terça-feira, 29 de abril de 2014

Poema do avô apaixonado.!!!


Ser avô!

 

Não esqueci dos meus avós.

Lembro-me bem de todos. Inesquecíveis.

Queridos amigos especiais.

 

(...)

 

Quem sabe (?) por ter passado o tempo,

A vida seguido seu ritmo em direção ao fim,

Deixado ótimas recordações para trás,

Tenho saudades de tempos que passaram

E num quadro amável, eu os incluo.

São personagens especiais.

Principais em boas épocas.

 

Foram figuras queridas.

São indescritíveis os meus avós.

 

Saudades dos velhinhos que não deixaram cópias.

Faz falta.

Ninguém conseguiu ocupar o vazio deixado pelas suas ausências.

Ninguém.

 

Vovó Conceição querida por todos.

Muito amorosa, era delicada e me prestigiava em tudo...

Encantava-se com as minhas histórias e eu, com as dela.

Tinha aquela das meninas e do corcunda que moravam no porão.

Sempre me aplaudia.

Sempre me prestigiava!

 

O vovô Chico na vaga lembrança que guardo,

Sempre de paletó de pijama, cabeça branca e muito simpático, me tratava com todo cuidado.

O filho de seu filho e por ser o topo da estirpe, tinha o trato imperial...

 

Vovô Tancredo paciente deixava seus afazeres para confabular sobre sua vida.

Tinha muitas histórias reais e imaginárias:

Pedro Malazartes era um dos protagonistas.

Outros eram os bens- te -vi.

Nos seus últimos dias, já acamado, pedia que eu fizesse sua barba. Fora  quem me batizara.

Trazia balinhas de cevada nas latinhas da Sonkssen.

Chocolates Diamantes Negros.

Sempre carinhoso dava toda atenção aos reclamos que apresentava.

 

Os docinhos de banana com chocolate cortados em losângulo a vovó Lindinha não deixou a receita. Fazia especialmente para mim. Guluseima inesquecível.

 

Dos tantos bisavós, conheci apenas um...

Vi uma vez talvez. Ainda me lembro: Paletó, gravata, bengala, meio careca, meio curvo andando no terreiro do sítio.

 

Saudades queridos vovôs inesquecíveis.

 

(...)

 

Agora sou eu.

 

Serei vovô. Estou me preparando.

Uma espécie de gestação à distancia.

Verdadeiramente um estado interessante ser aprendiz de avô.

Gestar a expectativa para o se-lo.

 

É um dom.

O dom especial que se adquire.

Título nobiliárquico.

Vale mais que a carta patente de oficial superior das forças armadas de qualquer país.

 

Ser avô !

 

Ser avô, para quem não sabe, vale definir: Ser avô é ser avô.

E o conteúdo exprime a grandeza inexplicável e profunda do termo.

 

Ser avô traz consigo músicas doces e perfumes suaves.

Encanta os netos e o próprio avô.

 

Ser avô tem censura dos filhos.

Mas não dos netos.

O avô é quem expede a carta de alforria,

ou decreta a extinção da pena, impõe regras parciais,

sempre favoráveis aos netinhos e às netinhas.

Nem que estes já tenham mais que a maioridade.

 

O avô ensina o lado melhor da vida aos seus netinhos de qualquer idade.

Mesmo que já esteja ultrapassado.

Dá escondido, balas, bombons e até um trocadinho para o sorvete. Ignora notas vermelhas e autoriza,

Passando por cima de ordens superiores, que no próximo sábado ela vá ao baile...

E ainda, quem sabe, dá um dinheirinho à mais para o ingresso no cinema da soirée. ( ! )

 

Normas colhidas dos velhos manuais dos avós.


Todos gostam da casa do avô.

Tem biscoitos fora de hora e não precisa estudar, pode brincar com os primos até depois do jantar. E se não tiver fome, pode jogar bola até a meia noite sem se preocupar...

