada um decreta uma sentença.

- O que fazer com ele? 

Avisa a mãe. Avisa os filhos. Avisa a esposa, a secretária... Avisa o banco. Ninguém sabe o que fazer.  Avisa o dono da escola. Avisa o patrão. O professor de inglês era tão amigo dele. Não fala nada com o Zé da Farmácia, porque ele esta devendo por lá, alguém lembra e decreta.

– Era tão bom!

Ninguém sabe o que fazer. Correm para lá. Correm para cá. Sobem, descem, chamam o médico, não sabem bem como fazer. Alguns choram. Outros mais presentes ajudam. Outros atrapalham. Outros fogem. Alguns fingem: Fingem que ajudam, fingem que choram, fingem que estão à disposição. Fingem, fingem, fingem... Tem os que telefonam dando pêsames.  Ligam. Falam. Choram... Alguém  pergunta quem irá velar o corpo durante a noite.

- É perigoso, podem assaltar... Dizem os mais experientes. Sempre tem os mais experientes. Sabem tudo. Sabem da vida e sabem da morte. No fundo, no fundo, são uns bobões  que não sabem nada. Nem da vida, nem da morte. Quanto mais do morto.

- Que merda? ( o sentido pode ser o mais amplo possível ). Ele morreu. Eu gostava tanto dele.

- Avisa o padre. Não, ele era espírita... Acho que protestante. Avisa quem?

A verdade é única: Todos morrem!

- Ele nem fechou a torneira... Que bárbaro!  Uma infelicidade.

Cada morte é uma tragédia. Um fato pitoresco e singular. O certo é que todos, sem exceção morrem.

E na morte, a maioria das vezes o protagonista sai à francesa e os que ficam quase morrem perplexos. São pegos de surpresa e se atrapalham. Ficam desorientados e no afã da surpresa, às vezes se desesperam ou agem contra os interesses de quem morreu. A verdade é que todos morrem e precisam, os mais próximos, saber como agir. Porque a verdade é sabida por todos: Não há exceção, todos morrem, inclusive o oficial público que lavra o óbito para juridicizar o evento natural e o ministro religioso que prepara a última benção.

Todos morrem.

Gente ruim, perversa e maus elementos morrem. Brasileiros, japoneses e italianos morrem. Crianças malcriadas morrem. Todos um dia se vão. Homens e mulheres vão e não levam nada. Alguns deixam saudades, outros, o alívio da ausência. Mas todos morrem, simplesmente morrem. Até senador, delegado de polícia, pastor de igreja evangélica, funcionário do IBGE, professora de matemática: Não sobra ninguém para contar a história. Magistrado corrupto morre. Deputado corrupto morre. Corrupto morre, mesmo sendo síndico de prédio de três andares que não tem elevador. Coveiro morre. Parteira, trapezista e curandeiros também.

Pessoas boas também morrem um dia. As que ouvimos falar ser boas e as que nos disseram que eram muito boas e até aquelas muito boas mesmo. Pessoas ótimas morrem. Crianças de berço também morrem. Gente rica e gente pobre, todos, sem exceção, morrem. Morrem as que conhecemos pouco e aqueles com quem convivemos. Morrem pessoas santas e piedosas.

Mas o pior são os amigos quando morrem.

Ao longo de tantas e tantas décadas vividas ele já perdera  uns tantos. Saudades. Deixaram saudades para muita gente. Sente a falta, a ausência o vazio deixado. Quantas lembranças. Histórias inesquecíveis que participaram juntos. Um foi outro ficou.

Muitos foram embora cedo. Aliás, verdade seja dita, ele não gostou que tivessem morrido, pois tinham, entre muitas, uma grande qualidade: Eram seus amigos e deixaram muitas saudades e lembranças inesquecíveis. Mas se foram e restou o vazio inexplicável da ausência.

O finado virou espólio. ( Tem bens ) Era paulistano. Fora  criado na metrópole mais acolhedora e solidária que existe. Privilégio nascer e viver na cidade de São Paulo de Piratininga. Por si, já é o melhor aprendizado.

Desde criança, sempre esteve pelo litoral. Férias, feriados, finais de semana: Sobe a serra, desce a serra, sobe a serra, desce a serra... Boas lembranças. Via Anchieta. Caminho do Mar. Imigrantes.  Rodovia da Banana. Tamoios. Todas as rotas levam à orla.

