sexta-feira, 25 de maio de 2012

Santa Catarina chora por estradas !



BR 101 E OUTROS ENTRAVES.





Não é de hoje que a sociedade catarinense busca das autoridades federais a concretização da duplicação da rodovia Governador Mário Covas.

 

O transito intenso bem superior a capacidade suportável, exige sua duplicação desde São João do Sul, na divisa do Rio Grande do Sul, até Garuva, junto ao Estado do Paraná, de forma a oferecer condições de segurança e mobilidade razoável.

 

O trecho norte, a partir da capital, se encontra privatizado e duplicado. Ainda que alguns trechos, próximo a Itajaí e Joinville o trafego intenso já revela necessidade de ampliação das faixas de rolamentos, ainda é suportável.

 

Na região metropolitana da Capital, existe a necessidade, também pleiteada às mesmas autoridades, que se construa o contorno de forma a permitir que o tráfego que cruza pela rodovia no sentido norte sul ou contrário, não sofra os costumeiros congestionamentos decorrentes do transito que há entre as zonas urbanizadas locais, também muito intensas e freqüentes.

 

A BR 101 inegavelmente é estratégica e precisa ser duplicada e ao longo de Santa Catarina modernizada em toda sua extensão, sendo reconhecidamente,  gargalo que contribui sensivelmente para a estagnação do desenvolvimento, inclusive provocando sérios prejuízos ao Brasil, já que é rota rodoviária que une países do MERCOSUL.

 

Há vários anos as autoridades catarinenses buscam a compreensão do governo federal e insistem que realize essa e outras obras indispensáveis em diversas outras estradas federais que cortam o território catarinense. A imprensa solidária tem ajudado bastante nesse sentido e os parlamentares, independente de siglas partidárias, unidos num só coro, intermediado junto ao DENIT e mesmo à Presidência da República o clamor aqui denunciado.

 

As autoridades, imprensa e associações empresárias de um modo geral não param de gritar, reclamar e pedir a duplicação do trecho sul da rodovia.

 

No entanto os catarinenses esquecem que o país é grande e pobre. Que a União tem parcos recursos financeiros e inúmeras prioridades.  Esquecem que regiões mais carentes dependem para tudo, do governo federal, de modo a transferir prioridades para esses bolsões de pobreza em detrimento de regiões mais desenvolvidas, como é Santa Catarina.

 

Esquecem os catarinenses que o país não se resume ao laborioso Estado, que espremido na região sul, por mais necessidade que tenha, sempre estará melhor servido e assistido que os territórios longínquos do norte e centro oeste que ainda não foram se quer desbravados.

 

Esquece o povo e as autoridades barriga verdes que a BR 101, a maior rodovia brasileira, também é projetada para atravessar lindeira à costa, São Paulo e Paraná e que, dada a omissão federal, essas unidades federativas, assumiram a postura e obraram rodovias estaduais de forma a suprir as exigências locais.

 

O litoral paranaense é cortado por estradas que o próprio Estado construiu, que substitui a rodovia em questão, e São Paulo, igualmente, às próprias expensas, tem no lugar da rodovia Governador Mário Covas, a SP 55, com trechos que se inicia em Ubatuba e termina em Peruíbe, ladeando seu populoso litoral, posto que a União também não construiu a BR 101 que no papel, é de seu encargo.

 

Vale mesmo lembrar que o distrito no Ariri, na divisa com o Paraná, em Cananéia, a única união por terra ao restante do Estado, se faz através de precária estrada, nem sempre transitável. Igualmente lembrar, que entre Peruíbe e Cananéia, não há ligação costeando o litoral, isolando comunidades, entre outras, Una, Guaraú, Porto Prelado, Porto do Ribeira, Subauna que deveriam ter nas imediações trechos da inexistente e apenas projetada BR 101.

 

Importante lembrar que  Santa Catarina, mesmo com carências que refletem na qualidade de vida de seu povo, é no quadro brasileiro, um dos principais, com economia pujante, pois espalhado pelo seu território, mantém agricultura tradicional e industria variada, de renome nacional e internacional, invejável. Dispõe de comércio forte e o turismo é bastante concorrido, gerando empregos diretos e indiretos e elevada arrecadação.

 

A economia catarinense é classificada entre as dez maiores do país, propiciando condições financeiras invejáveis. Forte, a ponto de o litoral abrigar atualmente seis grandes e já tradicionais portos.

 

Enfim, sem muito lero lero, o Estado de Santa Catarina ao invés de choramingar que a rodovia não está pronta, que falta vontade política federal, que não são ouvidos e isso e aquilo, deveria agir de forma erecta e altiva, e copiando a postura do vizinho Paraná e da iniciativa paulista, promover a execução dos projetos federais e duplicar por si a rodovia que, ao longo da costa litorânea sul, ainda em obras, seria estadualizada e resolveria o problema que, ao que se percebe é sério.

 

A característica da personalidade que o catarinense estampa é de tratar-se de povo altivo, orgulhoso e bastante laborioso. Assim, choramingar pedindo e reclamando que a importante rodovia seja concluída é, sem dúvida, vergonhoso e prova de inegável egoísmo, se for lembrado da situação em que se encontram as estradas, tão importantes para o desenvolvimento nacional, existentes ou projetadas pelas regiões mais distantes e carentes.

 

Quem quer faz, quem não quer,manda. Se a falta de duplicação da rodovia Governador Mário Covas é um entrave, mãos a obra. Faça por si. Mãos a obra. Faça ao invés de esmolar.

 

Roberto J. Pugliese






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