21 fevereiro 2012

Radicalização tradicional - MP recomenda fechar o Beco da Lama.

Beco da lama, Carnatal e a atuação seletiva da promotoria do meio ambiente


O Beco da lama, lugar de grande efervescência cultural da cidade, está com os seus dias contados. Alegando a existência de abaixo assinado por parte de moradores incomodados com a poluição sonora gerada pelos shows, a promotora Rossana Sudário acaba de recomendar a SEMURB o fim dos eventos no local.

A sumária decisão contra o Beco – justa se estiver infringindo a lei – reflete, entretanto, atuação “seletiva” por parte da promotoria do meio ambiente.Os shows do Beco da Lama, conforme seus organizadores, terminam às 23:00hs. Se comparados as algazarras promovidas por alguns bares da Av Prudente de Morais, poderiam ser considerados festas para recém-nascidos. Moradores daquela avenida, porém, lutam há mais de dois anos contra a barulheira em vão.

Por outras palavras: O Beco da Lama vai pro brejo !

A sociedade brasileira, de Manaus ao Rio de Janeiro, de Floripa a Recife é bastante e excessiva conservadora. As autoridades, fruto de classe média conservadora, como no caso dos órgãos do Ministério Público e da Justiça, igualmente culturalmente igualmente são conservadores, portanto toda iniciativa que se diferencia, sofre medidas restritivas.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
( colhido da Carta Potiguar )

Redivisão territorial brasileira: necessidade imediata.

Nova divisão territorial, política e administrativa do
Brasil.

Os
eleitores do Estado do Pará participaram recentemente de consulta plebiscitária
para definir o seu desmembramento em mais dois Estados: Carajás e
Tapajós. Polemica, debates e discussões nas quais interessados, interesseiros e
manifestações conservadoras com argumentos contrários à divisão enfrentando os
separatistas através dos mais diferentes meios publicitários. Assunto que
desgastou lideranças, artistas, atletas e estirpe de paraenses espalhados pelo
país.

Os grandes grupos jornalísticos, sem escrúpulos, se manifestaram claramente
contra a divisão territorial. Apoiaram o status
quo, em sintonia com as estruturas arcaicas que gerenciam o Pará e o
Brasil.

Descentralização
política, desconcentração administrativa, distribuição de renda
tradicionalmente tem sido tema de discursos demagógicos eleitoreiros que não se
concretizam na prática.

Pela
análise das regras constitucionais percebe-se que o desmembramento territorial
é difícil, pois a votação abrange a área integral do Estado, de modo que, dada
a concentração de poder, renda, populacional, estrutural e outras pertinentes
já consolidadas, a ponto de provocarem o pleito divisionista, a manutenção do estatus em detrimento dos interesses
regionais prevalece nas urnas.

Dividir,
redividir e desmembrar o país é necessário e já não é sem tempo. Somos duzentos
milhões para habitar quase nove milhões de quilômetros quadrados espremidos no
litoral, com grandes aglomerações no sul e sudeste, deixando o interior vazio.
O desenvolvimento brasileiro, mal distribuído, se evidencia onde o Poder
Público está mais próximo: Centralizado.

Longe do mar, o Brasil é vazio e não se faz presente, com abnegados cidadãos
esquecidos sobrevivendo em péssimas condições sociais.
O ser humano é a principal preocupação do Estado, como assinala a Magana Lei
desde seu preambulo e pelo texto a dentro. E para que haja distribuição melhor dos índices de
desenvolvimento humano necessário que o Estado, seus Poderes e desmembramentos
orgânicos estejam presentes em todas as regiões. Grandes extensões geram
distancias, que provocam a ausência de condições indispensáveis para que os
agentes públicos atuem.


Essa
aparente inércia estatal e de seus Poderes é nociva, perigosa e ineficaz. Falta
policia, educação, tributação, saúde, ciência e tecnologia, comunicação social,
transportes adequados, energia e tantos serviços e investimentos públicos que o
brasileiro dessa interlandia esquecida sente falta do Brasil.
Tempos atrás a Província do Grão Pará abrangia quase toda a Amazônia e foi
sendo desmembrada ao longo do tempo. Primeiro o Amazonas, depois o Amapá e o
progresso, mesmo pontual e localizado, paulatinamente, se espalhando. Curitiba
era a quinta Comarca da Província de São Paulo, que desmembrada, se tornou o
próspero Estado do Paraná.

