10 julho 2014

Cartilha com saberes indígenas. Importante !


 

MEDICINA INDÍGENA resgatada em São Paulo.

A Comissão Pró Indio, Organização privada, está resgatando o saber indígena e lançando cartilha que ensina a farmacologia da terra.

A cartilha é fruto do saber e da tradição indígena dos índios que habitam a aldeia Piaçaguera em Peruíbe, no litoral paulista. A cartilha “Folhas e Raízes – Resgatando a medicina tradicional Tupi-Guarani” é resultado de um trabalho coletivo de professores, alunos, e índios.

Os indígenas compartilham a medicina da floresta e a cartilha é uma amostra simbólica do vasto conhecimento de folhas e raízes que esse segmento da sociedade tem. A cartilha serve como uma forma de divulgar os saberes indígenas tanto para os mais jovens das aldeias como para a população em geral.



09 julho 2014

Plínio de Arruda Sampaio fica na memória dos brasileiros.


Morre um grande paulista. – Lamentável.

O ex deputado federal Plínio de Arruda Sampaio, com 83 anos morreu na última terça feira em São Paulo.Formado em direito pela Universidade de São Paulo em 1954, ele foi também promotor público, antes de ingressar na política.

 

Foi membro do governo estadual de São Paulo e elegeu-se deputado federal em 1962. Em 1964, com o golpe militar, teve seus direitos políticos cassados por 10 anos e partiu para o exílio, primeiramente no Chile e, depois, nos Estados Unidos. Após seu retorno ao Brasil, foi eleito deputado em 1986, participando da Constituinte.

 

Plínio elaborou um plano de reforma agrária durante o governo João Gulart e fundou o PT. Depois fundou o PSOL.

 

Era casado com Marietta Ribeiro de Azevedo desde 1955. O casal teve seis filhos. Plínio de Arruda Sampaio estava internado em São Paulo há mais de um mês para tratar de um câncer nos ossos. A causa de sua morte foi falência múltipla dos órgãos.

 

O presidente do Conselho Federal da OAB lamentou profundamente o falecimento.

 

Abaixo segue um texto elaborado por um militante anônimo do PSOL em homenagem ao extinto.l

 

PLÍNIO, ETERNAMENTE PRESENTE!

                No dia de ontem o Brasil perdeu um dos seus filhos mais ilustres. Segundo Brecht, era um daqueles homens imprescindíveis. Segundo a sabedoria popular, é um daqueles homens que só nascem a cada 100 anos. Após uma luta contra o câncer, perdemos Plínio da Arruda Sampaio.

 

                Aos 83 anos, Plínio só aparentava sua idade externamente. Sua disposição, seus sonhos, sua coragem, sua lucidez e sua bravura sempre fizeram todos aqueles que o conheceram, ter a certeza de que estávamos diante de um jovem que ainda tinha muito a contribuir com a luta por uma sociedade justa e igualitária.

 

                Plínio era sinônimo de juventude. Plínio era sinônimo de Reforma Agrária. Plínio era sinônimo de coerência. Plínio era sinônimo de bravura. Plínio era sinônimo de Política (com “P” maiúsculo). Plínio era sinônimo de socialismo!

 

                Um incansável lutador social, nunca vacilou em estar sempre do lado do povo. Sua coerência era algo marcante. Saiu do PT em 2005 para ajudar a construir o PSOL. Já com idade avançada, aceitou o desafio de ser candidato a Presidente da República pelo PSOL, numa das mais belas campanhas que tive a oportunidade de ver.

 

Plínio foi o formulador do projeto de Reforma Agrária do governo Jango, que estava incluído nas reformas de base pretendidas por aquele governo. A ditadura militar abortou a possibilidade do Brasil ter uma verdadeira reforma agrária, e Plínio estaria na 1ª lista de políticos cassados pela ditadura, o que o levou ao exílio político.

 

Impressionado com a sua disposição militante, o próprio Chico Alencar chegou a sugerir que, pela idade avançada, Plínio poderia estar cuidando das suas coisas, curtindo os netos, dentre outras coisas. A resposta de Plínio foi na lata: “cuidarei das minhas coisas e curtirei com os meus netos quando ficar velho”. Sempre que perguntado quais foram os melhores anos da sua vida, nunca titubeou em responder “Aqueles que ainda virão”.

