segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Itanhaem Iate Club


Fundado em 25 de janeiro de 1959 o Itanhaém Iate Club foi uma entidade recreativa, social, nautica e desportiva de grande projeção no litoral paulista e muito conhecido por longa data nas rodas sociais paulistana e do interior do Estado de São Paulo.

Seu corpo social abrigou industriais, profissionais liberais, servidores públicos, politicos, membros do Ministério Público Federal e do Estado, Magistrados e gama de expoentes da sociedade paulistana e do interior paulista, bem como ilustres personagens da sociedade local e de cidades litoraneas.

Nos seus eventos festivos, bailes e demais festividades, foram inúmeras as presenças de grandes personalidades da música brasileira que foram prestigiar os eventos promovidos pelo Clube durante décadas. Recordo-me da presença de Wilson Simonal, Jair Rodrigues, André Penazi, Betinho do Vibrafone, Chico Buarque e inúmeros outros artistas de nome nacional, com destaque para Roberto Carlos que se apresentou em  tres oportunidades.

Nos festejos carnavalescos e pré carnavalescos o salão lotava a ponto de se inibir a entrada por questões de segurança.

O Clube era muito cobiçado e chegou a ter quase dois mil associados proprietários de títulos e seus familiares. O trapiche para embarque nas lanchas e barcos não dava conta de tanto movimento nos feriados e meses de verão.

A sociedade começou com a aquisição do Bar do Zeca, que tinha nos fundos um restaurante à beira do rio, com espaço para dançar e apresentação de conjunto musical, de estrutura popular e modesta.Junto com o bar, foi comprado a casa de Thales Corinto Leite, que além da construção residencial abrangia um quintal enorme, um baracão, uma pequena garagem de barco bem modesta e respectiva rampa. Um jardim com bastante vegetação.

Situado no bairro conhecido por Prainha o Clube foi inicialmente instalado na rua Porto Novo, atual Sebastião das Dores e limitou-se às cercanias do aludido bar. Da rampa do Porto Novo, a alameda que margeia o rio Itanhaém segue em direção à Ponte da Estrada de Ferro Sorocabana, que veio a ser demolida e substituida por moderna obra de arte.

Junto ao morro, na divisa com o caminho público, hoje designado oficialmente Caminho Turistico Francisco Pugliese Júnior, que liga a via pública à Praia da Saudades, uma cancha de bocha também incluia o acervo.

Dessa sede modesta o Clube foi ampliando seu território, adquirindo outros imóveis lindeiros e promovendo construções e reformas.

Um aterro deu lugar às picinas. O salão do Bar do Zeca foi demolido. Construi-se um amplo salão de festas suspenso, servindo o terreo de garagem de barcos... instalou-se bomba de gasolina e estrutura para o departamento náutico.

Construi-se quadras. Reformou-se a quadra de bocha, tirando do lugar onde estava e instalando sob o salão de festas. Construi-se uma quadra de boliche não muito usuado e posteriormente transformado em Salão de Jogos e camarins para os artistas que se apresentassem nas festividades.

Junto da praia transformou-se a casa que lá existia em restaurante e construi-se outras picinas.

Enfim, o Club cresceu. Cresceu bastante.

Documentou-se junto à União toda a orla. Negociou a saída de posseiros ( Pernambuco e Henrique Libereck entre outros ).

A casa que pertencia a Pedro de Castro, espremida entre o Caminho aludido acima e a entrada principal do Clube foi comprada: O Clube ergeu na Praia dos Sonhos tres casas para a familia Castro em troca daquela que adquirira e transformada em quadra de futebol de salão, volei e basquete, após sua demolição.

O Clube durante a temporada cercava area na Praia dos Pescadores onde plantava barracas para os sócios e promovia campeonatos diversos para os associados.

Enfim todo o bairro e a cidade era movimentada com a dinamica do Itanhaem Iate Clube. Era um Itanhaém à parte.