No mesmo passo, Tocantins e o Mato Grosso do Sul com
pouco tempo já se destacam na economia como exemplos contemporâneos do
desenvolvimento.

A
redivisão política e administrativa permite que a atuação estatal se faça
presente, com a ações céleres e imediatas, quando até então eram demoradas. Os
Poderes Públicos se aproximam das necessidades regionais, concretizando os serviços então inexistentes
consoante termos próprios e adequados, a
par de gerar decisões administrativas e politicas verdadeiramente democráticas.

Surgem, consequentemente, despesas, diante da geração de empregos e novas
atividades funcionais. Investimentos técnicos e financeiros indispensáveis a
implementação da nova unidade política, os quais trarão à qualidade de vida almejada, primeira razão e
o objeto principal do Poder Público.

A União, os Estados e os Municípios não
são baús nos quais se guardem pedras preciosas, outrossim, os responsáveis pela
manipulação dos recursos cuja destinação é o bem comum para que de modo
equânime o bem estar e a felicidade se concretize.
Nesse imenso Brasil, todos os cantos, ocupados ou não, devem ser assistidos
pelos agentes, órgãos, repartições, empresas, fundações e repartições públicas,
propiciando condições para melhor qualidade de vida e inibindo fluxos
migratórios internos decorrentes da ausência estatal latente e histórica.

A
redivisão territorial, administrativa e politica concretizada permitirá
mais eficiente e democrática a
representação popular que a pretendida implantação do voto distrital, visto que pela fórmula idealizada o voto distrital haverá de excluir
da representatividade, partidos políticos que são frutos de segmentos menores
da sociedade, concentrando poderes de segmentos sociais predominantes, excluindo as minorias, castrando a proposta
constitucional da efetivação prevista no seu texto.

São
inúmeras as propostas de desmembramentos que circulam no Congresso Nacional,
propondo criação de territórios federais em zona de fronteira e novos Estados federados. Discute-se nos bastidores criar o Estado do
Ribeira, no litoral sul de São Paulo; o Gurguéia, dividindo o Piauí, o
Triangulo, o Maranhão do Sul, o São Francisco, o Iguaçu, com terras do oeste
catarinense, enfim, promover as reformas estruturais para implementar-se o
verdadeiro desenvolvimento sócio econômico abrangendo toda a sociedade e os
rincões esquecidos.

Concluindo:
É preciso repensar e com desprendimento
e visão mais abrangente, iniciar as tantas reformas necessárias para
consolidar-se um país melhor,
desenvolvido e justo, tendo a coragem de enfrentar a discussão de sua redivisão
territorial.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Da propriedade particular nas ilhas
brasileiras

Com extenso litoral que o guarnece o Brasil é repleto de ilhas
que se apresentam para todos os gostos. A começar da pitoresca Marajó, parte na
foz do rio Amazonas e parte no Atlântico, com suas fazendas de criação de
búfalos, diversas vilas e vários municípios urbanizadas.

Algumas distantes da orla com áreas ínfimas, que se confundem
com rochedos, de difícil acesso humano,
habitadas apenas por aves, como se dá com a do Castilho, no litoral de
Cananéia... Outras são reservas administradas por órgãos ambientais, enquanto
outras, em face de relevância de valores históricos, se encontram tombadas e
são administradas por universidade, como a de Anhatomirim em Governador Celso Ramos.

A Queimada Grande, um rochedo enorme, onde habitam milhares de
serpentes venenosas, nas proximidades de Itanhaém trata-se de criatório do
Instituto Butantã, e a Ilha Vitória, no arquipélago de Ilhabela, mesmo pequena
e distante da costa, é habitada há várias gerações por caiçaras que vivem da
pesca.

Algumas ilhas são badaladas e estão em baias, como a de Paquetá
ou a do Mel, outras são parques estaduais ou marinhos ou estão situadas em
áreas assim consideradas, como a do Arvoredo e a de Fernando de Noronha.

Ser proprietário de uma ilha, independente do tamanho, distancia
da costa ou topografia, é para aqueles que amam a natureza, querem privacidade
e gostam do convívio e proximidade do mar o grande sonho de consumo. Não interessa detalhes: Sendo ilha, tendo
praia, sol e solidão... é o que vale.