 

No fim da campanha para presidente em 2010, deixou claro que estava falando para a juventude, para o futuro! Sua firmeza ideológica, seus princípios e seu exemplo nos faziam perceber como a Política (com “P” maiúsculo, que era como Plínio fazia) é bela! Como pode ser algo engrandecedor e emancipador.

 

Incansável, esteve presenta nas ruas também nas jornadas de junho do ano passado, mostrando, mais uma vez, o quanto era coerente e de que lado se encontrava na luta de classes.

 

Mesmo nos últimos momentos da sua vida, ainda se preocupava em produzir coisas que pudessem ser aproveitadas na luta pela emancipação do povo. Estava traduzindo o livro “A People’s History of The World” que, infelizmente, não conseguiu terminar.

 

Sem dúvidas, Plínio fará muita falta! Porém, seu legado e sua obra são maiores do que seus 83 anos de vida. Por esta razão, todos aqueles que o tem como exemplo deverá levar adiante o projeto de sociedade pelo qual ele sempre lutou: o socialismo! E, quando este dia chegar, vamos saber que estaremos vivendo os melhores anos da vida de Plínio.

 

Plínio de Arruda Sampaio, eternamente presente! 

( Autor anônimo de Juazeiro, militante do PSOL )”

O Expresso Vida lamenta bastante a morte de Plínio de Arruda Sampaio um grande ser humano que sempre buscou a Justiça.

 

Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas, 2005. Leud.

Audiencia Pública - IMPORTANTE !

DIANTE DA IMPORTANCIA EXPRESSO VIDA CONVIDA E RECOMENDA A TODA POPULAÇÃO DE CANANEIA COMPARECER À AUDIENCIA PÚBLICA À REALIZAR-SE EM CANANÉIA PARA DISCUTIR OS EFEITOS DA EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO NO MAR PELA PETROBRAS E OS BENEFÍCIOS E COMPENSAÇÕES QUE A CIDADE E SEU POVO RECEBERÁ EM CONTRAPARTIDA.

Compareçam.

Roberto J. Pugliese
pugliese@pugliesegomes.com.br
( foi vereador em Cananéia em 1983 )

05 julho 2014

Paula Toller: Eu quero voce como eu quero !

 
O Expresso Vida apresenta pedaço de espetáculo da cantora Paula Toller. Vale a pena.


 
 
 
Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas, Leud, 2005.


O homem que sabe tudo. ( não sabe nada )


Analfabeto midiático – Nova categoria.

 

O Expresso Vida transcreve texto muito bem elaborado que merece ser objeto de reflexão e comentários. Vale a pena analisar o comportamento do homem que sabe de tudo, porque assiste noticiário e lê revistas e jornais, sem saber a fonte verdadeira da noticia e a sua produção.
 
Boa leitura.
 

O pior analfabeto é o analfabeto midiático.

Ele ouve e assimila sem questionar, fala e repete o que ouviu, não participa dos acontecimentos políticos, aliás, abomina a política, mas usa as redes sociais com ganas e ânsias de quem veio para justiçar o mundo. Prega ideias preconceituosas e discriminatórias, e interpreta os fatos com a ingenuidade de quem não sabe quem o manipula. Nas passeatas e na internet, pede liberdade de expressão, mas censura e ataca quem defende bandeiras políticas. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. E que elas – na era da informação instantânea de massa – são muito influenciadas pela manipulação midiática dos fatos. Não vê a pressão de jornalistas e colunistas na mídia impressa, em emissoras de rádio e tevê – que também estão presentes na internet – a anunciar catástrofes diárias na contramão do que apontam as estatísticas mais confiáveis. Avanços significativos são desprezados e pequenos deslizes são tratados como se fossem enormes escândalos. O objetivo é desestabilizar e impedir que políticas públicas de sucesso possam ameaçar os lucros da iniciativa privada. O mesmo tratamento não se aplica a determinados partidos políticos e a corruptos que ajudam a manter a enorme desigualdade social no país.Questões iguais ou semelhantes são tratadas de forma distinta pela mídia. Aula prática: prestar atenção como a mídia conduz o noticiário sobre o escabroso caso que veio à tona com as informações da alemã Siemens. Não houve nenhuma indignação dos principais colunistas, nenhum editorial contundente. A principal emissora de TV do país calou-se por duas semanas após matéria de capa da revista IstoÉ denunciando o esquema de superfaturar trens e metrôs em 30%.

