quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O saci, a mula sem cabeça e as fantasias brasileiras.


O dia das bruxas.

O folclore dos Estados Unidos da América comemora o “ dia das bruxas”  que não tem nada com o folclore nacional. Lá, por razões de seus costumes próprios que se confundem com o comportamento histórico do povo, as bruxas são homenageadas e reverenciadas pela população em todo território continental. E razões justificam porem  não interessam ao povo brasileiro.
 
 
 
 
 
 

 

O folclore tupiniquim é muito mais rico e diversificado. São dezenas de comemorações espalhadas pelo país, de norte a sul, de leste a oeste, com homenagens a sacis e também a bruxas, porém sem a ampla divulgação midiática e contundente própria dos imperialistas do norte.

 

A mula sem cabeça por exemplo ou o caipora mereciam até um dia feriado regional. E o boto cor de rosa uma semana de festas.

 

São milhares de seres e vultos imaginários da coletividade regional, trazidos pelos negros e até agora cultuados nos grupos afros, especialmente nas comunidades descendentes de quilombos; são seres endeusados por indígenas que também são homenageados com festas e alegria popular, assim como caipiras, caiçaras, quebradeiras de cocos e tantos outros grupos também prestam suas respeitosas homenagens a seres de um folclore tradicional, quase esquecido e desconhecido pelas multidões inebriadas pelas propagandas maciças das redes de televisão, notadamente, a pervertida tv Globo.

 
 
 
 
 

Acho que chegou o momento de se festejar não mais o dia das bruxas dos americanos, mas sim, o dia da caça às bruxas, quando à semelhança da Malhação do Judas, o povo vá às ruas, praças e logradouros de todas as cidades e vilas e promova atos simbólicos de caça a todas as bruxas e fantasmas que rondam o Brasil. Especialmente os que representam os interesses internacionais.





 

Não preciso escrever mais nada. A ideia mesmo que aprovada, não será divulgada. Boicotada, ficará à sombra das festas trazidas pelo Mac Donalds, pela General Motors ou pela Stander Oil...

 

Sugiro refletir.

 

Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas, Leud,2005.

Lições de vida.


O Politizado.

 

O politizado sabe tudo. Informa-se de tudo. Le tudo a respeito de tudo.  É assinante da revista Veja; assiste diariamente o Jornal Nacional, discute economia com investidores da bolsa, escuta a rádio CBN e gosta dos comentários sobre a economia do país, proferidos pela Mirian Leitão e Merval  Pereira. Atualmente costuma ler os editoriais do O Globo na internet. Também de O Estado de São Paulo, mas não diariamente. No escritório, quando sobra tempo, lê a Folha de São Paulo.

 

O politizado é culto: Vai ao cinema três ou quatro vezes por ano no lançamento de algum filme recomendado pelos críticos. Normalmente le a respeito dos artistas, diretores e a indústria que assumiu a responsabilidade.  Gosta das produções de Hollywood e odeia filme nacional. Não vai  ao teatro porque as peças são ideológicas e escritas por comunistas na sua grande maioria.  Nem à bibliotecas. Mas passeia regularmente pelo Google e pela Wikipedia ficando sempre atualizado.

 

Quando se revolta com algum fato costuma mandar carta para ser publicado na sessão dos leitores de alguns jornais. Escreve longas laudas que nunca são publicadas.

 

Lamenta que a maioria das pessoas não tem o seu conhecimento e não está a altura de qualquer debate sobre qualquer assunto. Principalmente política.










 

 

O politizado tem  o carro do ano para impressionar. Preferencialmente quatro portas, com ar condicionado e sempre limpo. Não tira da garagem durante a semana. Corre no  parque nos finais de semana. Mesmo que chova costuma ir e se encontrar com as mesmas pessoas que cumprimenta sem dar muita atenção.

 

Mesmo tendo passado o tempo, ainda se relaciona com alguns colegas da faculdade. São pessoas cultas e importantes que faz questão de  não perder o  contato e as boas relações.

 

Já levou seus filhos à Disney duas vezes.  Comprou o passeio à prazo e ainda está pagando. Entende que para a cultura de seus pimpolhos a viagem tinha que se realizar. Gostaria de morar em Miami e nas férias de verão costuma passar o réveillon na casa de um amigo, de um parente ou junto com o sogro. Não viaja sozinho. Não hospeda-se em hotel. Acha que esses hotéis e pousadas cobram caro e não oferecem o mesmo serviço que pode adquirir indo para a Flórida ou para Califórnia.

 

Nos finais de semana prolongados, vai à praia no horário que todo mundo vai e volta no horário que todo mundo volta, usando o mesmo trajeto que todo mundo usa e fica revoltado com o transito e a falta de rodovias suficientes. Já estudou à respeito desse drama e tem a solução que já expos a um deputado seu amigo. Costuma ir à casa de amigos, pois não irá investir numa casa de praia ou apartamento, pois não compensa. Costuma calcular tudo que faz para não ter surpresas.

 

Se considera um bom motorista pois nunca foi multado. Leva regularmente seu carro à concessionária para fazer a revisão. Inclusive calibra os pneus nestas oportunidades. Nos túneis faz o que ninguém costuma fazer: Acende o pisca-alerta para chamar atenção. Respeita a sinalização: Só anda na faixa da esquerda na velocidade máxima permitida. Os incomodados que ultrapassem pela direita, pois ele cumpre as normas, costuma justificar a quem indaga sobre seu comportamento.

 

O politizado mora no apartamento que está pagando religiosamente sua prestação há sete anos. Tem três filhos e a esposa é secretária de multinacional. Foi promovido à gerente na empresa que trabalha há 4 anos e costuma fazer horas extras. Acha que os colegas o admiram e o chefe o respeita. Acha. Mas tem certeza que fazer regularmente os cerões é uma forma boa para colaborar com a empresa, agradar o patrão e ganhar um troquinho extra.