No entanto, dita a Constituição Federal que as ilhas marítimas e
oceânicas pertencem a União. Ou seja: Não são particulares. Não pertencem a
empresas ou pessoas físicas.

Ordinariamente as ilhas são ocupadas clandestinamente e permanecem na posse oculta de intrusos até
que a União perceba e ultime a reintegração de posse, ou estão licenciadas em
favor de particulares.

Assim, nesta última hipótese, a licença se dá a pedido do
interessado que após procedimento administrativo recebe o título de ocupação
temporário e, mediante pagamento anual, passa a exercer com exclusividade a sua
posse, ou lhe é concedido o aforamento, cujos efeitos são mais consistentes e
menos fragilizados.

As ilhas que abrigam sedes de municípios, como a Ilha Comprida,
a de Santa Catarina, a Ilha de São Vicente e tantas outras, permitem que o
próprio Município, o Estado, a União e particulares adquiram a propriedade de
parcela de seu território, de forma a
existir nesses territórios prédios particulares. Nas demais, o domínio sempre
será da União, salvo se for alienada, como admite a lei 9736 de 15 de maio de
1998, pela própria União.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
Aforamento

O instituto
da enfiteuse foi largamente usado pelos Poderes Públicos. Os Estados sempre se
valeram do aforamento, notadamente na região centro oeste e nordeste do país,
para concessão de terras e posteriormente alienações em definitivo.

Os
Municípios com freqüência valem-se deste instituto. Observa-se
que, em especial nos Municípios mais antigos, que o centro urbano, tem as terras
pertencentes ao patrimônio municipal, aforadas a particulares, que por
obrigarem-se ao pagamento de pensões ínfimas, contratadas há centenas de anos,
raramente resgatam o aforamento para consolidarem o domínio.

S.Vicente,
Cananéia, Iguape, no Estado de S. Paulo; S. Francisco do Sul e Laguna, em Santa
Catarina, Paranaguá, Antonina, Guaratuba no Paraná, ou Paraty no Rio de Janeiro,
são exemplos de cidades que até hoje mantém vivo o instituto, regrado atualmente
por normas de direito administrativo, que se lhe aplicam.

Interessante, o
registro de que na cidade de S. Paulo, na região da Vila Clementino e
adjacências, próxima a Vila Mariana e o parque Ibirapuera, os imóveis se
apresentam nesta condição jurídica. Com a entrada
em vigência do Código Civil em 11 de janeiro de 2.003, não se permite mais aos
Estados, ao Distrito Federal, Territórios e Municípios a instituição de
aforamentos, ainda que regrados por normas de Direito Administrativo e
legislação próprias, editadas pelas respectivas unidades políticas.

Isso porque
o instituto é de natureza civil, e a competência para sua legislação é exclusiva
da União. ( sic artigo 22,I da Constituição Federal )De outra
parte, em relação aos imóveis pertencentes a União Federal a revogação oriunda
do Código Civil não lhes atingiu, pois legislação especial, regula o aforamento
desses prédios, que ao contrário do que informam a quase totalidade dos
doutrinadores, não se limita apenas aos terrenos de marinha.

Todos os prédios
federais estão sujeitos ao regime jurídico que tem fundamentação no artigo 49 do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Atente-se que a norma referida
não proíbe a legislação federal regular o aforamento dos prédios pertencentes a
União Federal, motivando assim, a edição da Lei 9.636 de 13 de maio de 1998 que
estabelece as normas para esse fim.Sendo os
imóveis da União Federal regulados por legislação especial de natureza pública e
ordem administrativa, caberá aos administrativistas desenvolverem sua doutrina,
sem fugir, obviamente, aos princípios de Direito Civil, colhidos da doutrina e
demais fontes, que subsidiam a legislação novel.

Enfim, sempre
lembrar que na costa brasileira e em suas ilhas ao longo do litoral, onde estão
situados os municípios mais antigos, o instituto é largamente e tradicionalmente
usado pelos Poderes Públicos e pelos particulares.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
( publicado no Jornal Correio do Litoral, de Guaratuba,Pr. )

Chuva alaga interior do Acre - Tragédia.

Cheia no Estado do Acre assusta.

Nível do Iaco sobe mais 26cm em Sena Madureira, interior do Acre.