O Clube foi se esvaziando com a decadencia do turismo na cidade. Nos últimos 15 anos Itanhaém sofreu um declínio na frequencia de seus veranistas e turistas, popularizando-se ao extremo e com isso, os frequentadores da cidade e do Clube foram sendo substituidos. A partir de meados dos anos LXXX a frequencia elitizada da cidade foi sendo substituida e com isso, o Clube foi deixando de ser o que até então era, mudando radicalmente, de modo paulatino, sua frequencia.

No incio deste século, a substituição deixou lugar para o abandono. Os associados foram entregando seus títulos  e toda a estrutura, com garagem de barco, trapiche, restaurantes, boate, quadras de esportes dos mais variados, foi ficando às moscas e sem condição financeira adequada de manutenção.

Triste decadencia visível.

Atualmente o clube tem menos de cem associados, entre proprietários e contribuintes.

Decadende, devendo impostos à Prefeitura e taxas ao Patrimonio da União, celebrou acordo com a municipalidade, entregando parte da área social à municipalidade para quitar dívidas e acanhou-se às dimensões condizentes ao número de associados.

Sobrou a área nos fundos, próximo à Pedra da Carioca, na Praia da Saudades, onde se localiza a quadra de tenis, um restaurante e a boate.

Enfim, por longas décadas o Clube no seu auge doou diversas ambulancias à cidade, viatura policial, e outros recursos solicitados por entidades locais, inclusive a Prefeitura Municipal e agora, à míngua de seu destino decadente e isolado, a sociedade local virou as costas e esqueceu todas as atividades sociais e de benemerencias que praticou.

O povo da cidade e suas autoridades esqueceram que o CLube durante anos promoveu a cidade e foi um de seus cartões postais.

Uma entidade que deveria ao longo de sua história ter sido reconhecida publicamente por lei como de utiliadade pública municipal por todo benefício direto e indireto que promoveu para a cidade e redondezas, foi ignorada e definha numa situação delicada e difícil de se manter viva. Morre aos poucos.

O Expresso Vida com saudades do Itanhaem Iate Clube e da velha e saudosa Conceição de Itanhaém presta essa modesta homenagem reduzindo a termo e publicando seu breve curriculo.

O relato extraído das lembranças vivas da memória do subscritor talvez confunda datas e não é preciso na exatidão dos fatos, mas revela claramente um escorso histórico de uma vida jurídica de apogeu reconhecido e reconhecida decadencia.

Enfim, foram anos de alegria para uma geração que, o autor do texto certifica serem inesquecíveis a todos que lá vivenciaram esse período.

Roberto J. Pugliese
sócio fundador do Itanhaem Iate Clube ( dependente )
membro da Academia de Letras de Itanhaém

5 comentários:

  1. Caro Roberto Pugliese.

    Sou testemunha da fase que relata os acontecimentos na minha geração. Realmente o Itanhaém Iate Clube ficará para sempre na lembrança de todos os frequentadores que viveram fortes emoções , na época. Os Bailes, Shows e eventos diversos marcaram como os anos dourados.BAile da Saudade, formaturas, debutantes e artistas de renome fizeram história.
    Parabens pelo texto.
    João Viudes Carrasco
    Prefeito de Itanhaem 1997-2000

