domingo, 9 de setembro de 2012

Onze de Setembro; Reflexões maduras ( publicado em 2011 )


Onze de Setembro: Reflexões maduras.
Roberto J. Pugliese ( publicado em 2011 )

Lamentamos profundamente a dor de um povo que não sabe o que é a guerra no solo da própria nação

Estamos chocados! Passados tantos e tantos anos, as pessoas de bem continuam chocadas. Os ataques provocados nas cidades de Washington e Nova Yorque, no seio da mais poderosa potencia militar do mundo, provocando prejuízos incomensuráveis principalmente de ordem moral, fizeram com que a opinião pública, de um modo geral, se consternasse e orasse pelas vítimas inocentes de tamanha truculência.
A dor e a tristeza tomaram conta da civilização padrão do mundo globalizado.

Repentinamente somos forçados a lembrar de anos atrás, quando vítimas civis, igualmente inocentes, foram trucidadas repentinamente em Hiroshima e Nagasaki, em defesa de um ideal democrático. Lembramos que pela causa nobre, vítimas civis e tão inocentes quanto as do trágico quadro que recordamos, também vieram a falecer durante os anos que o exército de Ho Shi Minh enfrentou no seu território, tendo a paixão pela pátria como a principal arma, o mais equipado exército do mundo.
Lembramos das bombas de napalm que foram jogadas na Colômbia, com outros preparados químicos, que a par de exterminar com o plantio da coca, provocou a morte e danos à saúde de civis agricultores dos confins da Amazônia.

Lembramos das vítimas de mais de meio século de bloqueio comercial sobre a ilha caribenha, que ousou se tornar verdadeiramente independente e soberana e de modo insolente venceu o poderoso vizinho em todas as tentativas de invasão e terrorismo plantados a partir de Miami. Inclusive midiático.
Lembramos das vítimas civis de todas as idades, que em razão do bloqueio imposto pela nobre causa democrática, também vieram a falecer no Iraque insubordinado, que se atreveu enfrentar o mesmo exército. Nem remédios podiam ser adquiridos naquele país de areia e petróleo.

Lembramos da tragédia militar imposta ao povo da extinta Iugoslávia, massacrado pelas tropas da OTAN; do Afeganistão ocupado há décadas por invasores que defendem a liberdade democrática dos castigados nômades das montanhas, e das intermináveis guerras que se sucedem no estratégico Chifre da África, para controle da rota comercial do Suez e Mar Vermelho.
Lembramos de líderes que enfrentaram a garras da mesma Águia poderosa, símbolo do majestoso império e foram condenados por defenderem de forma ousada a liberdade de seus povos: Agostinho Neto, Patrick Lomumba, Bem Bela, Nasser e SS. O XIV Dalai Lama, cujas preces e orações não são ouvidas na Wall Street que se curva às dimensões econômicas chinesas.

É lamentável que essas lembranças e outras que não cabem no diminuto espaço, se dêem sempre com a presença armada dos EEUU, através de seus fuzileiros e marines, com parceiros e aliados mancomunados com o objetivo de controlar a humanidade através dos potentes exosettes ou com vetos às cláusulas jurídicas em defesa do meio ambiente, ou incentivos fiscais que violam pactos comerciais ou indecentes elevações dos juros aplicados às dívidas de povos miseráveis e famintos.
Lamentamos profundamente a dor de um povo que não sabe o que é a guerra no solo da própria nação. Um povo que, envolvido em conflitos militares, se fez presente na Europa, na Ásia, na América Latina, porém nunca sofrera no seu território, hermeticamente fechado com radares, mísseis e um muro de fios elétricos junto aos limites que o separa do México, qualquer ameaça a tão imponente e soberbo império.

Lamentamos principalmente pelas vítimas das torturas que ditadores truculentos latino-americanos impuseram aos seus opositores, seguindo regras que aprenderam na Escola das Américas, pomposamente erguida na cidade do Panamá, com instrutores norte-americanos lecionando o terror. Lamentamos bastante a morte de patrícios brasileiros, residentes em Manhattan, por carecerem de empregos na saudosa terra brasilis ou por terem ingenuamente sido ludibriados pelas mensagens subliminares produzidas pelos quatro cantos da Broadway e pelas telinhas sem vergonha da Globo e demais agentes midiáticos do Tio Sam infiltrados escancaradamente nas escolas de todos os níveis, nos shoppings e repartições governamentais.
Lamentamos bastante a humilhação do soberbo povo norte americano, que viu suas defesas violadas e o maior símbolo da globalização do capital ser destruído em poucos minutos por aviões aparentemente inofensivos, como outrora inofensiva fora a Aliança para o Progresso e as Igrejas idealizadas pelo Departamento de Estado que destruíram com cânticos e palmas as Comunidades Eclesiais de Base do Venerável Dom Helder Câmara e toda a prática da Teologia da Libertação.

Lamentamos profundamente tanta violência. Lamentamos e choramos a saudades dos civis que pereceram na guerra do Golfo e ainda perecem nas intermináveis filas do INSS desestruturado por carecer de recursos financeiros desviados para fomentar o enxugamento do Estado neoliberal que os EEUU idealizaram.
Lamentamos profundamente que a violência haverá de prevalecer enquanto não for alterada a política neocolonial imperialista que através da publicidade de massa e do controle financeiro exaure todas as riquezas dos povos, especialmente culturais.

Enfim, por oportuno, lembramos que 11 de setembro é a data memorável e que deve ser rememorada sempre, pois simboliza a truculência ianque. Não se poderá jamais esquecer que o Chile, o país que integra a ALCA e está em crise notável, foi bombardeado pela aviação subordinada aos ditames das multinacionais do Cobre e Salvador Allende, legítimo presidente democraticamente eleito foi cruelmente assassinado no palácio de La Moneda, abrindo as portas para a longa e infame ditadura do corrupto Pinochet, braço dos elevados interesses dos empresários norte.
O orgulho da Nação mais poderosa do planeta, quebrada pelos desmandos neoliberais do século XXI segue o curso natural da história.

Para encerrar, a data é um bom motivo para que os brasileiros de mãos dadas dêem um brinde à pátria do Pré Sal e ao visionário José Bento Monteiro Lobato, que contrariando interesses da Standard Oil foi perseguido, preso e exilado.

Roberto J. Pugliese 
( publicado em 12 de setembro de 2011 – Adjori )

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