Conforme dados da Defesa Civil, nessas
últimas 24 horas a cheia do Iaco foi na ordem de 26 centímetros.
52% da cidade já foram atingidos pela
alagação.
Em 17,18 metros, o nível das águas do
Rio Iaco já é o mais elevado dos últimos sete anos, segundo a Defesa Civil do
município.
Em 2005 quando foram desabrigadas 45
famílias, a régua chegou a medir 17,01 metros. Diante dessa situação adversa, o
prefeito Nilson Areal (PR) decretou na tarde de ontem situação de emergência em
Sena Madureira.
A enchente tem afetado ainda algumas
comunidades da zona rural. Nesses locais, as plantações estão encobertas pelas
águas. Pelo levantamento, as comunidades Boa Esperança, Gleba São Jorge,
projeto de assentamento Wilson Lopes, comunidade Paris, Boca do Iaco, entre
outros são as mais atingidas.
O número de famílias desalojadas pela
cheia do rio é superior a 130

Roberto J. Pugliese ( informações de Gazetanet - de Rio Branco, AC )
www.pugliesegomes.com.br

20 fevereiro 2012

Carnaval no Rio entre o Samba e o lixo no pé !

Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, cheia e problemas insolúveis. !


O lixo gerado pelos foliões, blocos e escolas de samba é um dos maiores problemas do Carnaval do Rio de Janeiro. Faltam campanhas de conscientização e, sobretudo, mudança de comportamento das pessoas.Nos últimos anos, acompanhando de perto a ascensão da maior e mais esperada festa popular brasileira no Rio de Janeiro, especialmente o Carnaval de rua, constata-se o aumento dos problemas ocasionados pelo evento, principalmente no que se refere à poluição e falta de conscientização da população e das autoridades locais.

No Carnaval de 2011, por exemplo, o Rio lançou uma campanha contra o xixi na rua, que resultou na prisão de 777 foliões, entre homens e mulheres, que urinavam pelas ruas e praças da cidade.As autoridades afirmam que a população precisa se conscientizar e urinar no lugar certo, mas estas mesmas autoridades precisam também aprender a mensurar suas demandas.

Em 2011, havia filas intermináveis nos 13 mil banheiros químicos espalhados pela cidade, com uma média de 375 pessoas para cada banheiro. Em 2012, a organização promete apenas 2 mil banheiros a mais que no ano passado, mas desta vez serão itinerantes, ou seja, vão se movimentar junto com os blocos para facilitar o acesso dos foliões.Além das plumas e paetêsCaminhões recolhem lixo após passagem da Banda de Ipanema na Av. Vieira SoutoDurante o Carnaval, neste ano haverá novamente a campanha contra o xixi na rua, além de outras, como a de prevenção do HIV/AIDS, contra o preconceito e também outra para estimular a doação de sangue. Mas não haverá uma única campanha que incentive a população a não levar para as ruas garrafas de vidro ou qualquer outro objeto que provoque acidente, a evitar desperdícios e a estimular a criatividade de reuso das fantasias de carnavais anteriores.

Nem todos sabem que as escolas de samba reciclam ou reutilizam muitos materiais utilizados nos desfiles de carnavais anteriores, embora façam isso mais por uma questão econômica do que ambiental. Por mais que o foco seja a redução de custos, esse é um exemplo que deve ser difundido através de campanhas, pois em longo prazo pode despertar na população o interesse por assuntos referentes à sustentabilidade e ao consumo consciente.A prefeitura não esconde que deseja frear o crescimento do Carnaval carioca, mas os organizadores deveriam perceber que os problemas encontrados na organização desse evento servem como um preparo para eventos maiores que estão por vir, como a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Está na hora do Rio de Janeiro se preocupar com outras coisas além das plumas e paetês.

(Bruno Rezende é autor do Blog Coluna Zero, vencedor do Prêmio Tópico Especial Mudanças Climáticas, no concurso internacional de blogs da Deutsche Welle The BOBs, em 2010.Autor: Bruno RezendeRevisão: Carlos Albuquerque - Colhido do sítio eletronico Associação Brasil Alemanha )

A ÉTICA DO BARBEIRO !

