quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Carta aberta em defesa da paulistaneidade.

CAMPANHA ORQUESTRADA CONTRA SÃO PAULO E SEU POVO.

Não é de hoje que de modo organizado e cadente se trama contra São Paulo e seu povo.

Ora falam de sua elite, ora dos bandeirantes, ora dos industriais... ora disso, ora daquilo. É evidente que há uma campanha acirrada pelo país à fora para desmoralizar o povo paulista desde a sua origem.

Em tudo, em todas as áreas e segmentos e em todos os tempos se acusa o povo paulista de orgulhoso, violento, explorador e outros qualificativos que sugerem um povo constituído por mal caráteres que vivem às custas dos inocentes, pobres, dos que tem mão de obra servil etc.

Vamos nos ater a campanha difamatória dos bandeirantes de outrora. Sim, porque atacar os bandeirantes é uma forma de desmoralizar a origem brava e altiva da paulistaneidade.

E de uns tempos para cá, intelectuais que sabem tudo, notadamente da rica história paulista quando falam dos bandeirantes, apenas citam que eram cruéis e violentos, sem apreciar ou analisar o contexto social de então...

Imagine, ilustre leitor, forme o quadro histórico social daquela época e da conjuntura cultural mundial então. Imagine o aval da Igreja e o capitalismo em formação europeu se implantando na Colônia...

Imagine que aqueles que atravessavam o desconhecido... da Europa para as Índias, para as Américas, para o grande Brasil colonial desabitado e desconhecido já eram por si valentes ou coagidos a navegarem naquelas cascas de nozes...

Chegavam por aqui... diferentemente dos norte-americanos e dos australianos que foram degredados  para ficar, vinham para explorar. Era regra. A Cultura. Incentivados pela Coroa nababesca e indolente e pelo clero sem vergonha.

E explorar significa captação de escravos, como permitia, admitia e incentivava o clero influente daqueles tempos. Escravos eram os derrotados, não apenas negros e indígenas.

Imagine quem conhece a topografia da barreira que separa o planalto da Baixada Santista, o quadro de dificuldade. Imagine grupos de ousados subirem as escarpas da Serra do Mar para alcançar um planalto desconhecido e lá se estabelecerem.

Se depararem com os Guaianazes... com pacas e onças inexistentes na Europa... imagine se eram bonecas francesas ou homens rudes e mulheres dispostas a acompanhar seus homens que escalavam aquelas montanhas... 750 m de altura, penhascos, floresta atlantica...

Longe das feitorias, dos portos e do contato com a civilização. Isolados, junto com animais tropicais, e habitantes exóticos nem sempre ( com razão ) amistosos.

Assim surgiu a civilização paulista que por mais que critiquem, era formado por bravos e valentes que enfrentaram o desconhecido. Não atravessavam o Atlantico e subiam a Serra do Mar para brincar de Corte e mesuras palacianas.

E quem subiu a serra do Mar e enfrentou o desconhecido tinha animo e coragem suficiente para invadir o oeste a procura de riquezas, bens e lamentavelmente, escravos, pois a verdade Divina do Clero os admitia... Era a cultura. Era a Igreja agregada à riqueza dos mais poderosos política e economicamente que dava o aval.

Era o Evangelho interpretado pelo Papado que levava pessoas ao fogo por se rebelarem... Joana D'Arc, Galileu Galilei são exemplos notórios...

As monções e as  bandeiras iam com padres ... eram formadas por mais de mil pessoas... Um batalhão enorme formado por gente de todas as espécies. Como a policia hoje. Como o Judiciário, o MP, os advogados... com gente de toda a espécie.

 Não existiam vacinas...médicos... nem mulheres para acalmarem a tropa... Prezados leitores imaginem o quadro.

 E pela topografia paulista... depois de se arranhar na subida da serra, o declive em direção a Minas, Mato Grosso, planalto central era moleza...As monções aproveitavam a estrada fluvial do Anhembi e seus afluentes.

 Iam com facilidade para todos os pontos, pois o difícil fora escalar a Serra de Paranapiacaba. Foi bandeirante paulista, contrariando ordem régia ter fundado Lages no sul de Santa Catarina e Cuiabá ao norte do centro oeste...

