sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Auriverde pendão da minha terra...Marinha prende animais domésticos

A elite e as comunidades quilombolas...


( colaboração de racismoambiental )


Denize Almeida Ribeiro

Os poderes públicos do nosso país perderam a noção do que é justiça. A sana enlouquecedora da elite que se diz dominante vem alcançando indíces alarmantes no que se refere a falta de humanidade, que é diretamente proporcional aos seus lucros. Por conta disso não importa, aliás, pouco importa; principalmente se você for negro e pobre prepare-se para ser diariamente violado pelos agentes públicos, que deveriam te proteger.

A comunidade de Rio dos Macacos, remanescente de quilombos, localizada em São Tomé de Paripe, vem sofrendo há décadas agressões e violência desta natureza e de toda sorte por parte da Marinha do Brasil. A Marinha invadiu as terras desta comunidade e agora trata aos seus moradores como invasores e criminosos. Nós não podemos ficar em silêncio diante da barbárie… sob pena de sermos cúmplices de coisas piores.

Sabemos que a elite sempre comandou a Marinha, que foi preciso acontecer uma Revolta das Chibatas para que as humilhações sofridas por marinheiros negros acabassem nesta corporação.
Mas, o que surpreende os Movimentos Sociais é isso acontecer agora, em um governo que se diz popular, que combate o racismo, defensor dos direitos de pobres, de negros e mulheres.

Precisamos nos perguntar se quem governa a Marinha está alinhado com este mesmo discurso de governo? Ou a que governo pertence a Marinha do Brasil? Ou mesmo se compete à Marinha do Brasil defender os mares e não ao povo brasileiro? Ou mesmo qual deve ser o papel das instâncias de governo criadas para a defesa de nossos direitos? Ou, até, qual o papel dos Movimentos Sociais diante deste governo? Tomo emprestadas as reflexões de Castro Alves no Navio Negreiro:

“Colombo, fecha a porta dos seus mares…”“…que bandeira é essa que serve a um povo de mortalha?- Auriverde pendão da minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança…”

Que história que não sai do lugar essa nossa, não? Pois é, meu povo, o velho racismo, irmão do colonialismo, aqui diante de nossos olhos se reconfigurando e tomando as mesmas posturas, utilizando dos nossos irmãos para fazerem o trabalho sujo… triste!

Parece que teremos que apelar mais uma vez às organizações humanitárias internacionais, pois por mais que o governo envie seus ouvidores, eles não nos ouvem, não conseguem entender de Direitos Humanos e não têm autonomia para nada além de ouvir.
Enquanto isso, na sala de justiça, ao mesmo tempo em que dialogávamos com os representantes enviados pelo governo, a Marinha do Brasil continuava a violar a referida comunidade prendendo seus animais de estimação. A comunidade que já não tem nenhum de seus direitos respeitados ou garantidos, que já não tem quase nada, perdeu hoje seus bichinhos de estimação que, acreditem, foram presos pela Marinha do Brasil, que parece não ter nada mais interessante para fazer, com o salário que pagamos a eles, além de prender cães e gatos como se fossem graves criminosos procurados e infernizar a vida de uma comunidade pobre e analfabeta, graças ao governo do Brasil.

Creio que a nação tem muito com que se preocupar quando uma corporação, paga por ela, que deveria defendê-la, se volta contra ela agindo com tal descontrole e truculência….

A população relata inúmeras situações indignas de estarem acontecendo em qualquer período da história, desde armas apontadas para a cabeça de crianças a casas invadidas e os moradores locais sendo impedidos do seu direito de ir e vir. É triste perceber que algo maior deve estar por trás deste interesse sem controle, desumano, arbitrado pela Marinha do Brasil com a conivência da justiça… Pois tal tratamento não é o mesmo dado às empresas que poluem a área, nem mesmo aos empresários da Bahia Marina, construída através do aterrametno do mar ao lado do Comando do 2º Distrito Naval, em Salvador…

Precisamos mobilizar a comunidade, a população, a nação. Não há espaço para realizarmos mais uma copa do mundo às custas do silêncio, da tortura, da violência e da injustiça.
Isso nos faz relembrar da copa do mundo nos tempos da ditadura militar, mas aqueles eram tempos de ditadura… E agora, que tempos são estes????

( Enviada por Diosmar Filho para Rede Nacional de Advogados Populares - Renap )
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