Minha segunda e última crônica no Caderno
Donna do Jornal Zero Hora de hoje, enquanto eu substituía as férias da Martha
Medeiros. ( colaboração do blog FILOSOFIACINZA )


Uma das características de uma megalópole como São Paulo é seu estranho
caráter de província. Cada bairro é uma pequena cidade do interior com seus
personagens folclóricos, suas fofocas típicas, a maledicência como constante e,
para quem se apercebe disso, aquela vontade de fugir que surge como consciência
infeliz de morador interiorano. A diferença entre as cidades não é o seu
tamanho, mas a velocidade que elimina o tempo, que é o esconderijo do
inominável.

O destino é feito de ironias e quem foge de uma cidade pequena pode acabar
caindo no mesmo lugar sob a ilusão de seu contrário.
Assim, há um bairro em São Paulo onde, em meio ao charme de restaurantes
caros, de shoppings exclusivistas, de mansões e prédios tombados há, na porta de
uma garagem, uma minúscula barbearia.

Dia desses a figura ilustre do barbeiro explicava a dois escritores barbudos
na padaria da esquina um fato fundamental para entender a política brasileira.
Dizia ele que cortava o cabelo de um ex-presidente há mais de 15 anos.
Os dois escritores não perderiam a piada apesar do lugar comum:

- Então você faz a cabeça do homem?
Se fizesse a cabeça o barbeiro não teria sido vítima de uma distorção teórica
que lhe foi imputada por aquele homem sério adorado pela vizinhança:
- Ele me perguntou se eu achava que alguém que chega na política pode roubar
do povo e contou em uma entrevista que eu (como representante do “povo”) penso
que roubar é um direito de quem está no poder.

- Que horror, disse o escritor careca. Cafetinagem intelectual, falou o mais
cabeludo.
- O que eu realmente disse é “quem está no poder pode fazer o que quiser”.
Assim como o meu poder é cortar o cabelo, eu poderia escolher cortar
pescoços.

A ética do barbeiro é bem simples. Do uso da tesoura ao uso das verbas toda
ação depende de um ser humano e sua escolha.
Sempre confiante na sua tesoura, o barbeiro continua cortando o cabelo do
ex-presidente. E a vida, ou a corrupção, digamos que elas simplesmente
continuam.

Malvinas, crise politica 30 anos depois.

Argentina x Reino Unido x Malvinas x Falkland = CRISE POLITICA

Naqueles dias, já na agonia do regime militar, a ditadura enfrentava
problemas demais. O modelo econômico estava esgotado, havia um reboliço social,
a inflação alcançava patamares altíssimos, a miséria assomava. A saída
encontrada pela junta militar foi o apelo ao patriotismo.

E desde aí, o chamado
para a guerra contra a Grã-Bretanha no sentido de recuperar as ilhas que haviam
sido invadidas em 1833 durante o período em que os ingleses fizeram da América
Latina o seu espaço de poder colonial. A primeira ocupação do arquipélago
aconteceu em 1690, pela Espanha, então invasora oficial, e desde aí França e
Inglaterra lutavam pelo comando até que em 1833, quando a América Latina
terminava seu processo de libertação colonial, a Inglaterra consolidou seu poder
sobre as ilhas. Os argentinos, depois de finalizado o processo de libertação,
sempre reivindicaram aquele espaço como seu.

Assim, o motivo da disputa era mais
do que justo, embora o momento e a forma só servissem para desviar a atenção dos
problemas internos. O resultado só poderia ser o desastre.
Nesse sentido, a jogada dos militares foi, na verdade, o começo do fim do
regime. A guerra durou dois meses apenas, com a Argentina sendo solapada pelo
exército britânico. Morreram 649 soldados argentinos, 255 britânicos e três
civis das ilhas. E, ao final do conflito, com o governo militar sendo deixado
sozinho pelas demais nações, quem acabou pagando caro, como sempre, foi o povo,
tanto o argentino que sofreu o terror da guerra em sua porta (com a vinda de
bombardeiros nucleares para a costa), quanto o inglês.


A Inglaterra vivia
naqueles dias um processo eleitoral e a guerra foi a hora perfeita para
aprofundar as medidas de arrocho que já vinham sendo praticadas pela dama de
ferro, Margareth Tatcher.

Hoje, perto do aniversário de 30 anos do conflito, a militarização na área
das Malvinas faz acender o pisca alerta. Aquela não é uma região qualquer.
Geopoliticamente é a entrada para a região Antártica e estratégica no que diz
respeito ao tráfego marítimo no espaço austral. Além disso, fala-se em
prospecção de petróleo por parte da Inglaterra. Do ponto de vista da lógica, não
há argumento para que o arquipélago continue na mão dos ingleses, uma vez que
historicamente, na América Latina, o colonialismo já teria acabado.