O analfabeto midiático é tão burro que se orgulha e estufa o peito para dizer que viu/ouviu a informação no Jornal Nacional e leu na Veja, por exemplo. Ele não entende como é produzida cada notícia: como se escolhem as pautas e as fontes, sabendo antecipadamente como cada uma delas vai se pronunciar. Não desconfia que, em muitas tevês, revistas e jornais, a notícia já sai quase pronta da redação, bastando ouvir as pessoas que vão confirmar o que o jornalista, o editor e, principalmente, o “dono da voz” (obrigado, Chico Buarque!) quer como a verdade dos fatos. Para isso as notícias se apoiam, às vezes, em fotos e imagens. Dizem que “uma foto vale mais que mil palavras”. Não é tão simples (Millôr, ironicamente, contra-argumentou: “então diga isto com uma imagem”). Fotos e imagens também são construções, a partir de um determinado olhar. Também as imagens podem ser manipuladas e editadas “ao gosto do freguês”. Há uma infinidade de exemplos. Usaram-se imagens para provar que o Iraque possuía depósitos de armas químicas que nunca foram encontrados. A irresponsabilidade e a falta de independência da mídia norte-americana ajudaram a convencer a opinião pública, e mais uma guerra com milhares de inocentes mortos foi deflagrada.

O analfabeto midiático não percebe que o enfoque pode ser uma escolha construída para chegar a conclusões que seriam diferentes se outras fontes fossem contatadas ou os jornalistas narrassem os fatos de outro ponto de vista. O analfabeto midiático imagina que tudo pode ser compreendido sem o mínimo de esforço intelectual. Não se apoia na filosofia, na sociologia, na história, na antropologia, nas ciências política e econômica – para não estender demais os campos do conhecimento – para compreender minimamente a complexidade dos fatos. Sua mente não absorve tanta informação e ele prefere acreditar em “especialistas” e veículos de comunicação comprometidos com interesses de poderosos grupos políticos e econômicos. Lê pouquíssimo, geralmente “best-sellers” e livros de autoajuda. Tem certeza de que o que lê, ouve e vê é o suficiente, e corresponde à realidade. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e o espoliador das empresas nacionais e multinacionais.”

O analfabeto midiático gosta de criticar os políticos corruptos e não entende que eles são uma extensão do capital, tão necessários para aumentar fortunas e concentrar a renda. Por isso recebem todo o apoio financeiro para serem eleitos. E, depois, contribuem para drenar o dinheiro do Estado para uma parcela da iniciativa privada e para os bolsos de uma elite que se especializou em roubar o dinheiro público. Assim, por vias tortas, só sabe enxergar o político corrupto sem nunca identificar o empresário corruptor, o detentor do grande capital, que aprisiona os governos, com a enorme contribuição da mídia, para adotar políticas que privilegiam os mais ricos e mantenham à margem as populações mais pobres. Em resumo: destroem a democracia.

Para o analfabeto midiático, Brecht teria, ainda, uma última observação a fazer: Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual.”

Essa é sem dúvida a realidade que estamos vivendo no Brasil de 2014. Texto muito bem feito por Celso Vicenzi, que o Expresso Vida transcreve pelo seu profundo conteúdo.

 

Roberto J. Pugliese
Membro do Instituto dos Advogados de Santa Catarina.

03 julho 2014

A fé pública como garantia das solenidades judiciais.


A presença do escrivão judicial e a garantia das partes durante as solenidades judiciais.

 

Introdução.-

 

A legislação tradicional brasileira, copiando normas históricas advindas do direito latino, estabelece diversas regras impondo obrigações de oficio aos escrivães judiciais. Esses agentes integrantes do foro judicial, também designados por secretários no âmbito do Poder Judiciário da União e Federal, bem assim no seio dos Tribunais dos Estados, são titulares de cargos públicos e exercem funções públicas, cuja relevância se denota nas atribuições que lhes competem a plêiade de leis, atos administrativos e marginálias editadas pelas diversas unidades da federação, com destaque para os códigos judiciários, de processo civil, processo penal etc...
 
 
 
São servidores públicos que se destacam da gama de agentes dessa natureza, em razão dos deveres e obrigações que se lhes é atribuído, para que possam efetivar a materialização da jurisdição estatal, auxiliando os trabalhos da magistratura em todos os graus de jurisdição, a par de, prover garantias elementares a todos que contribuem para a distribuição de justiça e também para aqueles que buscam a jurisdição estatal em defesa de direitos próprios, coletivos ou difusos.