Esqueça o jantar.

E se não tiver primo, brinca com o próprio vovô.

 

(...)

 

Na casa do avô não precisa tomar banho, escovar os dentes e fazer uma porção de coisa chata que o pai e a mãe mandam fazer.

 

Não existe castigo na casa  do avô.

Penalizar o neto é coisa ultrapassada já diziam os meus avós.

 

Pode andar descalço.

Não precisa se pentear.

Pedir colo. Dormir depois do avô.

Pode até, no colo do vovô, dirigir o fusquinha na avenida.

 

Essa é a regra da casa do avô.

Aliás a primeira regra da casa do avô é que não existem regras e tudo é negociável, com a aquiescência do vovô e da vovó.

Talvez por isso, os filhos do avô, enciumados, criticam a ampla e irrestrita liberdade democrática que impera nas casas dos avós.

 

O avô leva o menino no parque.

( ainda que nunca tenha ido ao tal parque) .

Leva a menina no shopping

( mesmo não suportando esse tipo de passeio fútil )

E se precisar... bem se precisar, pode contar com o avô.

Ele sabe mais... tem experiência e é tolerante. Afinal ele é o avô.

 

Se der tempo, isso é uma imprevisão porque a vida tem andado tão depressa, quero ensinar minha neta, que está chegando, a dirigir automóvel, pilotar barco e andar de bicicleta.

Mostrar o equilíbrio do ciclismo sem rodinhas explicando a vida.

 

A filosofia do avô é o resultado da longa jornada da estrada da própria história. Curvas, subidas, buracos, planícies, descidas: Dificuldades e aprendizados que se entrega despretensiosamente aos netos que haverão de sucedê-lo.

 

Ensinei o pai, que é bom no volante e darei explicações para a garota.

Isso se em 2028, ainda existir automóvel...

E ela, com seus quatorze aninhos, estiver a fim de passear com o jovem velhinho sabe tudo... Rica imaginação.

 

Mas não será de graça: Ela terá que me ensinar mexer no telefone celular,

Formatar a internet e jogar o jogo da velha on line.

 

Enfim, estou contando os minutos:  Rafaela chega em Julho, de mala e cuia, para ficar e para encantar toda a família e várias gerações, inclusive a mim seu avô paterno.

 

Vamos passear de mãos dadas no cair da tarde dos outonos cinza.  Nas primaveras que trouxerem o encanto das manhãs coloridas. Vamos passear pelas praias, pelas montanhas talvez e campos e campinas floridas dispostos especialmente para encantar a juventude e a vida renascendo, cumprindo o rito infinito do desconhecido, pela graça  e singeleza da neta querida que seguirá o rumo da eternidade.

 

Fruto do fruto que fui e frutifiquei, cumprimos na insignificância, o destino da eternidade cósmica.

Eu, o vovô, ela a netinha querida.

 

Aguardo sua chegada contando os segundos.

Apreensivo alguns momentos. Tranquilo outros.

Enquanto isso vou  treinando para ser vovô.

E rabiscando versos que é o que sei fazer para ofertar-lhe.

 

Tenho procurado textos, letras, palavras, conexões desconexas peculiares à singeleza de quem está para chegar.

Busco letras, pontos, cedilhas e travessões nas gavetas do meu coração: As expondo bagunçadas sobre a mesa dos meus sentimentos, para acertá-las bem direitinho, com maiúsculas no início das frases e reticências ao final, empacotando e as guardando para a Rafaela.

 

Carinhosamente vou entregar assim que puder.

 

Deus a proteja. ( Sempre !)

 
Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
titular da cadeira nº 35 da Academia São José de Letras.

Um comentário:

  1. É . . .somos a avós da linda Rafaela!! Um presente maravilhoso que Deus nos deu e tenho certeza de que ela será nossa grande amiga! Bem vinda Rafaela nossa netinha querida!!

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