quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ponta pé inicial. ( memória nº80 )


MEMÓRIA nº 80

Ponta Pé inicial. ( a proposta que nem chegou a receber )

 

Lourenço no exercício da vereança  estava se saindo muito bem com o eleitorado. Muitas moções, indicações, requerimentos e projetos de interesse da população fazia com que fosse chamado para diversas solenidades populares.

 

Numa delas, foi convidado a dar o pontapé inicial de uma partida de futebol de jovens de uma escola do Carijo, bairro de pescadores onde residia. O professor o convidou e numa determinada manhã de um sábado, foi ao estádio municipal para dar o chute e assim dar por iniciada a partida.

 

Noutra ocasião os líderes da situação, membros da ARENA, partido político do Prefeito Municipal, marcaram uma reunião na casa de um dos vereadores, que exercia a presidência da Camara.

 

Não entendeu bem, mas na hora marcada foi à casa de Sido Teixeira, próximo ao seu escritório. Seria com a presença de Hélio Fortes o líder do Prefeito e vereador mais experiente, também da Arena.

 

- Entre doutor. Aguarde um pouquinho.

 

(...)

 

Permaneceu só na sala de visitas por mais de quinze minutos, quando ambos entraram e começaram a falar futilidades: futebol, preço de alimentos, transito na BR116 e assuntos que não significavam nada de importância para merecer uma reunião entre o vereador da oposição que estava incomodando o prefeito e toda a estrutura da situação na cidade e os dois situacionistas.

 

Durante uns vinte minutos jogaram conversa fora até que percebendo que não tomavam qualquer iniciativa, questionou o porque da reunião e a resposta, evasiva limitou-se a dizer que não tinha nada de importante... ( ? ) para tratarem.

 

Não entendeu bem, se despediu e foi embora intrigado.

 

Anos mais tarde, mais maduro e  vivido, concluiu que o convite fora para se acertarem e mediante algum favor especial deixar de combater o prefeito, os vereadores da situação, as falcatruas e toda a ditadura de 1982... No entanto, os dois vereadores não souberam como abordar Lourenço e se omitiram em qualquer proposta, com medo de qualquer consequência maior, já que sua postura era indisfarçavelmente bastante reta e muito séria.
 
Roberto J. Pugliese
 membro da cadeira nº 35 da Academia Sãojoseense de Letras.

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