Assim, nada
mais justo que aquele território voltasse para as mãos do povo argentino. Esse é
um debate que mexe com as entranhas de qualquer cidadão do país vizinho.

Assim, os últimos acontecimentos soam como uma provocação ao governo
argentino, que vive uma conjuntura bem diferente da época da guerra. Já não há
mais uma ditadura militar e sim um governo que não é bem visto pelo grupo dos
poderosos. Cristina Kirchner faria parte do chamado eixo-do-mal (governos de
esquerda) que governa hoje o continente latino-americano.

Para os argentinos, esse seria um bom debate, pois há uma grande parte da
população que não colocaria na presidente essa etiqueta de esquerda. Basta ver
os constantes conflitos e a feroz repressão que os trabalhadores vêm enfrentando
nas grandes cidades, no campo, na luta contra as mineradoras, na questão
indígena, sem que Cristina assuma uma posição favorável à maioria.

De qualquer sorte, a presidente pegou a pauta apresentada pelos ingleses e
tem feito duras declarações e denúncias sobre a militarização das Malvinas,
exigindo, inclusive, uma posição da ONU com relação a isso. A crise reacendeu
também um pouco do patriotismo que andava apagado e os veteranos da guerra
voltaram à cena, fazendo manifestações e se colocando do lado da presidente.

Mas, nesse universo de gente que lutou contra a Inglaterra naquela guerra
quase absurda, pois visava muito mais o fortalecimento da ditadura, gente há que
até hoje não foi reconhecida pela lei como veterana de guerra. São os soldados
que estiveram em alerta e a postos no continente. Segundo a lei que definiu
indenizações e pensões aos veteranos de guerra, apenas aqueles que participaram
do campo de batalha nas ilhas e no mar tiveram direito de ser reconhecidos. Os
soldados que ficaram no continente não foram considerados veteranos, coisa que
se colocou inaceitável por toda uma juventude que viveu o terror por dois meses,
sempre em alerta contra uma possível invasão pelos ingleses: "nós vivemos todo o
estresse de uma guerra real.

Nós esperávamos a cada minuto que um avião
bombardeasse nossas cidades, nós estávamos em prontidão, sofrendo e vivendo
todas as angústias das batalhas. Não é justo que nos abandonem agora”, afirma
Luis Gianini, do Acampamento Toas da Plaza de Mayo, que representa mais de 400
ex-soldados.

Esse acampamento foi erguido há quatro anos exigindo o reconhecimento destes
soldados, reivindicando que sejam incluídos no orçamento das aposentadorias.
Todos os dias, a presidente Cristina os vê de sua janela, faça chuva ou faça
sol. Mas, passado todo esse tempo nada foi conseguido, como se a governante
fosse incapaz de ver e ouvir o clamor das famílias que se revezam no
acampamento. O governo segue dizendo que os soldados que ficaram no continente
não participaram da guerra e por isso não teriam direito. Para os manifestantes,
essa posição é absurda e ninguém está disposto a desistir dessa luta.

Agora, na última semana, com a retomada do tema pela grande imprensa eles
decidiram fazer uma manifestação na 9 de julho (principal rua de Buenos Aires),
para que seus argumentos pudessem ser ouvidos, mas foram duramente reprimidos
pela polícia com caminhões lança-água e bombas de gás. Vinte e quatro pessoas
foram presas. Para os manifestantes, essa é só mais uma brutalidade do governo
que já os pune por não reconhecê-los. Mas, isso não os fará calar nem desistir
da luta. Nos últimos anos, os veteranos das Malvinas conquistaram aposentadorias
bastante polpudas (cerca de 1.500 dólares) e esses 400 soldados que viveram
todos os terrores da guerra, ainda que não tenham entrado em batalha, querem
fazer valer seus direitos.

"Para nós, muito mais do que o dinheiro é o
reconhecimento. Nós estivemos na guerra, nós sofremos tudo aquilo e a nação
argentina não pode nos excluir dessa triste página da história”.