Morou em Itanhaém e lá marcou presença, fez histórias e amigos. Quantas lembranças: Praia dos Sonhos, Cibratel, Caixa d’água, Convento... Iate Clube, noites quentes de verão. Sol, sal, mar, barco, rio Itanhaém (Amazônia paulista). Inesquecível. Namoradinhas, jogos de futebol na praia, banho de mar, banho de rio, banho de cavalo no jardim. Bicicleta, buggy, intermináveis lembranças. Queimada, finca, futebol de mesa, taco, amboré, baiacu, robalo, camarão, piu-pardo.(?)

Também em Cananéia. Morou por lá. São João Baptista de Cananéia, a vila mais antiga do país. Lá foi muito bem acolhido. Foi eleito. Lá foi aplaudido e adotado. Lá pode aplaudir o caiçara. Saberes achados na brisa do mar. Universidade da vida. Laboratório vivo de sabedoria popular. Conhecimentos perdidos pelo Lagamar. Cheiro salgado de sal.

Aplaudiu, fui ovacionado. Emocionou-se. Lutou, brigou e aprendeu. 

Nascera para brilhar, mas nem sempre brilhou. Ocasiões brilhara, noutras foi ignorado. Noutras bateram palmas, deram diplomas, abraços. Noutras ciúmes, inveja e temor ( infelizes ) apagaram o brilho que merecia. Coisas da vida. Foi vaiado algumas vezes. Por ignorância, incompetência ou males entendidos, foi injustiçado diversas vezes. Errou, mas acertou mais. Muito mais. Não se  arrepende: Fecha o balanço da vida no lucro das boas ações e acertos. 

Soube saborear a vida. Saboreou com prazer os detalhes da vida.  Fora um relâmpago passageiro que nunca se assentou. Não se acomodou. Transitou o quanto pode: Navegou  nas águas calmas do Lagamar, desceu o Ribeira de Iguape, subiu às cabeceiras do Rio Itanhaém. No encontro das águas vibrou emocionado  naquela curva do Negro com o Solimões: Viu nascer o Amazonas! Esteve em Xingó e na foz do Velho Chico.  Esteve em ilhas distantes: Bananal, Marajó e outras tantas. Nunca parou. Aportou por cautela na Ilha da Casca... 15 de Novembro de 198... dia de vacinação.

Ilha Grande, Ilhabela, Paquetá, Queimada Grande... Sempre navegando, se aventurou pelo mundo colorido da picotada costa brasileira. Foi a onde pode. No tempo precioso que dispôs: Noronha, Itaparica, Ilha do Mel...Quantas !

Subiu às alturas escalando o Pico da Bandeira e desceu às profundezas das grutas e cavernas de Iporanga. Cidade encravada num parque florestal, estagnada e comprimida à serviço do meio ambiente.  Conheceu um ‘cadinho’ de tudo.Vivere navigare est  e assim, nos limites do que foi permitido continuou rodando, navegando, voando em busca do saber. Navegar é preciso, MORRER NÃO É PRECISO!


Morrer não é preciso, mas ele morreu.

Correu atrás.  Correu o país: Tocantins, onde o sol brilha e a terra queima.  Povo desbravador. Companheiros, solidários, amigos da verdade. Noites enluaradas. Saudades tantas... Gente brava, do trabalho que sabe construir. A visão de Don Bosco é verídica e se concretiza no Oeste tupiniquim. Palmas a mais nova Capital. Boi, boiada, buchada, coisas do cerrado queimado. Provou licor de piqui. Deixou por lá sua marca. E que marca !

Esteve no sul. Morou por lá. Nunca parou. Santa Catarina... Lugar frio. Povo frio. Joinville, terra de gente alemoa: desconfiada, altiva e organizada. Lugar de soldadinhos de chumbo que não cantam samba e aloirados ficam ruborizados com a ginga faceira brasileira. Terra de gente obediente, muda, que não dá bom dia ou pede licença. Pequenos robôs austro-germanicos apáticos. Por lá ficou. Por lá estava quando vivo.