 

O Estado-Juiz efetiva a jurisdição por meio de órgãos políticos dotados de poderes para jurisdicionar, auxiliados por agentes administrativos integrantes ou não do Poder Judiciário, cuja missão é a de colaborar para que os fins institucionais do Estado-jurisdição se realizem, efetivando-se a justiça preconizada desde o preâmbulo da Magna Lei.

 

Com apoio na melhor doutrina, o direito positivo classifica os magistrados em agentes políticos que, nestas condições, expressam a figura do próprio Estado e carecem da fé pública, inerente e peculiar a condição de agentes administrativos. Igualam-se, portanto, como agentes políticos, as limitações que se impõe aos integrantes do Ministério Pùblico e aos membros do Poder Legislativo e ao chefe do Poder Executivo, que exercendo o Poder Político e sendo expressões do próprio Estado, não assumem também a qualidade de órgãos da fé pública, evitando-se a concentração ilimitada e perigosa de autoridade. Os magistrados, na condição de órgãos jurisdicionais, presidem os processos e exercem o poder de polícia, inclusive das audiências e sobre os atos dos agentes auxiliares, porém despidos da fé pública, singular aos servidores e funcionários do Poder Judiciário.
 
 
 
 
 
 

Os escrivães, como os demais auxiliares da Justiça, que exerçam função ou ocupem cargo público são dotados, ao assumirem suas funções, de qualidades que os classificam em agentes da fé pública, indispensável para a concretização do bom direito, judicial ou extrajudicialmente.

 

Da fé pública.-

 

A idéia de fé tem como pano de fundo a sinceridade de quem afirma e a adesão confiante do espírito de quem tem por autentica e aceita o ditado certificado. Trata-se de necessidade social e jurídica, pois a sociedade para que tenha segurança de atos e fatos que não presenciou, e o direito, para a estabilidade da ordem, se funda na fé, que emana de quem está autorizado a portá-la. Decorre então, que o Estado moderno atribui a órgãos que especifica, e apenas a esses agentes, em condições pré-estabelecidas, a autoridade para portar e prestar pela sua fé, transmitindo a segurança exigida pelo corpo social.

 

Existem idéias afins à fé pública, e a primeira delas é a boa fé, que é um estado psicológico que faz com que os homens acreditem nas aparências. Ela nos faz crer que a assinatura da carta que recebemos de um amigo é verdadeira, que o agente da autoridade que veste um uniforme é efetivamente um agente público e não um impostor. Mas a fé pública não é simples crença e sim uma afirmação qualificada que é tida como certa, como verdadeira, pelo direito positivo.

 

Numa síntese a fé pública trata-se de instituto de direito público, fruto da confiança, que surge pela boa fé, pela veracidade garantida pelo valor que é conferido ao documento, oral ou escrito, isentando de dúvida, face a presunção que surge em razão da autoridade de onde emanou, que presumidamente, admite-se ter cumprido as formalidades necessárias, para ao final atestar como dogma de declaração.

 

A segurança jurídica da sociedade depende essencialmente da fé, de forma que a exclusão da dúvida decorrente da mentira permita que os integrantes do corpo social tenham condições de celebrar a prática dos atos jurídicos, com a certeza de que estarão protegidos pelo testemunho da verdade.

 

Insta salientar que a fé pública se dirige ao mundo dos fatos, consistindo na certificação destes, presenciado pelo agente dotado desta qualidade, enquanto que o direito em si é apreciado pelos órgãos jurisdicionais, que o interpretam.

 

A doutrina classifica o instituto jurídico em fé pública administrativa, exercida pelos agentes públicos qualificados para portarem por fé dos atos que praticarem, como se dá com integrantes da policia judiciária; fé pública notarial exercida de forma pessoal pelos tabeliães, como se dá nos atos jurídicos que celebram ou nos fatos que certificam através das atas de notoriedade e a fé pública judicial que decorre dos atestados firmados pelos serventuários de justiça e outros auxiliares do juízo.

 

A classificação, enfim, revela a importância para o Estado e para a sociedade e seus integrantes, que ao instituto se impõe para a distribuição do bem comum e em especial do justo.

 

Da escrivania. –

 

O sistema judiciário brasileiro atribui rol de competência aos auxiliares do juízo, impondo deveres especiais aos escrivães face a importância que exercem nos serviços de apoio, indispensáveis ao exercício da jurisdição.
 