 

O politizado faz sua própria declaração de  imposto de renda porque sabe tudo. Le bulas de remédios e discute com médicos à respeito das doenças de seus filhos. Afinal tem conhecimento suficiente para orientar arquitetos e o veterinário do seu gato. Já foi à Aparecida do Norte acender vela para agradecer graça recebida, à Bom Jesus de Pirapora pelos mesmos motivos e também costuma ir, às vezes, à Igreja Universal. Já leu O Pequeno Príncipe e atualmente não tem tempo para leitura. É assinante da Seleções do Reader’s Digest. Fica encantado com os FLAGRANTE DA VIDA REAL, uma das tantas sessões dessa publicação de oringem norte-americana que tanto aprecia. Fala inglês fluentemente mas continua no curso, frequentando aulas todas as terças feiras à noite. Morre de medo que os comunistas implantem o imposto sobre grandes fortunas.







 

 

Seus filhos tem tablet, telefone celular e microcomputador. Estudam no colégio particular, cuja mensalidade arrebata quase todo o minguado salário de sua mulher. As crianças vão e voltam com perua contratada. Corta o cabelo dos meninos cada quinze dias quando vai e também os leva ao barbeiro. No sábado costuma fazer compras no supermercado pela manhã. O mais velho é escoteiro como ele foi na adolescência. Ainda guarda no criado-mudo de seu quarto a medalha que ganhou pelo heroísmo que demonstrou ao salvar uma esquila que caíra num lago...

 

O politizado acha absurdo ter eleições cada dois anos. Para ele, no tempo dos militares era bem melhor. Recorda saudoso que não havia, àquele tempo, a violência e a corrupção que existe atualmente. Lembra que havia respeito, que o povo punha a mão no peito e tirava o chapéu quando a bandeira brasileira era hasteada e tocado o hino nacional. E com essas lembranças e teses costuma discorrer nas reuniões de família.

 

Enfim, o politizado no ônibus, ao voltar para casa numa tarde de outono, com visão de lince profetizou publicamente, falando alto ao cobrador:

 

- Vote no AECIO. ( ... por isso e por aquilo )  E se empolgou de tal modo que não percebeu que passara o seu endereço.
 
Roberto J. Pugliese
Titular da Cadeira nº 35 da Academia São José de Letras, São José, Sc.

domingo, 26 de outubro de 2014

Noticias de Iguape, Sp.


Aniversário de Iguape. Convites.

 

Iguape, CIDADE HISTÓRICA SITUADA NO LITORAL NO SUL PAULISTA, QUE POR VOCAÇÃO PODERIA TER SIDO NATURALMENTE ELEITA A CAPITAL DO VALE DO Ribeira, está em festa.

 

As comemorações de seus 476 anos tem inicio no dia 29 de novembro próximo. São diversas festas.O grupo Só Pra Contraria dará inicio aos festejos. Depois será Daniel, o cantor sertanejo. Outras apresentações serão realizadas ao longo dos festejos.

 

Emmerson Nogueira também participará.

 

Os festejos se darão no Centro de Eventos e seguirá até 7 de Dezembro, sempre a partir das 19,30 horas.

 

Esse ano também será realizada mais outra corrida de São Silvestre no município. A partir de 1º de Novembro será aberta a inscrição para concorrer e participar.

 

A corrida se dará dia 31 de Dezembro, às 9,00 horas na Praça da Basílica e os prêmios serão em dinheiro, medalhas e diplomas.

 

A Prefeitura convida a todos os interessados e o Expresso Vida parabeniza as iniciativas noticiadas.

 

Roberto J. Pugliese
Autor de Terrenos de Marinha e seus acrescidos. 2009, Letras Jurídicas.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Porque não votar no PSDB. Importante.




 
Brasil de Joelhos. Chega!
O Expresso Vida tem  gama de leitores que antes de qualquer outra qualidade são pensadores e pessoas de bem, que desejam sempre o melhor para a sociedade.Essa afirmativa vem de comentários outros que são postados ou diretamente destinados à caixa eletrônica particular do editor.
 
Daí, pessoalmente não sou amistoso ao Breno, por questões particulares, que remontam há mais de dez anos, quando lançou uma revista independente e tivemos contatos pessoais. Porém, sua independência  e visão crítica não me confundem com o comportamento que teve comigo, motivo que peço aos ilustres brasileiros que  adentram a esse blog, que leiam com atenção, meditem, reflitam e se entenderem correto, divulguem.
 
O texto é muito importante para reflexão e revela, por linhas tortas, o porque mesmo crítico, estou votando no segundo turno no Partido dos Trabalhadores.
 
São muitos os motivos, porém o que o texto traz à baila de forma expressa e clara, talvez seja o principal. Até porque reforma política partidária e territorial está fora de cogitação.
 
Leiam.
 