( Elaine Tavares é jornalista do Instituto de Estudos Latino-americanos )
( Colaboração do sítio eletronico Desacato )

19 fevereiro 2012

Tragédia humana - Africa negra - Sudão do Sul.

Notícias do Sudão do Sul - Impressionante

“Era como uma procissão. Eles só podiam andar nas estradas oficiais onde havia muito movimento porque toda a fronteira é minada. Avistavam-se camelos, gado e mais de mil pessoas andando e andando. Nunca havia presenciado isso, um movimento nômade de pessoas quase sem bagagem. Via-se a olho nu a desnutrição infantil, os corpos emagrecidos.”

Ana Lúcia se disse impressionada com a solidariedade da população, que dividia com os refugiados água e alimentos.Ana Lúcia Bueno descreve a CartaCapital a cena acima, vivenciada no Sudão do Sul, em tom emotivo. A enfermeira, que trabalha com a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) há cerca de cinco anos, com a qual já participou de 11 missões, recebeu um chamado de urgência no Natal. Embarcou para o mais novo país do mundo, onde ficou por um mês e presenciou a situação precária de refugiados e deslocados por conflitos internos.

Independente desde julho de 2011, a nação africana reúne um imenso arranjo de tensões étnicas, além de uma relação pouco diplomática com o Sudão, país com o qual ainda tem uma fronteira indefinida.

Parte da tensão entre os dois países resulta das negociações sobre essa demarcação, que guarda a disputa por cinco áreas, e o petróleo. Cerca de 75% das reservas do item estão no Sudão do Sul, que precisa usar o oleoduto do Sudão para exportar o produto.Conflitos internos e nas regiões fronteiriças, provocados pela indefinição dos limites entre um país e outro, ajudam a criar uma massa de deslocados e refugiados.

Neste cenário, bombardeios na região de Elfoj, em janeiro, forçaram a população local a migrar.Um dos ataques ao Sudão do Sul – a ONU não esclareceu se houve responsabilidade do Sudão -, atingiu um acampamento com cerca de 5 mil refugiados, deixando 14 pessoas desaparecidas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), os bombardeios atingem a área do Nilo Superior no estado de Maban County, fazendo com que as pessoas fujam em direção ao Nilo Azul. Cerca de 28 mil refugiados chegaram a cidade de Doro, 20 mil em Elfoj e outros 5,5 mil nos campos de Dajo e Jamam.

“Os campos de refugiados surgem espontaneamente o tempo todo conforme a população se move. Até que a ONU criou um campo oficial em Jamam”, conta a enfermeira.O fluxo de migrantes na região após os bombardeios é tamanho, que a paisagem muda constantemente. “As poucas árvores e os recursos hídricos secavam de uma semana para outra. Sabíamos que a situação era critica quando as pessoas começaram a cortar o topo das árvores espinhosas para alimentar o gado, no desespero de que aquelas folhas no chão fossem suficientes para os animais.”

Em Elfoj, a equipe do MSF atendia a quatro quilômetros da fronteira com o Sudão, o mais próximo possível para ajudar a população e perto o bastante para escutar os bombardeios. “Não posso enumerar os conflitos internos do Sudão do Sul, mas pelos depoimentos essas ações estavam ocorrendo para obrigar a população a descer ao Sudão do Sul por questões étnicas.”Os bombardeios ocorreram na época da colheita de sorgos, grão também conhecido como milho-zaburro, uma das principais fontes de alimentação da regiçao, o que deixou os nativos em desespero. “Eles sabiam que se não colhessem a plantação naquela época, não teriam o que comer durante o ano”, diz.

“Alguns homens se arriscavam durante a noite para ir aos campos tentar fazer a colheita na escuridão. É a luta pela sobrevivência.”Não havia hospital, apenas três carros, uma caixa com remédios e o conhecimento médico, afirma a brasileira. A clínica móvel com frequência era montada à sombra de árvores, onde também aconteciam atendimentos críticos e cirurgias.

Quando necessário, uma “UTI” levava o paciente para onde a equipe fosse.Segundo Ana Lúcia, os refugiados chegavam a Elfoj após semanas sem acesso a cuidados médicos em uma área endêmica de malária, doença fatal se não tratada. Dados da OMS da última semana de janeiro indicam o registro de 8.975 casos da doença no país.Em Elfoj, a população aumentou de cerca de mil para 25 mil pessoas e, com isso, o desafio da comunicação com os pacientes também se alterou.