 
 
 

 A importância é tal que na ausência ou impedimento destes, as normas de organização judiciária e mesmo as de processo, impõe de forma cogente que seus substitutos dêem andamento aos tramites burocráticos nas serventias em que se encontram lotados ou nas solenidades presididas pelos órgãos jurisdicionais.

 

Nesse norte, nas ocasiões que os servidores assim qualificados não estejam presentes, cumpre ao magistrado nomear, ad hoc, substitutos para que portem por fé nos atos pertinentes que vierem a praticar, sendo vedado a servidores ou terceiros impulsionarem os atos processuais, sem que integrem os quadros do Poder Judiciário ou tenham autorização judicial especial. Atos diligenciados por estagiários, em audiências judiciais ou nos tramites ordinários da burocracia processual, ou terceiros alheios aos serviços causam nulidades e conseqüentes prejuízos amplos ao bom andamento da Justiça.

 

O oficio de auxiliar do Poder Judiciário deve se materializar pelas mãos de quem tem condições de portar por fé. É garantia expressa, que se extrai pela leitura do codex processual civil, ( art. 141,III e 142 ), do codigo de processo penal ( sic artigo 792 ) bem como, demais normas de ordem pública, de abrangência geral e cogente, impostas ao exercício e a organização da jurisdição comum ou especial.

 

A presença do Escrivão nos atos e solenidades judiciais expressa garantia processual às partes, ao Estado, aos órgãos jurisdicionais e ao regime democrático, pois os fatos que se desenvolvem a sua vista e diante de sua presença física, quando necessários serão certificados, em atenção ao requerimentos ou de oficio. E na ausência destes registros, se chamados a testemunharem, suas declarações, envolvidas pela segurança da fé pública permitirão que se instruam procedimentos com a absoluta certeza da verdade que se projetará até prova em contrário, assumindo maior valor as demais provas, despidas de fé pública, produzidas por outros agentes públicos ou privados.

 

Por razões variadas, inclusive ignorância dos efeitos decorrentes da fé pública, alguns agentes do Poder Judiciário, no entanto, de forma injustificável deixam de assim nomear substitutos em condições jurídicas hábeis a participar de trabalhos forense, de modo que as solenidades presididas por magistrados, se realizem longe da presença de órgãos da fé pública, tornando todo o procedimento despido de oficialidade e nulo em sua essência. Ainda que as atas e demais papeis sejam subscritas posteriormente, pelos agentes qualificados para tanto, a fé pública inerente a presença obrigatória do Escrivão ou seu substituto, passa a condição de escrito particular, eivado da fragilidade que lhe é inerente, pela violada omissão que se deu na essência, mascarada por mentira que macula toda a seriedade dos atos judiciais.

 

O ato perpetrado nessas circunstancias se materializa em crime, tipificado pelo artigo 299, combinado com o artigo 13,§ 2º ambos do estatuto penal.

 

Considerações finais.-

 

A fraude decorrente dos atos judiciais praticados em solenidades cuja ausência do Escrivão ou seus substitutos legais é suprida pela assinatura firmada posteriormente, configura crime no qual aqueles que participaram da solenidade, colaborando ativa ou passivamente, devem ser responsabilizados.

 

O magistrado que admite e faz vistas grossas assume pela omissão responsabilidade no âmbito de suas atribuições, notadamente em razão das normas de ordem pública, que se lhes impõe o dever de nomear, quando assim o Escrivão não o faz, substituto para agir sob o manto do instituto da fé pública.

 

O auxiliar do juízo que lavrou os termos, atas e outros documentos, também não deve se isentar da responsabilidade, inclusive o próprio servidor que firmou os documentos a posteriori.

 

Enfim, sem delongas, insta asseverar que pratica dessa atitude que se repete com certa freqüência diariamente, quer pela falta de servidores qualificados, quer pelo excessivo número de processos que devam ser ordenados para o regular tramitar, quer por razões outras que se pretenda justificar,impõe aos agentes públicos e políticos conseqüências de natureza civil, administrativa, disciplinar e criminal, violando a par das transgressões ao bom direito, as regras que garantem o sucesso da jurisdição.

 

A confiança e a boa fé são os principais estribos da sociedade em relação a Justiça, de forma que, a fraude, derruba toda crença que é depositada nos agentes públicos que administram e realizam a distribuição da justiça.É inadmissível que o falso praticado oficialmente durante as solenidades do Poder Judiciário transforme em teatro atos judiciários que se configuram formalidades indispensáveis para a crença no bom direito e na justiça que os jurisdicionados buscam.