AÉCIO DEIXARIA BRASIL SEM SAPATOS
Breno ALtman
O diplomata Celso Lafer, chanceler durante o governo Fernando Henrique Cardoso, teve seus minutos de fama em 2002. Diante de exigências das autoridades de segurança, ao chegar nos Estados Unidos em missão oficial, o ministro tucano tirou os sapatos. De meias, aceitou o ultraje colonial contra o pais que deveria representar com altivez.
Este episódio virou símbolo de uma época.
A política internacional brasileira funcionava como apêndice dos interesses norte-americanos, submetida à estratégia econômica do governo tucano.
A dinâmica do desenvolvimento não era determinada pela expansão do mercado interno, mas pela atração incondicional de capitais internacionais.
Privatizações e juros estratosféricos eram os principais elementos financeiros de sedução. Uma diplomacia submissa, sem sapatos, o instrumento político para conquistar o favorecimento das potências ocidentais.
O Brasil, naquela época, tinha como principal projeto a integração na Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA. Proposto pela Casa Branca, esse bloco eliminaria todas as barreiras alfandegárias e extra-alfandegárias nos mercados ao sul do Rio Grande, com exceção de Cuba.
A indústria norte-americana, beneficiada pela capacidade tecnológica e o poderio financeiro, ganharia um novo mercado com 500 milhões de consumidores potenciais, além de acesso mais fácil a matérias-primas e mão-de-obra barata. As demais nações consolidariam um perfil extrativista e agroexportador.
Tal modelo, calcado no aprofundamento dos laços de dependência, era de interesse do agronegócio e do capital financeiro local. O primeiro grupo lucraria com a abertura comercial. O segundo, com a intermediação de negócios, o crédito ao consumo e o financiamento das trocas internacionais. Estas eram, e continuam sendo, as frações de classe mais vinculadas ao PSDB.
Alguns setores industriais conseguiriam sobreviver, mas o Brasil estaria condenado a perder sua cadeia produtiva, vítima da desnacionalização, com a exportação de empregos industriais para o norte do continente. Mesmo a agricultura de alimentos, menos competitiva que a de grãos, estaria sob perigo de sucumbir às grandes corporações.
Iniciativas regionais
Este processo foi bloqueado com a eleição de Hugo Chávez e Lula, logo seguida por novas vitórias progressistas na América Latina. A ALCA foi fulminada no novo cenário. Abriu-se espaço para uma outra estratégia de crescimento, na qual o Brasil tornou-se peça decisiva.
Talvez em nenhuma outra questão foi tão profunda a mudança conduzida pelas administrações petistas. O centro da política internacional passou a ser o esforço para a integração autônoma da América Latina, como espaço prioritário para a consolidação da própria economia brasileira.
Nos últimos doze anos, além da expansão do Mercosul, assistimos a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). O comércio e o investimento dentro do bloco subcontinental cresceram fortemente, abrindo fronteiras para um caminho de desenvolvimento através do qual os países sulistas preservem e ampliem sua soberania industrial, alimentar e financeira.
As iniciativas regionais foram complementadas pela construção de pontes com a África e a Ásia, além do fortalecimento de relações com as demais nações emergentes.
A principal conquista dessa ofensiva foi a consolidação do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) como aliança geopolítica. A criação de um banco comum dessa coalizão, decidida na Cúpula de Fortaleza, em julho deste ano, pode ajudar a romper com a hegemonia das potências ocidentais sobre instituições financeiras que controlam o crédito mundial.
Ao longo dos últimos doze anos, o Brasil multiplicou por quatro suas exportações e quintuplicou seu intercâmbio comercial. Diversificou parceiros e encontrou novos mercados. Apesar das enormes dificuldades internacionais, começou a lenta transição entre o predomínio da venda de bens e serviços para a centralidade da exportação de capitais e tecnologia.
Os avanços não foram apenas econômicos ou regionais. O país vem desempenhando papel de relevo na luta pela superação do mundo unipolar que emergiu do colapso soviético.
Ganhou destaque o empenho pelo direito dos povos à autodeterminação, contra as guerras de agressão, pela democratização das instituições internacionais, contra o neocolonialismo e pela defesa ambiental.
Propósito restauracionista
Infelizmente este temário pouco foi discutido na atual campanha presidencial. Mas o PSDB não deixa dúvidas que gostaria de dar um cavalo de pau na política internacional estabelecida pelo PT.
Seu principal porta-voz para esta agenda, o diplomata Rubens Barbosa, tem deixado claro os fundamentos da orientação que gostaria de implantar. Vale a pena ler sua entrevista recente para o Opera Mundi.
Alegando defender “uma política externa pragmática, fugindo das ideologias”, o ex-embaixador brasileiro em Washington sustenta que o país não deve mais “ficar amarrado ao Mercosul”. A opção seria estabelecer unilateralmente acordos de livre-comércio com a União Europeia, o Japão e os Estados Unidos.
Também critica a relação dos governos petistas com Cuba e seu afastamento da abordagem norte-americana sobre direitos humanos, sempre funcional para deslegitimar processos nacionais que fogem do controle da Casa Branca e se chocam contra seus interesses.
A linguagem melíflua mal esconde o propósito restauracionista. A verdade é que o programa tucano representa alternativa antagônica ao curso seguido por Lula e Dilma em política internacional.
A eventual eleição de Aécio Neves teria fortes consequências regionais, provavelmente abalando o atual desenho geopolítico latino-americano e enfraquecendo o diálogo sul-sul. Não é à toa a torcida descarada e pró-tucano das elites financeiras internacionais e seus meios de comunicação.
Os centros imperialistas de poder não querem outra coisa: o Brasil, novamente sem sapatos, facilitaria enormemente a manutenção de sua hegemonia planetária”
Parcela ampla dos leitores são pessoas que querem o melhor para si, para a própria família e também para todos os brasileiros. Portanto particularmente peço que atendam o reclamo e reflitam antes de sufragarem o nome do próximo Presidente da República no dia 26 de outubro.
Roberto J. Pugliese
Autor de Direito das Coisas – Leud, 2005.
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos – Letras Jurídicas, 2009.
 
 

domingo, 19 de outubro de 2014

Servidores públicos debocham do povo.


A tradição das elites brasileiras é a dominação sem limites.


 

Os magistrados ganharam a bolsa moradia liminarmente conforme decisão monocrática do Ministro Fux, já conhecido pelas manifestações polemicas e histórico de sua toga.