 E as adversidades eram tais ( se coloca no lugar deles ) e a ambição tamanha, que tinham que ser bravos, brutos, justiceiros... violentos... e muitos morriam com malária, com picadas de cobras ou flechadas de índios assustados... Era a cultura da época. Os mansos estavam em São Vicente, em Olinda... os espertos, vivendo às custas da burocracia em Salvador e no Rio... ( aliás como atualmente )

 Justifica-se a violência naquela época e circunstancias. Era a cultura própria. Na América Hispânica também a violência predominava, e os conquistadores da África e da Ásia idem... As cruzadas, 500 anos antes fizeram o mesmo. Os mouros na península Ibérica idem...Essa versão creio que seria mais justa e menos atentatória a verdade.

 Enquanto o paulista isolado fazia das tripas coração para sobreviver isolado, na mesma época, no litoral o pessoal ali instalado, com as benesses circunstanciais também agiam da mesma forma: escravizavam e exploravam o povo... como até hoje. Só que não se encontravam isolados, tinham noticias do reino...

 Não se censura que o senhor de engenho do Nordeste de então explorava o índio, o negro e o povão que dele recebia chibata e ração... como ainda hoje.

 Enfim, é escandalosa a campanha contra o povo paulista. Atacam tudo para sua maior desmoralização.

Falam que a Revolução de 32 foi um movimento da elite, como se apenas a elite paulista fosse a elite perversa.

 Basta olhar a elite, em pleno século 21, gaúcha, catarinense... nordestina... veja como procedem. A diferença é que a elite paulista, urbana e industrializada, é menos exploradora e raivosa como se constata nos interiores do imenso pais.

 Eu vi, Ilustres leitores, no interior de Sergipe, há dois ou três anos atrás, sede da fazenda com piscina de um lado da rodovia e casa de pau a pique do outro lado da estrada, com a Água dos animais servidas aos empregados... Eu vi... esses habitantes mendigos sem água potável olhando os nababos da elite na piscina. Os maltrapilhos felizes porque podiam morar na beira da estrada... Elite de Sergipe.

 Eu vi há aproximadamente uns vinte ou quinze anos um Juiz de Direito do Tocantins, que obrigava dois filhos do Escrivão judicial atravessarem o rio à nado, toda tarde com ele, para que ele não nadasse sozinho.A elite do Judiciário perdida no meio do Estado do Tocantins, próximo a divisa da Bahia...

 Isso não existe em S. Paulo.

 Até a mão de obra mais explorada que é do cortador de cana, sobrevive com muito mais dignidade que os trabalhadores análogos a escravos que existem nas carvoarias de MS, no interior do Pará e no Estado que eu moro:

 Aqui em Sc existe trabalho escravo que eu denunciei quando era coordenador do Instituto de Defesa da Cidadania e Direitos Humanos no interior de Araquari, cidade litorânea, vizinha de Joinville, centro de cultura soberba alemã. Comarca. à beira da br 101. O trabalho escravo em Sc ainda hoje existe. E SC é tido como Estado culturalmente avançado... que é a grande mentira. A violência, a farra do boi, a falta de estrutura do Judiciário que não funciona... os capitães Amin, L. Henrique da Silveira... são frutos da elite que domina os Catarinas que não se conforma com a invasão de imigrantes nacionais e estrangeiros que estão tomando conta da iniciativa privada...

 A elite dominante nos meios de comunicações que se concentram na RBS, do Rio Grande do Sul e explora intelectualmente o povo servil barriga verde.

 Há poucos dias, o Ministério do Trabalho e Emprego pegou trabalhadores análogos a escravos em Rio do Sul, ou imediações... no centro de SC, próximo ao Vale do Itajaí... lugar tido como adiantado. Por lá, o conflito entre posseiros e agricultores contra indígenas vem há 50 anos e ninguem ultima atos, para não tocar em interesses políticos e da elite... que manda e desmanda como quer no Estado.

 No entanto não se fala da elite barriga verde, apenas que a elite paulista é perversa. No Tocantins, quando presidente da OAB eu consegui liberar um preso, que cumpria pena, amarrado numa árvore. Isso é crueldade. Não é fruto da elite paulista. Essa é mais conscienciosa e respeita liberdades individuais.