São Francisco do Sul: - Que decepção. Povinho pequeno. Baia da Babitonga, paisagem exuberante, visual ímpar, povo pequeno, soberbo, decadente, infeliz. Cidade pobre de espírito e renda alta. Concentração de poder.

Floripa  bela  encantadora terra de manés.  Paisagem especial: praias de águas frias, ostras, berbigões, ponte Hercílio Luz, Lagoa da Conceição, pitoresco natural. Desfile feminino encantador.

- Viva Santa Catarina, o único estado menina!

Viveu, simplesmente viveu. Degustou pausadamente à sombra do sopro da vida, os prazeres que lhe  foi proporcionado. Valeu viver. Relacionou-se ao longo do tempo com milhares de pessoas. E por mercê divina, na Sua infinita bondade, conquistou grandes amigos que estão espalhados por aí... Amigos, simplesmente amigos. Grandes amigos. Os que restaram, pois muitos se foram. Alguns sem se despedir. Amigos apressados, teimosos, estúpidos que merecem cascudos. Lamentável.

Foi uma porção de coisas... Tentou ser outras tantas.  Dentro da cotação generosa de uma apuração de valores medíocres talvez, crê que tenha dado certo. Sabe bater à maquina, jogar xadrez, trocar lâmpada,pilotar barco. Escreveu livros. Vários livros de notas, testamentos e procurações. Plantou árvores. ( Na Enseada da Baleia ergueu  uma floresta ).  Criou um filho. Apenas um. Fez o mínimo e mais algumas tantas coisas: Trocou pneu de carro, passou vaselina, competiu, amou, chorou de alegria, chorou de emoção, chorou  escondido. Ganhou, perdeu,caiu , levantou, viveu. Usou  óculos Ray-ban, cuecas samba canção, luvas, toucas e babador. Foi instrumento da Justiça e cumpriu o papel que a vida lhe apresentou! Lutou  pelo direito.

 
Sabia que não chegara seu tempo: Tinha muito que apreender. Que ensinar. Conhecer. Trabalhar, viajar, passear... Saborear deliciosamente os quitutes naturais desse caminho sem volta.

 - Tenho muito que viver, dizia, alto e em bom som, como se lembrasse a morte que não chegara seu dia e que não chegaria tão cedo.

 No entanto, sendo humano, normal e razoavelmente aculturado ao cotidiano, sabia  que os dias acontecem. E como os dias seguem e a lógica mundana do tempo dizia que já não era  jovem, e ciente que ninguém fica para semente, restou se preparar para o depois. Sim: depois, porque será depois da vida, ou dessa vida, se tiver outra e não estaria  aqui, de carne e osso para orientar.

 Como todos, acreditava, tinha fé, porém não queria crer. Duvidava até da própria identidade para se distanciar da morte. Mas ela veio. E  o pegou de surpresa.

 Pegou a todos de surpresa. Aliás a morte é o que é mais certo na vida,mas sempre é e será a grande surpresa para quem morre e para os outros.

 Questionava com seus botões qual seria seu nome, sua identidade, seu cpf, sua camisa nova... Qual será o número das chinelas que iria  calçar se existisse outra vida. (?) Até como comunicar-se:

 -  Não sei se saberei falar na língua do além. Mas se assim for, ótimo, confabulava à mesa dos bares degustando pizza e cataia.

 Tinha razão: Melhor que a morte seca, pura e sem retorno. Não queria morrer. Não tinha a mínima vontade, mas ciente que um dia também morreria, por mais que tentasse enganá-la, não descuidava.  Os fortes também tombam. Os valentes. Os ousados. Todos morrem.

 - Não tenho medo, nem vontade, sempre falava e degustava torresmos, cataia e os seios femininos.

 Pelos textos escritos e publicados tinha consciência que seria lembrado. Por uma ou duas gerações vão lembrar-se dele. Mas estará morto. Mesmo sendo imortal. ( era acadêmico ) Sabia que depois iriam esquecê-lo... A cruel lei da eternidade. Distancia entre a vida e a morte que gera o esquecimento. Logo-logo, no espaço curto de algumas gerações, não existirá  se quer nos livros que deixou.

Nome de Praça. Nome de rua, vila... Nem beco sem saída. Nunca pleiteara tamanha honraria para si. Para os amigos sim. Seria portanto esquecido em breve: Duas gerações no máximo.  Em pouco tempo ninguém mais se lembrará. Não saberão se foi bom, mau, ou gente.