 

Roberto J. Pugliese
Autor de Direito Notarial Brasileiro, Leud, 1989.
Consultor da Comissão de Direito Notarial e Registrária do Conselho Federal da OAB.

Burocracia espanta investidores da Lagoa da Conceição.


Alvará de Funcionamento: Filho da burocracia. -

 

São inúmeros os chegantes que diariamente se apresentam  trazendo na bagagem além do interesse em investir, criatividade e muita força de vontade de se estabelecer em Florianópolis.

 

Vindos, na maioria, de cantos e recantos do imenso país, mas gente de todos os lugares do mundo trazem dinheiro e condições de gerar impostos, emprego e fomento econômico, aparecem querendo ficar.

 

A prestação de serviços e o comércio são as atividades econômicas preferidas e a Lagoa da Conceição é o destaque entre tantos recantos que a ilha oferece, liderando como lugar para se estabelecer, dada a estratégica localização e em especial pelo  charme e tradição envolvente que contagia os que a conhecem.

 

As decepções chegam logo a seguir. Não são poucos os investidores, embuidos de verdadeiros interesses de aplicar suas economias na ilha de Santa Catarina que, frustrados , seguem viagem para outras cidades, dada as dificuldades que enfrentam para erguer seus negócios. Perdidos, sem saber o que fazer e a quem recorrer, envolvidos numa a teia de órgãos públicos ineficazes, barracas são recolhidas, portas fechadas, luzes apagadas e arrependidos, saem disiludidos com o sonho de morar na ilha.

 

Uma simples borracharia ou um elegante café encontra tanta dificuldade, como uma agencia bancária ou concessionária de automóveis para se estabelecer no entorndo da Lagoa da Conceição.Ou porque o imóvel sem titulo de propriedade é posse, ou porque a construção não teve sua planta aprovada, ou então, pelo veto dos bombeiros, ou por falta de habitabilidade oficializada em repartições bolorentas ou por isso ou por aquilo, não se permite, legalmente, constituir-se o fundo de comércio para que o empreendedor, possa explorar economicamente alguma atividade que, muitas vezes, a população precisa.

 

Autarquias federais ou fundações municipais ou agentes munidos de talões para aplicação de multas e embargos impedem que gente abalizada a prover a cidade com suas atividades profissionais nela permaneça, salvo se, valendo-se de subterfúgios que, por baixo de panos, supram tantos e tantos carimbos e autenticações desnecessárias.

 

Enfim, chegou o momento das pessoas de bem se unirem. Recorram a entidades de classe, valham-se da imprensa, busquem advogados e enfrentem de frente o problema, pois de outro modo, o caos será oficializado.

 

Papéis, documentos, certidões, assinaturas, rubricas, carimbos e uma porção de detalhes os quais, culminam com o indeferimento de alvarás, incubados na estúpida burocracia retrógada.

 

E não se esqueçam: A Secretaria do Patrimonio da União, sem qualquer pudor, travestida de zelo e hipocrisia, munida de trena e teodolito, irá medir o imóvel e decreta-lo como próprio atestando tratar-se de terreno de marinha, mesmo ciente que a linha apurada para demarcação, submersa e perdida, como perdido fica os que se atrevem a implantar o seu negócio na bucólica Lagoa.

 

Roberto J. Pugliese
Consultor da Comissão Nacional de Direito Notarial e Registral da OAB.
Diretor de Opinão - ACIF Sul - Florianópolis, Sc.

Grupos tradicionais reclamam do ambientalismo exacerbado. ( doentio )


Unidades de Conservação em excesso prejudicam comunidades tradicionais.

 

O Expresso Vida transcreve o texto muito bem elaborado por Isabel Vieira a respeito de um assunto que ninguém quer falar e quem deseja, não tem tribuna e sua voz não é ouvida.

 

A reportagem publicada no Jornal Eletronico Correio do Litoral, de Guaratuba, litoral do Paraná, diz respeito a situação geo social que os tradicionais habitantes da costa caiçara estão vivendo.

 

Quilombolas, indígenas, caiçaras, pescadores artesanais que durante séculos viveram e souberam preservar a orla do litoral carioca, paulista, paranaense estão estrangulados e proibidos de continuarem a explorar a região, como seus antepassados, e tendem a desaparecer e estão à míngua, na miséria.