Mais uma vez a opinião publica está traumatizada. Perplexo e indignado o povo assiste a mais outra violência à sua passividade e boa fé.

 

O Conselho Nacional de Justiça, cuja finalidade é fiscalizar a administração do Poder Judiciário, acionado, decepcionou e aprovou a decisão. Num azougue de celeridade, estabeleceu limites: A bolsa não atinge os casados cujo cônjuge já recebe ajuda semelhante, os aposentados e os que estão afastados das funções respondendo processos. Determinou que a ajuda limita-se a quatro mil e trezentos reais por mês.

 

Decorre então que o magistrado da Comarca isolada nos confins do Amapá ou provido no centro urbano de Santa Catarina perceberá a mesma ajuda, em condições imaginárias como se fossem iguais os valores de alugueres e obrigações pertinentes. Inclusive quem reside em imóvel próprio.

 

Pasmem: Do outro lado da sociedade, patrícios lutam para sobreviverem com minguados salários irrisórios; outros em busca de solo para plantarem enfrentam jagunços, passam fome e frio sem reforma-agrária; homens, mulheres e crianças com a esmola de bolsa família e outras ajudas fantasiam suas ilusões; pescadores profissionais se valem do defeso, e perdidos há multidões de entorpecidos pela desesperança, que cruzam, sobem e descem em círculos intermináveis, iguais a zumbis sem eira e nem beira, que se quer podem se curar de vícios e explorações de traficantes.

 

Castas diferenciadas de servidores públicos, sem olhar ao lado, no entanto, ignoram a realidade de multidões. É a elite que não conhece o povo e o país. Personalidades das altas rodas da República que ao longo de quinhentos anos de despudorada exploração, fazem ouvidos de mocos, fecham seus olhos e indiferentes, aproveitam licenças prêmios e artifícios legais para divertirem-se no hemisfério norte à custa do erário e da miséria de contribuintes.

 

Servidor público é servus. Não é o senhor da sociedade a quem deve servir. As autoridades públicas fingem  desconhecer a realidade das massas anônimas que constroem a nação.

 

Servidor público deve respeito ao povo e ao povo deve prestar contas Até quando? Vale a reflexão: Até quando?

 

Antes os militares com suas baionetas e sadismo maluco torturavam e matavam indiscriminadamente, agora, com canetas, tráfico de influencia e artifícios  legais, é a alta estirpe de servidores públicos, fechada na sociedade de nababos, elitizada  em casta  indecente que, oficialmente  permanece explorando, matando e torturando inocentes desvalidos que imploram justiça.

 

. A farra dos privilégios das altas esferas políticas está traumatizando o povo cansado que busca justiça e paz social. A tradição das elites brasileiras é a dominação sem limites, ética ou vergonha. A história tem que mudar.

 

Roberto J. Pugliese
sócio do Instituto dos Advogados de Santa Catarina

Militares mataram e torturam também em Santa Catarina.


Santa Catarina sofreu prisões políticas.

 

 

Durante a ditadura militar foram realizadas 694 prisões políticas segundo a Comissão da Verdade Paulo Stuart Wright no Estado de Santa Catarina. Nesse número estão incluídos sequestros e assassinatos que se deram por agentes da ditadura em Santa Catarina.

 

Vergonha.

 

“ Além disso, foi constatado, através de perícia da Comissão Nacional da Verdade, o assassinato do ex-prefeito de Balneário Camboriú, Higino Pio (PSD), em 1969, nas dependências da Escola de Aprendizes Marinheiros, em Florianópolis - a maior conquista da comissão. A versão oficial é de suicídio. A documentação já foi enviada ao Ministério Público Federal indicando a punição dos responsáveis.

Além de Higino, único catarinense morto dentro do Estado, Santa Catarina teve outras nove vítimas fatais da ditadura - todos assassinados em outras regiões do país. Também durante o período, sete deputados estaduais, cinco federais, cinco prefeitos, um vice-governador, um desembargador do Tribunal de Justiça e dois juízes de Direito tiveram o mandato cassado. A comissão não conseguiu avançar na obtenção de dados relacionados ao desaparecimento de João Batista Rita e Paulo Stuart Wright.”

O Expresso Vida torna público seu repúdio aos militares covardes e violentos que durante o período que teve inicio em 1964 administrou o Brasil.

Roberto J. Pugliese
Presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos da OAB-Sc.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Retrato da realidade!!!


 
 
 
O Expresso Vida convida a ilustrada plateia a assistir o vídeo abaixo. Assista até o fim e reflita.
 
 
 


Abraços a todos,

Roberto J. Pugliese
pugliese@pugliesegomes.com.br
Presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos da OAB-Sc.

domingo, 12 de outubro de 2014

Palmerópolis, Gurupi, Joinville... ( memórias nº 103 )


Calha a fiveleta e outros pitorescos. ( memória nº103 )

 

Lourenço foi contratado para lecionar na FAFICH, escola de nível superior com sede em Gurupi, Tocantins e posteriormente, participou de concurso público e saiu-se vencedor assumindo a cadeira de Direito Civil para lecionar Direito das Coisas. Disputou a vaga com três outros candidatos.

 

A Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas mantida pela Fundação Educacional de Gurupi, FEG, pertencente ao Município atualmente integra a Universidade do Estado do Tocantins.

 

Àquela época Mundinho era professor de psicologia e presidente da fundação mantenedora e ocorreu movimento grevista dos professores na busca de melhores condições de trabalho, inclusive aumento salarial e outros direitos.

 

As assembleias dos professores grevistas se davam dentro da faculdade numa sala de aula com a presença de Mundinho, que agia na condição de professor grevista e fora da sala, como patrão titular da caneta que comandava a FEG.