 O povo é o grande fiscal. Tem mais educação. Exerce cidadania. Tem mais consciência politica. Promove movimentos, greves, vai às ruas sem medo. É cultural a valentia e a organização social do paulista. Isso não se propala.

 Só existe greve nacional se S. Paulo entra. Ou melhor, se o movimento começa em S. Paulo. A derrota dos ditadores e do arrocho começou em São Caetano, que unido o povo foi ao estádio para enfrentar o DOI e a policia do Maluf.

Os movimentos de massa começam sempre por S. Paulo... que enfrenta a elite e essa recua.No entanto, são os homens da Industria Paulista, os Maluf incompetentes que levam a fama, quando os das críticas...aliás se aliam ao PT.

É lamentável que o povo paulista e seus governantes não se atentem para essa campanha infamante... direcionada a um objetivo mesquinho.Bem triste que não usem a TV e a Rádio Cultura, da Fundação Pe. Anchieta, para difundir a verdadeira história de S. Paulo...

O movimento constitucionalista, o bandeirantismo e outros inúmeros movimentos intelectuais deveriam ser lecionados com mais atenção nas escolas...Em todos os Estados da federação o bairrismo é muito grande. TV e a midia enaltecem seus habitantes. Concursos públicos são direcionados para que o natural do estado leve vantagem, a ponto do concurso para magistratura de Santa Catarina, ter intervenção federal anos atrás, em virtude das questões regionais direcionadas...A loteria mineira, fazia propaganda antigamente, que A Mineira só dá para Mineiro e assim vai... Os Centros de Tradição Gaúcha estão espalhados por todos os cantos.

Até no Rio, que é metrópole, foi capital do império e federal... há um bairrismo oficializado, amparado pelas organizações Globo ( só a capital, porque o resto do estado é tão pobre quanto o Piaui... só andando por lá para ver e crer )

Enfim, para não me alongar, assinalo que não sou dono da verdade, mas assevero que a campanha é para desmistificar a coragem, o trabalho, a organização politica, social, burocrática, educacional e a tradição de um povo que Pro Brasilia fiant Eximia... e faz mesmo, com ou sem reconhecimento dos brasileiros.

Um povo caridoso, amigo, que atende a todos e recebe o imigrante de braços abertos.

Enfim mesmo, um povo que está sempre dando as mãos para o próximo e que não é reconhecido. Um povo que não distingue raça ou origem...bem diferente dos demais que por medo ou incompetência principalmente seccionam os imigrantes do convívio, principalmente se o chegante for de S. Paulo.

Prezados Leitores, leiem, releiem, aditem, retifiquem, completem... enfim, acordem, pois o Brasil está cada vez mais explorando escandalosamente o povo paulista.

Abraços

Roberto J. Pugliese

Um comentário:

  1. Caro Roberto,
    Realmente, ultimamente tem sido comum culpar o Estado de SP e seu povo por todos os problemas do país, quando na verdade é o contrário, se o Brasil chegou onde chegou na economia mundial, foi graças ao nosso Estado, que já é a locomotiva do país desde a época do café.
    Um povo que foi formado por muitos outros, desde os bandeirantes e outros colonos (nos quais estavam misturados portugueses, judeus, índios, e depois africanos), até os grandes imigrantes (os bravos italianos, alemães, portugueses, espanhóis, japoneses, judeus, árabes, armênios, poloneses, outros europeus, etc) que desenvolveram a indústria paulista.
    E hoje, também os migrantes nordestinos, que dão seu suor e coragem para construir uma vida melhor aqui, já que na sua terra de origem, que o Governo Federal diz investir tanto dinheiro, não têm como sobreviver.
    Porém o Governo Federal nos sobrecarrega com impostos, e depois não os investem aqui, principalmente por questões partidárias, pois o partido que há anos nos governa (PSDB) é o principal opositor ao do Governo (PT), que pensa que regulando dinheiro vai conseguir eleger seus candidatos aqui.
    Somos forçados a ver Senadores e Ministros em recorrentes casos de corrupção roubando e torrando dinheiro público, que certamente vem em boa parte de SP! Chega desse desrespeito de Brasília!

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