    ResponderExcluir
  2. Caro Roberto. A sociedade mudou, a cidade mudou, ou as pessoas mudaram? Nós, geraçao anos 50, frequentávamos tão assiduamente Itanhaem, que formamos nosso grupo de amigos por lá, gente que durante o ano mal se via em São Paulo, ou outras cidades, mas que marcava ponto nas férias de verão ! Nem tínhamos que perguntar quem ia: íamos todos! E circulávamos entre a Praia do Sonho, a Prainha, o Centro e o Clube... Muitos tb tinham casa no Centro. ( os Foz). Fomos amigos, alguns namoraram e até casaram dentro do grupo! Mas, essa mesma geraçao, qdo se tornou adulta e responsável por escolher onde passar as férias...abandonou as raizes e debandou. O brilho do Litoral Norte falou mais alto. Status? Modismo? Não sei..pois não fui. Esse tipo de chamado nunca me interessou. Os que se foram, não mantiveram as amizades por muito tempo. Meus filhos frequentaram já uma Itanhaem com poucos de nossos filhos se conhecendo! E veio a mudança e o declínio. Muitas casas à venda, preços despencando... Vendi minha casa de 4 suites de frente para a Praia dos Pescadores, por 1/5 do que valeria no Litoral Norte. E, aos prefeitos minha reclamação: um IPTU ABSURDO, que me impediu de manter o imóvel! Na época ( 2008, 2009)eu já morava aqui onde moro hoje : uma casa de 170m2 de área construida e 220 de terreno, a 600 m do estádio do Morumbi..E o IPTU aqui era menos da metade do de Itanhaem ! Com infra estrutura muito superior, varredor de rua 3 X por semana, caminhão de lixo idem. E aí, tinha que implorar pela regularidade do caminhão de lixo, que conviver com a sujeira dos pescadores ilegais da Prainha, etc..., etc..., etc... Se muitos saíram, culpe-se tambem as prefeituras que não acompanharam os direitos dos frequentadores ! Permaneci...vendi a tal casa e comprei um micro apartamento no Centro. Vou fora de feriados. A frequencia é outra, nào temos mais amigos antigos, e temos que conviver com o "funk' ou o "pagode" que soa estridente dos carros dos manos, ensurdecendo a todos. Quanto ao Clube, que tanto frequentamos e amamos, adeus... Atolou-se em dívidas, admitiu sócios que brigavam nas piscinas, abusavam de seus direitos, falavam "pobrema". Felizmente eu continuo falando "problema". E Itanhaem tem vários....

    ResponderExcluir
  3. Frequentei este clube dos 12 aos 26 anos. Foram quase todos os finais de semana durante quase 6 anos e todas as férias durante 14 anos. Conheci minha esposa no Iate e participei intensamente de todas as suas atividades (bailes de aniversário, shows, carnavais, campeonatos de futebol de salão, de arei e tênis). A decadência começou quando os sócios residentes na cidade (Tipo Paniqua) começaram a tomar conta do Clube. Na gestão dos Galuti (não sei se está certo a escrita) e do Horácio tudo ia bem. O clube simplesmente foi gerenciado da mesma maneira de que gerenciaram a cidade (Edson Batista, Carrasco, Bifulco e Forssell) todos bandidos de carteirinha que mais se preocuparam em enriquecer de maneira ilícita do que trabalhar pela cidade. Os sócios que moravam em São Paulo e interior por imbecilidade destas pessoas bem como aquelas que não gostavam da presença desta sociedade na cidade transformaram a mesma numa porcaria. A migração destes veranistas para o litoral norte não tem nada a ver com elitizados ou qualquer outro adjetivo que venha a escolher. Simplesmente a vida nos leva para frente, nos faz escolher ambientes melhores e em locais (municípios) que nos respeitem como cidadão. Não vou escrever mais não se não vai virar uma bíblia mais para concluir podemos dize. O Edson Batista deu mais de 600 terrenos de maneira ilegal para ganhar uma determinada eleição e agora o Forssell compra mais de 800 votos para fazer a sucessor. Itanhaém é uma cidade que gira entorno do coronelismo, sem crescimento sustentável, sem saúde, sem educação, sem nada. O clube foi apenas um reflexo fiel desta degradação. Sem mais Kico Gibello.

    ResponderExcluir
  4. Kico,
    Não concordo com suas colocações.

    Portanto, expresso publicamente minha discordancia, deixando claro bastante que de V. parte há grande equivoco.

    Roberto J. Pugliese
    expressovida.

    ResponderExcluir