 

Certo dia Lourenço combinou com os demais professores que iria agredir com palavras a presença do professor que agia contra os grevistas e permanecia no ambiente criando constrangimentos. Disse que iria desmoraliza-lo e que estaria posicionado bem longe e caso ele levantasse para tirar satisfações ou agredi-lo, os demais professores estariam atentos para segura-lo, evitando o confronto físico.

 

Lourenço discursou.

 

Pediu a palavra e aos professores falou que o Mundinho era um sujeito sem vergonha que agia nos bastidores contra aos interesses gerais e permanecia no seio dos grevistas ouvindo tudo, levando noticias ao prefeito municipal e que no fundo era um dedo duro.

 

- O professor se tivesse vergonha na cara, se fosse homem de bem, não estaria aqui...

 

Não aconteceu nada. O presidente da FEG permaneceu imóvel e como se não tivesse ocorrido nada, não se atreveu a responder ou a se defender. A solução foi decidida por proposta de Lourenço.

 

- Já que o professor Mundinho é um Calabar e não vai cair fora, doravante meu escritório passa a ser a sede do Movimento Grevista e lá, não permitirei a sua entrada.

 

(... )

 

Em Joinville Lourenço também lecionou Direito das Coisas por quinze anos. Também durante um ano, quando Lourenço Júnior foi aluno do 2º ano, lecionou Direito Constitucional. Durante esse período que esteve na Faculdade de Direito de Joinville, entidade particular de ensino superior, lecionou Direito Ambiental e Direito Notarial em cursos paralelos.

 

Como professor de Direito Civil por anos seguidos foi convidado a orientar alunos em monografias de Trabalhos de Conclusão de Curso. Por ano seguia em torno de sete alunos, chegando a orientar dez alunos em alguns anos. Nessas ocasiões, como professor orientador participava da banca examinadora e recorda-se de pitorescos dos mais variados.

 

Numa delas o aluno houvera colado o trabalho inteiro. Pegara da internet e simplesmente colara sem ter noção do que estava falando, lendo ou explicando, aliás muito mal explicado. O aluno copiara o trabalho.

 

Lourenço questionou:

 

O que vem a ser calha a fiveleta? E o aluno mudo disse não saber o que se tratava. Então um dos integrantes da banca mostrou a todos que era um termo posto no trabalho e que revelava o quanto o aluno desconhecia pois não fizera o trabalho, não fora o autor da obra.O mesmo professor que integrava a banca examinadora mostrou a fonte da cola que o aluno fizera, desmoralizando-o publicamente.

 

Noutra ocasião o aluno desconcentrado por não saber responder as perguntas, diante da família que assistia a sessão solene, foi inquirido e revelou-se merecedor da reprovação, até porque a autoria do trabalho fora comprovadamente revelada ser de outrem, por se tratar de cópia.

 

Lourenço, o presidente da mesa, levantou-se e começou a discursar e sem saber como decretar a reprovação, pois o aluno estava na presença dos filhos, esposa, mãe. Lourenço não parava de falar e enrolar, sem ir ao ponto certo. Numa das orações, foi interrompido pelo professor Mauro, outro integrante da mesa, que pediu licença e a palavra, concedida por Lourenço, e estampou firme e em bom som:

 

- O senhor está reprovado. Colou. Não é o autor do trabalho. (...)

 

Em seguida Lourenço declarou encerrada a sessão.

 

Lourenço também lecionou na Faculdade Paulista de Direito, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Por dois anos foi assistente do titular de Introdução à Ciência do Direito, professor Franco Montoro, então Senador da República. E por dois anos lecionou na Faculdade de Direito da cidade de Jaraguá do Sul, onde fora contratado para lecionar Direito das Coisas.

 

Com frequência Lourenço tem proferido palestras abordando temas jurídicos e políticos. Tem viajado bastante com esse fim.

 

Certa vez, à época que era presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em Gurupi e professor de Direito das Coisas, na Fafich, foi convidado à ministrar palestra abordando direitos humanos na cidade de Palmerópolis, distante quase 300 km.
 
 
 
 


 

A palestra seria numa solenidade do Lions Clube à noite, em um sábado qualquer, que coincidia com algum festejo local. Palmerópolis é uma pequena cidade no sul do Tocantins, e àquele tempo, a estrada de terra, sem sinalização fazia com que a viagem fosse cansativa e demorada.

 

Lourenço chegou no meio da tarde acompanhado de seu amigo Lourival, advogado que também trabalhava no seu escritório. Uma vez hospedados no único hotel da cidade, após descansarem um pouco, aprontaram-se e seguiram de terno à pé para o local do evento.

 

Ambos traziam às mãos algum livro ou código e foram abordados no caminho por um casal que respeitosamente questionou:

 

- Os senhores são os novos pastores que foram transferidos para cá?

 

Em pleno sábado ao anoitecer, dois desconhecidos caminhando à pé pela cidade, trajando paletó e gravata, com livros nas mãos... Só poderiam ser ministros religiosos caminhando para o culto do final de semana.

 

Roberto J. Pugliese
Consultor Nacional da Comissão de Direito Notarial e Registral do Conselho Federal da OAB.

Secretária condenada por se apropriar de valores do patrão.


Justiça condena secretária por apropriação indébita.

 

 

O Expresso Vida publica fato que aconteceu em Goiás.