 

A leitura é recomendável a todos que conhecem a região e tem sensibilidade social e merece ser divulgada.

 


Comunidades tradicionais litorâneas lutam para não desaparecer

 

 

Comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras que vivem no litoral entre o Rio de Janeiro e São Paulo correm o risco de desaparecer.

Elas sofrem com a grilagem de terras na Serra do Mar, com o turismo de escala e com a falta de políticas públicas, como educação e infraestrutura. Para chamar a atenção sobre esses grupos, o Fórum das Comunidades Tradicionais de Angra, Paraty e Ubatuba lança sábado (28) a campanha “Preservar é resistir- Em defesa dos territórios tradicionais”. Será em Ubatuba.

De acordo com o integrante do fórum Vagner do Nascimento, um dos principais problemas na região é a sobreposição de unidades de conservação nas comunidades. Ele diz que a situação “engessa” a população e desassocia o homem da natureza, fator que garantiu a sobrevivência desses grupos até hoje. Na região, moradores e especialistas querem a recategorização das unidades para parque estadual ou reserva extrativista – modalidade criada pelo ambientalista Chico Mendes.

O vice-presidente da Associação de Moradores do Pouso da Cajaíba, na Reserva da Juatinga, Francisco Xavier Sobrinho, explica que, na prática, morar em uma reserva significa ficar impedido de usar a natureza para sobreviver. Não se pode construir casas de barro, prática agroecológica, as tradicionais canoas caiçaras – esculpidas em um único tronco -, plantar e pescar. “ Precisamos resistir para continuar aqui e assegurar o que temos para as novas gerações”, disse.

Na divisa dos estados, o fórum destaca que a legislação atual prejudica as comunidades quilombolas Cambury e Fazenda Caixa, dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina e do Parque Estadual da Serra do Mar. Em ambas, as práticas culturais são reprimidas. “Ou seja, a pessoa vive na pobreza em um território rico porque está impossibilitada de viver com dignidade, conforme suas gerações passaram”, observou Vagner.

Mais próximo da cidade histórica de Paraty, o fórum denuncia que a sobreposição de unidades não permite a chegada de energia elétrica e a pavimentação de estradas, para não causar impacto ambiental. A situação afeta comunidades caiçaras na costa e indígenas da Aldeia Araponga. Vivendo em uma área apertada, o grupo tem dificuldade de acesso à água, a serviços de saúde, está superlotada e tem problemas com o descarte adequado de lixo.

“Os indígenas têm o território, que originalmente é deles, ameaçado pela especulação imobiliária para a abertura de novas áreas para condomínios e pousadas”, acrescentou o integrante do fórum.

Outro problema causado pela especulação imobiliária é a restrição imposta por condomínios de luxo a caiçaras de praias como a do Sono, que perderam o acesso ao mar. Agora, precisam passar por dentro do condomínio, em um carro cedido pelos administradores para chegar aos barcos. O turismo na costa e em áreas de berçários de peixes, como o Saco do Mamanguá, também avança e está entre as preocupações, em defesa da pesca artesanal.

Para mostrar como vivem, as comunidades fizaram um vídeo de cerca de dez minutos que lançam junto com a campanha “Preservar é resistir”, na festa de São Pedro Pescador, sábado (28).

O Expresso Vida convida a todos para um debate sério a respeito. São muitas, talvez milhares de comunidades fragilizadas que não tem mais como se expandirem. Também são inúmeras as injustiças que a ordem pública, através de legislação que ignora a realidade brasileira, e de Magistrados desavisados, mais acostumados aos tapetes das Cortes e Palácios, que se perpetram diariamente em nome de uma paranoica justiça ambiental que, ao invés de preservar está destruindo a raça pura  e a riqueza cultural do litoral do sudeste.

A opinião de todos será muito importante. O grito em favor dos mudos.

Roberto J. Pugliese


presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos da OAB-Sc

 

 

(Fonte: Reportagem: Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil – Edição: Graça Adjuto. – Jornal eletrônico Correio do Litoral )



 

Esqueceram a flâmula maior ! Salve lindo pendão da esperança.


Soberania violada.

 

A Copa do Mundo da FIFA no  Brasil a despeito do pessimismo de alguns aparenta estar regularmente funcionando, dentro do que era previsto.