 Finitude carimbada indiscutível.

 Então, tentando precaver-se deixou o recado para quem sobrevivesse. Para os próximos. Os mais próximos. Estabeleceu regras simples:-Orientação post mortem.

 Lavrou num papel de pão o testamento de um pobre. Caneta azul esferográfica, no melhor português que soube tecer para ocasião. Chanfrou com o hálito pesado da cataia e dos acepipes.

 Recomendou que estivesse onde estivesse, no seu quintal ou noutro domicilio futuro se assim a vida o levasse, fora dele à passeio ou trabalho, esteja onde estivesse pedia que os responsáveis pelos restos mortais que sobrassem do seu eu carnal o encaminhassem  para São Paulo.

 - Levem para minha doce e sempre querida terra da garoa, do trabalho, da luz e do saber. Terra construída onde nasci.

 Pediu por isso. Levassem-no para sua inesquecível terra natal. Metrópole pulsante. Avenida Paulista, túnel 9 de julho, ( agora tem outro nome) berço de grandes heróis. Palácio dos Bandeirantes, Páteo do Colégio, Catedral da Sé, museu de arte moderna, planetário, rio Tiete, Mosteiro de São Bento, Universidade de São Paulo, Instituto Pasteur, museu da Língua Portuguesa... Que maravilha, tantos lugares especiais. Hospital do Coração, Anhangabaú,  Conjunto Nacional, edifício Martinelli ( já foi o maior do mundo), estádio Paulo Machado de Carvalho com o seu charme principesco, pizza, pizza, pizza para todo mundo.

 - A única cidade que nasceu à sombra de uma choupana dedicada ao evangelho e às letras: O colégio dos jesuítas. Então: lá era a sua cidade. Sempre falava aos amigos e informava aos inimigos que não tinha.

 Dizia alto e orgulhosamente que lá era a sua  cidade. Sempre sua.  Para lá deveriam leva-lo. Lá, junto com os  antepassados e com aqueles  que foram primeiro, os que o antecederam, junto com aqueles restos que um dia fora sua família.

 Queira estar com primos, pais, tios, avós, bisavós e outros que foram enterrados numa das tumbas do Cemitério do Araçá. Só isso. Queria ser enterrado na capital paulista. No cemitério do Araçá.

 Dispensara qualquer solenidade outra. Não precisaria de caixão de primeira. Velas. Flores... Nada disso. Nem ser velado aqui ou acolá. Bastaria  que levassem o fardo que até então era humano e já não o seria mais, desgastado, gelado, pálido e morto, para a campa da família e o dispusessem para o descanso eterno, que de eterno não tem tanto tempo, pois haverá de durar pouco, já que micróbios, lavras, peçonhentos e outros organismos menores sabia que iriam  comê-lo, dando assim continuidade à vida e fomentando a ordem natural do universo.

 Com sabedoria sabia do fim: Serei esterco, dizia.

 Tão esterco como foi Kennedy, aquele que comeu Marilyn; Don Pedro I, que comeu a Domitila e Bôscoli que comeu a Elis. Seria, como todos foram e outros serão  o fomento que a natureza precisa para se renovar. Sabia que seria terra. Novamente terra. Para os incrédulos e despeitados asseverava que seria algo servível.

 - Mas não serei eu, pois já estarei noutra dimensão.! ( Frio ou talvez lacônico, porém sábio o suficiente como Colombo o fora ao manter o ovo em pé )

 Previa que  nessa ocasião, provavelmente o seu corpo tivesse alguma  valia universal e colaborasse  para que o ciclo interminável da vida se projetasse  ao infinito, se assim fosse o verdadeiro caminho das estrelas. Uma catástrofe interplanetária movida pelo desempenho natural da vida que se extinguiu. Previsões de bruxas que trazia consigo na escuridão da noite silenciosa de suas próprias entranhas.

 Alertava com sabedoria: - Não demorem. Sejam os responsáveis pelas exéquias. Sejam rápidos, pois é mais do que sabido, ressabido e transabido: Fede. Os dejetos que um dia fui eu, afirmava, também haverá de feder. Haverá de exalar o cheiro deixado por Caim ao matar Abel nas redondezas do Paraíso que fora lacrado por ordem Superior. Herança irrenunciável da humanidade fedorenta. Fedida e poluída.