TJGO – Secretária de escritório de advocacia é condenada por apropriação de dinheiro de clientes

6 de outubro de 2014

A secretária Georgeth dos Santos Lima foi condenada por se apropriar de mais de R$ 13 mil que seriam repassados aos clientes de um escritório de advocacia. Os valores eram referentes a acordos celebrados em processos trabalhistas e, entre as funções da acusada, estava, justamente, a entrega das parcelas a eles. Ela teria falsificado recibos e assinaturas para desviar o dinheiro. A pena de um ano e quatro meses de reclusão foi transformada em prestação de serviços à comunidade, na proporção de uma hora para cada dia de condenação, segundo sentença do juiz José Carlos Duarte, da 7ª Vara Criminal de Goiânia.

Em defesa, Georgeth negou ter ficado com os valores: ela alegou que foi coagida a desviar o dinheiro durante o pouco tempo em que trabalhou no escritório Célio Simplício e Advogados, no Setor Central, entre setembro de 2003 e maio de 2004. Contudo, assim que foi descoberta a fraude, a secretária foi demitida, conforme apontam documentos nos autos – o que contribuiu para que a argumentação da defesa fosse rejeitada. Os clientes foram, inclusive, ressarcidos integralmente pelo escritório.

Para o juiz, ficou comprovada a conduta ilícita, com base na análise de documentos e testemunhos de pessoas que trabalharam com Georgeth. “Após análise detida das provas carreadas aos autos, tenho que a acusada valeu-se do ofício que exercia para, desta forma, apropriar-se dos valores. Os elementos colhidos na instrução foram claros ao delatar, com suficiente precisão, a conduta delituosa”.

Além disso, o magistrado verificou que a mulher agiu com livre consciência e noção da gravidade de suas atitudes. “O simples temor hierárquico ou a possibilidade da perda do emprego não se revelam como ameças irresistíveis, hábeis a levar a acusada a assumir a prática do delito, cujas consequências, por sinal, são muito mais graves”.

Consta dos autos que a secretária tinha amplo acesso às pastas e à documentação dos clientes. Como muitos dos acordos eram pagos em parcelas, ela pedia para eles assinarem dois recibos – um para levarem, outro para ser anexado aos autos. De posse da assinatura, ela mentia ao escritório que eles já tinham recebido o dinheiro da segunda parcela e os embolsava. Foi constatado, também, que Georgeth falsificava assinaturas e vistos, depois comparados aos originais. A apropriação foi constatada assim que muitos dos impetrantes reclamaram da quantia recebida. (Processo Nº 200901173597) (Texto: Lilian Cury – Centro de Comunicação Social do TJGO)”

A decisão é de grande importância. Falta de punição no país está levando milhões de brasileiros a desacreditarem nas instituições.

Roberto J. Pugliese
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos da OAB-Sc.

 

( FONTE: TJGO )

Jornalismo comprometido.


Não saiu na grande imprensa.


Como é sabido, a grande imprensa jornalística brasileira só publica o que convém aos próprios interesses e assim, fica subordinada principalmente aos caprichos do lucro do capital internacional.

 

Nesse sentido publicar condenação judicial por concessionária de rodovia que anuncia nos veículos de comunicação social do grupo RBS fica difícil...

 

O Expresso Vida busca a nota no Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina e divulga:

 

“ TJSC – Concessionária pagará danos materiais a condutor por choque com bovino na pista


A 3ª Câmara de Direito Público confirmou a obrigação da Autopista Litoral Sul em indenizar um motorista por danos materiais, no valor de R$ 13,5 mil. Em dezembro de 2009, ele trafegava pela BR-101, em Araquari, no norte de Santa Catarina, e colidiu com um bovino que invadira a pista. Na decisão, a câmara reconheceu a responsabilidade da empresa em vigiar a estrada e mantê-la segura e livre da presença de animais.

Em apelação, a autopista defendeu que a responsabilidade pelo acidente é do proprietário do animal, e disse não ser aplicável o Código de Defesa do Consumidor. Alegou, ainda, culpa exclusiva da vítima, que teria avistado o bovino sobre a rodovia e não evitou o abalroamento; ao final, pediu a readequação dos honorários. Para o relator, desembargador Cesar Abreu, não ficou comprovada a culpa de terceiro ou mesmo da vítima.

O magistrado considerou, também, os fatos citados na sentença, de que a autopista não comprovou fiscalizar regularmente a estrada. “Além disso, é evidente que, caso a apelante localizasse o proprietário do animal que causou o acidente, poderia ajuizar a competente ação regressiva contra ele. Contudo, isso não exime a responsabilidade da concessionária para com os usuários da rodovia. Não cabe ao usuário buscar a identificação do proprietário do animal, dado que, para ele, a responsabilidade é da concessionária da rodovia [...]“, finalizou Abreu.

A ação tramitou na comarca de Itapema, e a decisão apenas adequou o valor dos honorários sucumbenciais (Apelação Cível n. 2013.046649-7).”

A imprensa brasileira de um modo geral é comprometida e não é confiável.

Roberto J. Pugliese
sócio titular do Instituto dos Advogados de Santa Catarina

sábado, 4 de outubro de 2014

Colégio Arquidiocesano de São Paulo.( memórias nº102 )


Memórias nº 102

Recordações dos tempos do ginásio.

 

O Colégio Arquidiocesano de São Paulo da congregação dos Irmãos Maristas, situado num imponente prédio próximo à Igreja da Saúde, à Avenida Domingos de Moraes, foi marcante na formação de Lourenço.
 
 
 


 Símbolo Maior: Edifício Altino Arantes.

Ingressou no 4º ano primário, cursou o Admissão, ou 5º ano Primário, por não ter conseguido ingressar direto no Ginásio e cursou todo o Segundo Grau até sair para ingressar no Colegial no Instituto Mackenzie, no qual matriculou-se no Curso Clássico, então existente,diferenciado do Curso Científico, com enfoques distintos.  Nessa época, talvez 1959, conheceu Correa, e logo a seguir Antenor, cujas amizades ainda cultiva com alegria e saudades. Lá se vão mais de cinquenta anos.