 

Os estádios, agora transformados em arenas, muito bonitos e luxosos estão repletos e os jogos sob a batuta da organização demonstram um poderio de gerencia e administração invejável.

 

Sem fosso ou se quer alambrados, a plateia sempre lotando para assistir partidas entre países tradicionais ou mesmo aqueles que não o são tem se comportado dentro de padrões aceitáveis, inclusive cantando em coro à capela, hino nacional  oficial, até o final da primeira parte.

 

O pessoal de certo esta se comportando distintamente, salvo agressões verbais, de baixo calão, às autoridades públicas e pseudas autoridades do esporte, à família dos juízes e bandeirinhas e à alguns jogadores que são ou muito bom e irritam a torcida adversária ou muito ruim e tiram do sério os próprios torcedores.

 

Tenho visto e observado os jogos da seleção brasileira de futebol e alguns jogos de outras seleções, quando o tempo me permite, pois aprecio o esporte bretão...

 

O que não tenho visto e me causa tristeza, indignação e revolta, ou sei lá, me traz certo nojo pela submissão e silencio de quem poderia falar, como a OAB, o Ministério Público e as autoridades brasileiras responsáveis pela organização do evento, é a ausência da bandeira brasileira.

 

A bandeira brasileira está ausente.

 

A bandeira foi ignorada.

 

Nos jogos do Brasil, a bandeira está afixada de modo ilegal, no mesmo nível de bandeira do país adversário e da FIFA, que fica no centro. Nos outros, se quer é hasteada nos estádios, digo, arenas.

 

Não vou me alongar.  Mas deixo patente que qualquer brasileiro tem a faculdade e as autoridades o dever, notadamente as autoridades policiais e militares de corrigir, no ato, o erro ou equívoco, para não dizer o dolo dos organizadores, fazendo cumprir a lei.

 

Enfim: Palmas para o evento. Palmas para a seleção e seus jogadores, inclusive seleções adversárias. Palmas para todos, mas em coro, concito a todos vaiarem os responsáveis pela indignidade de não hastearem a bandeira brasileira como manda a lei e a manterem em lugar de destaque, no centro, em respeito ao símbolo maior da nação brasileira.

 

Nesse mês de Julho, que brasileiros de brio estão comemorando o MMDC, vai o brado de revolta pela indignação.

 

Roberto J. Pugliese
Membro da Academia Itanhaense de Letras.

Acordo benificia mais de 400 famílias de pescadores !


Acordo gera 65 milhões de reais.

 

Acordo entre os pescadores do norte de Santa Catarina, a Norsul e a Acelor Mitral, multinacionais que se envolveram em acidente naval no litoral de São Francisco do Sul, causando dano ambiental de grande gravidade, gerou o maior acordo celebrado pela Justiça de Santa Catarina.

 


( pescador na baia de Trapandé )

 

- Estamos injetando 65 milhões de reais na economia catarinense.  Quando o governo federal ajuda o Estado em razão de calamidades ou obras, o dinheiro da União não chega a 5 milhões. E vem em parcelas. Esse acordo, está fazendo algo nunca visto por aqui, diz Roberto Pugliese, um dos advogados que representa os quase 3 mil pescadores artesanais.

 

( CERCO fIXO NO LAGAMAR )

 

O dinheiro virá da Inglaterra, pago pela seguradora.

 

O acordo judicial, já homologado pelo Tribunal de Justiça, permitirá que os pagamentos se iniciem ainda no mês de Julho, beneficiando cerca de aproximadamente 400 famílias de pescadores e maricultores da orla de São Francisco do Sul, Joinville, Garuva e Itapoá. Já foi determinada a remessa, restando apenas burocracias do fisco federal, banco central e outros entraves ordinários.

 

Pugliese e Gomes Advocacia há várias décadas trabalha com pescadores, maricultores, colônia de pescadores e outros grupos ligados ao mar. Já atuou em defesa de pescadores nas barrancas do rio Paraná e tem assessorado esses profissionais na região do Lagamar de Cananéia, na Ilha Comprida, em Paraty, na Ilha Grande, Antonina, Ilha do Mel, Governador Celso Ramos, entre outros pontos da costa.
 
- Anos atrás trabalhamos com a Pastoral da Pesca, da Diocese de Santos, e hoje assessoramos entre outros, associações de pescadores de Florianópolis e a Colônia z9 de Cananéia, completa Emerson Gomes outro advogado do mesmo escritório.
  

Roberto J. Pugliese