 - Sejam rápidos pois o corpo fede enquanto a alma adentra ao paraíso, declinava à sua platéia sonolenta junto ao balcão dos bares que freqüentava.

 Basta isso.
Só isso.

Sem levar a sério, com sarcasmo trazia a minuta. Elaborava regras. Dizia que  isso e aquilo seria conseqüência de sua morte.

- Custos haverá. Tudo custa. Até a morte: Cartório, certidão, atestado médico, roupa para eternidade, transporte do féretro...

- Enfim, darei mais esse prejuízo. Mas será o último. (Nesse plano ) Aliás, à essa altura, sabia que  já estará provocando atenções outras noutro estágio se tudo não se extinguir antes.

No entanto, implorava para que levassem o corpo para São Paulo. -  -

- Não esqueçam: Jazigo perpétuo da família
 
Recomendou ainda que, dentro das possibilidades, despedissem por ele das rodas que tinha circulado: Levem meu abraço para os advogados, servidores da justiça, time completo do escritório, magistrados, delegados, promotores, procuradores da república, policiais de todas as forças e fardas. Participem os alunos  que ajudei a formar por 25 anos... Avisem os caiçaras desse inebriante litoral. Ilhéus de todas as ilhas e ilhotas que passei. Dêem meu adeus ao pessoal do Lions Clube Internacional. Meu adeus ao pessoal da PUC, aos parentes e aos que perguntarem por mim. Dentro da razoabilidade, avisem um ou outro, pois será o bastante. Noticias fúnebres se espalham. ( internet, blog, face book, pombo correio, garrafa, tambor... ) Deixe patente que não gostaria de ter ido, porém, já não estarei mais presente para protestar.

Diga a todos que se existir algum lugar, nesse lugar algum estarei por lá de braços abertos esperando um por um... ESTAREI SAUDOSO.

Dizia que se existisse realmente o outro lado da vida, pois  se trata de expectativa histórica da humanidade, gostaria de poder se encontrar com os que já estiverem por lá e deixaram por aqui saudades. 

Pessoas queridas. Muito queridas.

Pessoas que teria admirado, que as conhecera em São Paulo e noutros sítios, dos tantos que vivera. Pessoas que admirara, mas nunca teve oportunidade de estar próximo. Artistas de todas as artes; cientistas de todas as ciências; personalidades com quem não pode conversar. Pessoas do esporte que não cumprimentara, não abraçara e não pudera estar perto.Gente que um dia, da platéia, o fez levantar  e aplaudir.Gente que vira de longe.

Sua esperança, se outra vida existisse, dizia com olhar umedecido,  era saber que poderia abraçar velhos amigos apressados que se aventuraram pelo desconhecido.  Que foram para o éter e se escondem entre planetas e asteróides. Meninas que se tornaram estrelas reluzindo azuis nas noites quentes do Delta do Parnaíba. Meninas  cintilantes que dançam inocentes sobre a Ilha das Cabras. Meninas nuas, eróticas e perversas que brincam de roda na praia dos Castelhanos, no Saco de Mamanguá, junto ao maciço da Juréia, na restinga do Marujá.

Ficava feliz porque poderia abraçar seu pai: Saudoso, terno, insubstituível e indispensável. Fonte de sabedoria e generosidade impar.

Enfim, taxativo rogava constantemente que os responsáveis pelos seus restos mortais, deveriam memorizar seu pedido e levarem aquele corpo deixado em qualquer lugar, para a campa do Araçá.

Diversas vezes pediu. Implorou.

Enfim, o fim. Morreu.

Não houve hinos, flores, visitas e condolências habituais. Os seus mais próximos, tristes talvez, o levaram,rezaram e enterraram.

- E para não dizer que não falei de flores... Serve de alerta, emenda Lourenço, que narra o episódio trágico de um fim: Todos seguirão o mesmo caminho. Com testamentos, codicilos, cartas ou guias... Todos irão. Até os supersticiosos que temem por orientar os sucessores...

- Lembrem-se e vivam a vida intensamente até o dia do juízo. Vivam porque a eternidade os aguarda. Noutra dimensão desconhecida.