 

Correa torcedor do São Paulo Futebol Clube muitas vezes o levou ao Pacaembu para assistirem jogos, junto com o seu tio e padrinho Pedro, também são paulino. Certa vez assistiam na arquibancada do velho Pacaembu, ao tempo da charmosa Concha Acústica, uma peleja entre o tricolor e o Esporte Clube Corinthians e por muito pouco o tio Pedro não foi às vias de fato com um torcedor adversário. Discussão feia que Lourenço nunca esqueceu.

 

Correa morava perto de sua casa. Uns três ou quatro quarteirões separavam as duas residências. Lourenço na Senna Madureira e Correa na Professor Frontino Guimarães, uma alameda frondosa, sem saída, onde costumavam jogar futebol num larginho... Também jogavam taca.

 

Na casa do amigo, por longos anos, Lourenço participou de campeonatos de botão, o tradicional futebol de mesa, tão jogado pelas crianças e jovens daqueles anos. Havia o  “quartão”  nos baixos, espécie de dispensa  ou porão, onde entre bicicletas, brinquedos e um montão de trecos da família, as paredes eram enfeitadas por fotografias de cavalos e de charretes.

 

Correa chegou a convida-lo para irem  à Sociedade Paulista de Trote, assistirem corridas que à época eram aos domingos e quintas feiras à noite. Porém nunca cumpriu a promessa. E nem irá cumprir, porque a entidade fechou. O Dr. René, o pai do amigo, cientista na área veterinária, era proprietário de um laboratório veterinário e dava assistência a equinos e outros animais. Recorda-se que o laboratório era então numa casa nas proximidades. Uma pequena casa à Rua Joaquim Távora, que se transformou num complexo de proporções ímpares instalado na região metropolitana da capital.

 

Eram sócios do Tênis Clube Paulista e chegaram a ir juntos algumas vezes. Passavam o dia por lá. O pai de Lourenço levava e voltavam à pé, no final da tarde.  Caminhavam desde à rua Nilo na Aclimação e sem muita pressa, galgavam a rua do Paraíso, a íngreme subida em direção à fábrica de cervejas e seguiam pela avenida Domingos de Moraes...

 

Correa  era sócio do Hotel Miami do Sul, erguido nas proximidades da Cama de Anchieta, na Praia dos Sonhos, em Itanhaém. Mas chegou a hospedar-se em algumas oportunidades durante algumas semanas durante as férias escolares na casa de Lourenço.

 

Ao tempo que Lourenço residiu junto à Vila Clementino, à hoje movimentadíssima avenida Senna Madureira,  era apenas projeto em construção, pois uma das vias àquela época não havia sido pavimentada. Nos dias de chuva, aproveitava a lama e a enxurrada para construir barragens.

 
 
 
 Estádio Paulo Machado de Carvalho em construção. Durante 10 anos foi o maior do país.

Recorda-se que eram suas vizinhas duas gêmeas que vieram de Lins: Lúcia e Lígia, que ficavam na janela vendo os jogos de futebol que praticavam no quintal existente nos fundos da casa. Tem bem vivo na mente quando numa tarde de algum dia de novembro, sua mãe saiu da cozinha e disse para a criançada que brincava no quintal:

 

- Mataram o presidente Kennedy.

 

As meninas, que acompanhavam o movimento do quintal, falaram qualquer coisa e desapareceram...

 

Próximo a sua casa havia uma biblioteca pública municipal, na qual com certa frequência Lourenço ia estudar geografia política ou história, fugindo das aulas de física, matemática, biologia e outras chatices, ministradas no Colégio. Na biblioteca viajava nos seus pensamentos lendo mapas e atlas do Pe. Geraldo Azevedo ou livros didáticos da história de São Paulo e do Brasil. Também nas imediações havia o Museu Lasar Segall que visitou algumas vezes.

 

Entre o Arqui, abreviação carinhosa do  Colégio referida pelos seus quase três mil alunos,  e a biblioteca da Senna Madureira, residia   Antenor, um dos filhos de uma família bem grande. Maria Cristina, Gil, Roberto, Geraldo, Maria Helena eram os irmãos do amigo... Eram de Araraquara e sócios do Ipê Clube. O pai ao tempo que estudavam juntos era  presidente do Conselho Federal de Farmácia e pessoa de muito respeito e autoridade. A família residia numa vila, junto à Rua Diogo de Faria, próximo ao Liceu Pasteur.

 

Não acompanhavam futebol. Eram fãs de basquete e recorda-se bem que àquela época Amauri, Sucar e outros grandes jogadores despontavam. Lembra-se bem que muitas vezes assistiu Roberto, Gil e o Antenor batendo bola nas quadras do Arqui.

 

Foi na casa do Antenor, na sala de visita que Lourenço começou a se simpatizar com o novo ritmo musical que tomava conta do mundo: A bossa nova. Lá manteve contato com Manfredo Fest, Paulinho Nogueira, Ed Lincoln e outros tantos através de long plays dos irmãos do amigo.

 

Quando o então presidente Charles De Gaulle esteve no Brasil  foi ao Liceu Pasteur, colégio de origem francesa, situado nas imediações, entre a casa da família Landgraf e de Lourenço. O  professor Meyer, então era o diretor,por coincidência, o pai de seu amigo, Alexandre, que morava em Santana, bairro bem longe, na zona norte da Capital, que também frequentava Itanhaém. Lourenço ainda  priva da amizade do velho amigo, cuja mãe e alguns tios participaram ativamente da Revolução de 1932. Coincidência também que Lourença, sua mulher, quando criança, residindo também no bairro de Santana, foi aluna da mãe do Alexandre, quando estudou no colégio de freiras na qual dona Guiomar era professora.

