sábado, 9 de julho de 2011

O verdadeiro sentido de 9 de julho de 1932.-

A mais importante data cívica do povo paulista trata-se da que se comemora a eclosão da Revolução paulista. Homenageia-se os heroicos 35 mil soldados arregimentados entre populares voluntários e os quadros da então Força Pública, que improvisados em força militar, sem o devido treinamento e com armamento deficiente enfrentaram os 350 mil soldados do exército, sucumbindo após 85 dias de cerco gradativo e constante, que resultou na morte de 2.200 combatentes.

A revolução recebeu apoio de estudantes, intelectuais, industriais, agricultores, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático e homens, mulheres e adolescentes, pegaram em armas. Ergueram trincheiras e sem receio enfrentaram as dificuldades inerentes aos conflitos bélicos, notadamente diante do quadro desproporcional que se apresentava com situações salientemente desvantajosas, pela sofisticação dos armamentos pesados das tropas federais e o seu efetivo bem mais elevado.

O povo paulista se mobilizou pela causa e mesmo em situação de ampla desvantagem não se curvou. Os operários deixaram as fábricas e foram para o front, enquanto as mulheres saíram de casa e nas fábricas substituíram seus filhos e maridos. Outras para os hospitais de campanha. Crianças eram estafetas. Todos em defesa da causa abraçada coletivamente pela sociedade que encampara a ideia de livrar o Estado e o seu povo do arbítrio ditatorial.

Tudo por São Paulo livre era o slogan revolucionário. Era a luta pela redemocratização. Pela Constituição que o governo provisório ignorava.

Os governos do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, a princípio simpáticos à constitucionalização, não quiseram enfrentar a força militar do governo federal. Sozinhos, os paulistas não conseguiram manter a revolução e assinaram rendição em outubro.

Cidades foram bombardeadas e o isolamento imposto pelas tropas federais, vindas de Minas e do Rio Grande, apoiando as que impediam o avanço paulista em direção ao Catete, deixaram os valentes soldados constitucionalistas sem qualquer alternativa obrigando o estado maior da revolução recuar e de modo incondicional render-se as forças perversas do ditador. Como aço, os paulistas quebraram porém não se curvaram.

A revolta civil despertou o governo para a necessidade de acabar com o perfil revolucionário do regime. Em maio de 1933, foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, e no ano seguinte promulgada a Constituição.

Passados 79 anos a Guerra Paulista continua viva e presente. É o símbolo da pujança do povo naturalmente laborioso, que não se intimida, enfrenta sem qualquer receio, em busca da liberdade, todo e qualquer autoritarismo. Um povo que não é conduzido, conduz ! É a maior festa verdadeiramente democrática do país.

Enfim:” és paulista? Ah ! Então tu me compreendes! Trazes, como eu, o luto na tua alma e lâminas de fel no coração”, como conclama o poema. Esse é o verdadeiro sentido de 9 de julho.

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