Roberto J. Pugliese
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc

ACADEMIA SÃO JOSÉ DE LETRAS - posse solene


CONVITE


 Participamos e convidamos os amáveis e habituais leitores do Expresso Vida, que no próximo dia 15 de junho, às 17 horas, Roberto J. Pugliese, responsável e editor deste blog tomará posse da Cadeira n. 35 da Academia São José de Letras, com sede na cidade do mesmo nome, na região metropolitana de Florianópolis.
Demais informações pelo endereço eletrônico abaixo.
A festividade se dará no Centro Social da Terceira Idade, junto a sede da Prefeitura Municipal, na Praia Comprida.
Após o evento solene haverá um coquetel.
A presença representará elevado prestígio.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc

30 maio 2013

Memória nº09 - Expulsão do Círculo Militar de São Paulo.


Memória 9
CIRCULO MILITAR

Eram os anos de chumbo. Nos seus vinte anos de idade na condição de  dependente de seu pai, junto com seus irmãos, freqüentava o Circulo Militar de São Paulo.

Tinha amigos. Jogava tênis. Fazia sauna. Aos domingos tinha a concorrida domingueira. Enfim, um clube social, à Rua Abílio Soares, próximo a Assembléia Legislativa, no Parque Ibirapuera.

Residia com a família à Rua Manoel da Nóbrega, distante apenas alguns quarteirões do clube. Na redondeza tinha muitos amigos.

Àquele tempo, ser barbudo era sinônimo de comunista e ser comunista era ser contra a Revolução que os golpistas do poder impunham à vontade do povo.

O clube através de sua diretoria determinou ser proibido freqüentá-lo se fosse barbudo e ele tinha longas barbas, como até hoje as tem. Eram escuras, com alguns fios ruivos. Atualmente são brancas, com alguns fios que permanecem ainda escuros.

Reunido com amigos sócios do clube, resolveram enviar carta a direção, pedindo que a medida fosse revogada. Entre outros argumentos, falaram de militares, cujos bustos estavam expostos no clube e eram barbudos. Falaram de Jesus e da importância de estarem presente no clube e não vagando, nas horas de lazer, pelos bares etc.

Não adiantou. A carta foi mal recebida. Seu pai foi chamado. Não deu bola. Apenas comunicou que dera educação ao filho e que ele sabia o que estava fazendo. Um procedimento administrativo foi instaurado. Foi suspenso preventivamente.

Durante o período, ficou com medo. Mas enfrentou. Num determinado sábado, haveria o interrogatório: Um advogado e diretores membros da Comissão Processante... e o resultado esperado foi assinalado: EXPULSO.

O Gal. Cláudio presidente expulsara pela insolência de rebater sua determinação com argumentos. Atitude própria de general frustrado.

Certa tarde estava na casa de um de seus amigos e uma senhora foi visitar a dona da casa. Como estavam ocupados, ele fez as vezes de dono da casa enquanto aguardavam a verdadeira dona, mãe do amigo.

Soube depois que a senhora o elogiara pela a educação e boa conversa e que ouviu da dona da casa que o marido dela, o referido Gal. Cláudio o havia expulsado, em razão da barba...

Mas logo, haveria eleições no clube. O candidato da oposição era o Almirante que residia nas imediações. Junto com alguns amigos foi a sua casa e explicou que fora expulso, que iria fazer campanha para ele e gostaria que se fosse vencedor revisse o processo. Se achasse injusta a expulsão então anulasse ou então mantivesse a expulsão...

Durante uns 30 ou 40 dias, andou de casa em casa nas imediações pedindo votos ao Almirante e o veredicto das urnas foi vitória da oposição. Gal. Cláudio perdeu.

Posse do Almirante e depois de alguns dias, lembrado, determinou fosse revisto o processo. Passado uns 60 dias, seu pai recebeu uma comunicação que o filho estava sendo readmitido, visto que a expulsão fora decretada nula.

Feliz, escreveu outra carta e protocolou no clube. Nela dizia que estava se excluindo do clube, visto que era uma associação autoritária e não iria permanecer ali como sócio... 

Essa passagem está bem viva em sua memória.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
membro da ACADEMIA ITANHAENSE DE LETRAS
membro da ACADEMIA ELDORADENSE DE LETRAS