 

Numa grande capital, então com seus cinco ou seis milhões de habitantes chama atenção essas coincidências.

 

Antenor, Correa e Lourenço sempre iam ao Liceu Pasteur ver as meninas que frequentavam aquele colégio que era misto. Meninos e meninas juntos na mesma escola e na mesma sala, situação rara e invejada. Com frequência razoável deixavam de lado as aulas maçantes de física, química, biologia e principalmente matemática e gazeteavam nos arredores do Liceu Pasteur ou do Colégio Rosário, também nas imediações, pertencente à freiras onde só estudavam meninas.

 
 

 

 


 

Lourenço recorda-se que foi na capela do Colégio Arquidiocesano que foi Crismado por um dos bispos auxiliares da diocese de São Paulo e que certa vez, junto com todos os professores e alunos convocados para a solenidade oficial, ficou perfilado por horas no pátio interno, junto à gruta de Nossa Senhora de Fátima,  aguardando o presidente Janio Quadros que fora visitar o irmão Amandino, seu ex professor e conferir-lhe a Ordem do Cruzeiro do Sul...

 

O Presidente da República estudara no Colégio do Carmo à época que Lourenço Pai também estudou e foram alunos do referido Irmão Marista, bem velhinho ao tempo dos estudos de Lourenço. Um velhinho que já estava aposentado e não mais lecionava.

 
 Colégio Arquidiocesano de São Paulo

Interessante e inesquecível, talvez para todos que estudaram por anos em Colégio Marista é a comemoração do dia 6 de junho. No mundo inteiro há festividades nesses estabelecimentos de ensino em homenagem ao fundador da congregação, o hoje santificado Marcelino Champangnat. Nesta data era feriado escolar, com diversas atividades esportivas, culturais e de laser, com presença obrigatória e alta frequência de professores e convidados.

 

Também uma vez por ano o Colégio promovia excursão à Chácara dos Maristas, situada junto a uma das represas, próximo à via Anchieta. Lembra-se que Antenor  ficava bem atento aos bichos engaiolados criados pelos Irmãos e caseiros daquela chácara. Também se entretinha com as plantações existentes.

 

No mês de Junho ou Julho também anualmente era promovida uma festa caipira, com uma fogueira que era acesa no pateo interno, com altura considerável. Barraquinhas,danças típicas, sorteios e todo o fuzuê típico desse evento tradicional. 
 

Estudou durante quatro anos com  Antenor. Eram colegas de classe e geralmente iam juntos de castigo, por uma ou por outra razão pertinente. Lembra-se bem que entre os professores havia o Sebastião que falava com sotaque nordestino  e lecionava português;  o Serafim, cujo filho também estudava por lá era professor de geografia e todas as tardes havia aula de religião. Foi aluno do Irmão Leão, do Irmão Francisco Dematé, tio de um rapaz que anos depois foi seu aluno em Joinville; também do irmão Getúlio e Irmão Aristides. Irmão Caetano e irmão Isidoro também eram professores...

 

O professor Hudson, de educação física, esteve com Lourenço em 2005. Ao lançar o Direito das Coisas, livro que compilou as aulas que lecionou na Faculdade, fez questão de procurar seus professores e convidar para a sessão de autógrafos, e o velho Hudson foi localizado e compareceu com a mulher. Foi um acontecimento à parte, já que muitos dos convidados haviam sido seus alunos, inclusive seu irmão, que ao tempo do colégio, teve muita participação e estreitara amizade com o professor. Carlos Lourenço então aplicado desportista era ginasta e bastante dedicado nos estudos e na prática esportiva.

 

O professor Bragato, outro professor daquela época, com deficiência visual, usava  elevado grau nos seus óculos e perceptível a dificuldade que tinha para visualizar longe. Quando terminavam as aulas no Arqui  tinha que tomar às pressas condução para o Cambuci, bairro mais ao centro da Capital, onde lecionava no Colégio Glória, também dos Maristas.

 

O ônibus  que o conduzia para as aulas da noite se assemelhava ao que Lourenço tomava as vezes para sua casa. Branco com alguma tonalidade rosa ou vermelha desbotada, ambos talvez da mesma empresa, seguiam destinos diferentes: Um seguia a avenida em direção à Lins de Vasconcelos e de lá, Aclimação e Cambuci e outro, virava para a Vila Clementino e seguia em diração do Ibirapuera.

 

Não foram poucas as vezes que Lourenço induziu o professor ao equivoco, fazendo com que ao perceber o engano ficasse abatido e nervoso, buscando descer e trocar de condução... Lourenço provavelmente encontrava nessa situação a forma de vingar-se das aulas e exposições de fotossínteses, Mendel e outros temas bem distantes de seu interesse. Aulas de biologia que também não gostava...

 

Próximo ao colégio havia uma pequeníssima bodega de um turco que vendia esfihas abertas e cigarros avulsos para as crianças que fumavam escondidos.

 

São inúmeras as histórias e as recordações que guarda com muito carinho e saudades do colégio e de seus colegas daqueles anos que seguiram até 1965. Sem preocupação e no desfrute de uma cidade então elegante e promissora, onde todos os dias o guarda civil, com o seu tradicional terno azul marinho e luvas e chapéu branco, com educação e galhardia ajudava os alunos atravessarem as duas pistas da Avenida Domingos de Moraes, cujo canteiro central era destinado aos bondes.

 

Bons tempos ! Bons tempos distantes e inesquecíveis.

Roberto J. Pugliese
Titular da cadeira nº 35 da Academia São José de Letras.
Consultor da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos do Conselho Federal da OAB.