sábado, 17 de dezembro de 2011

Posturas e posturas.- Roberto J. Pugliese

Posturas e posturas.

Por vários anos seguidos o caudilho Getúlio Vargas dominou o país de forma cruel. Ditadura brava. Policia secreta. Sala de torturas. Acordos com nazistas e aproximação com o Ducce e Hiroito, também chefes de governos totalitários.

Com mão de ferro transformou o estado federal tradicional brasileiro numa república unitária. Torturou e matou muita gente. Muitos democratas e todos que se opunham ao Catete. Queimou bandeira dos Estados e dos Municipios.

Administrou com os olhos fechados para a corrupção. Não via ou fingia que o Mar de Lamas não era na republiqueta que estava sob suas ordens.

O tempo passou e o Brasil se redemocratizou. Vierem eleições. O povo, ingênuo e até sem vergonha, depois de anos de terror, tortura, mortes ao invés optar nas urnas por um civil democrata, colocou na presidência o Marechal Dutra, que foi sucedido, quatro anos após, por um civil: o próprio caudilho que houvera sido deposto, assumia pelo voto a presidência para agir dentro das regras constitucionais que estavam vigentes. Getúlio voltou.

Passaram alguns anos e o regime democrático foi novamente violentado. Agora, sem disfarces ou rodeios, os milicos apoiados pelos ianques, tomaram o poder e ficaram. Igual o gorducho dos pampas, também torturaram, mataram e durante anos, com o apoio da CIA, de empresários e do capital internacional, com técnicas modernas aprendidas na Escola das Américas do Panamá, mandaram e desmandaram.

Foram anos de chumbo. Foram anos de ditadura. Retrocesso jurídico, cultural, social de difícil reparação.

Como democrata e defensor de direitos naturais, direitos humanos e da cidadania plena e com a postura de defesa de interesses nacionais, não aceito a ditadura Vargas e igualmente a ditadura militar. Não aceito a ditadura.

No entanto, me deixa perplexo e me causa espécie, até para não escancarar abrindo o descrédito total, é que muitos, milhares ou milhões de defensores de direitos humanos, de regime democrático e outras qualificações do gênero, condenam a ditatura militar, mas aceitam a ditadura Vargas, esquecendo que, ditadura, seja de um verde oliva pateta, como tantos ou de um baixinho de polainas e colete, é para ser repudiada e manifestamente inaceitável.

Enfim, posturas e posturas de certos cidadãos, levam ao descrédito de todos quantos apoiam movimentos em defesa de direitos negados pelas ditaduras. Não se justifica adular um ditador, porque assinou a CLT, pois o outro assinou o Estatuto da Terra, diplomas jurídicos de amplitude democrática extrema. Mas ambos mataram, torturaram e se envolveram com trapaças e desnacionalização do patrimônio brasileiro.

Roberto J. Pugliese

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