“Tínhamos um tradutor árabe e mais de 100 dialetos. Precisamos arrumar uma pessoa de uma tribo que traduzisse a língua para o tradutor árabe. E ele, então, explicaria em inglês.”A explosão de habitantes na área sem infraestrutura e condições ambientais provocou escasses de água e alimentos, mas não havia confrontos entre os refugiados devido ao problema, lembra a enfermeira. “Eles estavam em uma situação para se revoltar, mas havia uma solidariedade motivante. Dividiam o que tinham, e não havia muito. Não tínhamos sequer palha para fazer cabanas.

”Sem condições de atender a todos que passavam pela região, Ana Lúcia se recorda de uma paciente gravemente ferida. Uma senhora, de 70 anos, que chegou à clínica com diversos ferimentos à bala. Ela havia se negado a deixar a casa onde passou toda a vida e, por isso, foi alvejada por soldados. Os familiares a encontraram e a trouxeram em um carro de boi, em uma caminhada de cinco dias.“Quando desenrolei suas bandagens, pensei na dor que sofria”, conta. A senhora tinha um buraco no fêmur com tecido necrosado coberto por insetos, além de uma mão decepada pelos tiros. “Colocamos ela em baixo de uma árvore para limpar os ferimentos, aplicar antibióticos e remédios para a dor. Era tudo que podíamos fazer.”

“Durante o procedimento, pedimos que as irmãs da paciente abanassem as moscas com folhas, o nosso único controle contra infecções”, relata. A idosa foi levada de carro para ser transferida de avião a um hospital onde realizaria uma cirurgia de reconstrução. “Recebi notícias de que ela se recuperou bem.”O comportamento dos pais de um menino de cinco anos também despertou a atenção de Ana Lúcia. A criança, relata, chegou às 2h da madrugada com convulsões, foi ressuscitada pelos médicos e entrou em coma devido a uma provável malária cerebral.

“O levamos para todos os lugares por dias na UTI móvel. Os pais não deixaram o menino sozinho por um minuto, mesmo com cinco filhos”. Na terceira noite, ele faleceu.“Não tínhamos mais recursos e a pedi a mãe que segurasse a mão dele, porque não havia mais volta”, conta emocionada.

“Às vezes, na África as crianças desta idade não são prioridade, mas é incrível como esses pais se preocuparam.”Elfoj é uma passagem para aqueles que seguem em direção ao campo de refugiados da ONU em Jamam, a três dias de distância de caminhada. “Esse movimento de pessoas caminhado era algo visualmente impressionante: pais com três crianças na garupa, mulheres carregando o pouco que conseguiram salvar.

”Mas, segundo Ana Lúcia, a solidariedade dos sudaneses do sul também era evidente neste trajeto. “Distribuímos barras energéticas e os que ficavam mais tempo em Elfoj as davam para as famílias em viagem. Sabiam que o caminho era longo e doavam sua comida para ajudar os outros a chegarem ao destino final.”

“Isso é marcante e você acaba torcendo para que aquela população consiga melhorar as suas condições de vida”, afirma, antes de protestar contra a ausência de notícias na mídia sobre a situação no Sudão do Sul e da passividade da comunidade internacional em ajudar o país a se estabelecer.

“Não é um lugar sexy para a comunidade internacional. O Camboja não passa por uma guerra há 30 anos e recebe ajuda como se isso ainda ocorresse. Além disso, é um lugar cheio de belezas naturais e turismo. O Sudão do Sul não tem esse atrativo.”

( Colaboração do Diário da Liberdade )

Comentário:
O Brasil atual está discutindo código de defesa do consumidor, estatuto da criança, defesa dos velhos e anciões... elabora programa de auxilio educação e se preocupa em ter um lugar cativo no Conselho de Segurança da ONU. Enquanto isso, na África negra, a verdadeira miséria humana revela que lá, os habitantes ainda lutam apenas para sobreviver.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br

Paulo Henrique Amorim - Declaração corajosa.

Declaração de Paulo Henrique Amorim em seu blog sobre o jornal Folha de São Paulo.

" A Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores. "

Parabéns ao ilustre e corajoso jornalista independente e, obviamente, colocado de escanteio por parte da imprensa brasileira.

Roberto J. Pugliese
www´.pugliesegomes.com.br