domingo, 18 de março de 2012

Anita Catarina Malfatti - Membro do Conselho Editorial

Anita Catarina Malfatti. Membro do Conselho Editorial do Expresso Vida.

Não
fazia nem um mês desde que o Brasil deixara de ter imperador para se
transformar numa República,
quando nasceu Anita Catarina Malfatti. São Paulo, sua cidade natal, contava com
menos de 50 mil habitantes - e acabara de ganhar seu primeiro transporte
coletivo, o bonde puxado a burro.

Os
primeiros estudos artísticos de Anita foram orientados pela mãe. Elisabete, de
nacionalidade norte-americana, era pintora, desenhista e falava vários idiomas.
Anita se formou professora aos 19 anos, no Mackenzie, em São Paulo. Nessa
época, morreu seu pai, responsável pelo sustento da família. A partir de então,
a mãe passou a dar aulas de idiomas e de pintura, e Anita começou a trabalhar
como professora. No entanto, seu talento para a pintura sensibilizou o tio e o
padrinho de tal forma que eles juntaram dinheiro para mandar a moça estudar na
Academia de Belas-Artes de Berlim, na Alemanha.

Lá, Anita foi a uma grande exposição de pintura moderna.
Ela acabava de ter contato com a arte dos rebeldes, desligados do academicismo ensinado
nas escolas. Na ocasião, Anita se deu conta de que nada no mundo era incolor ou
sem luz. Fascinada, aproximou-se do grupo e passou a ter aulas, primeiro com
Luís Corinth, o pintor daquelas telas, e depois com Bischoff-Culm, aprendendo
pintura livre e a técnica da gravura em metal.

A pintora voltou ao Brasil e realizou sua primeira exposição individual, em
1914. Em seguida, foi para os Estados Unidos
onde estudou com Homer Boss, com a liberdade de pintar o que desejasse, livre
de imposições.

Foi esse período que marcou a fase mais brilhante de sua criação. Anita
produziu telas como "O homem amarelo", "Mulher de cabelos
verdes", "O Japonês", ainda hoje tidas entre suas melhores
obras.

Em
1917, São Paulo já contava com quase 500 mil habitantes - mas ainda era uma
cidade acanhada em termos de vida cultural. Nesse ano Anita fez outra
exposição, muito importante porque foi considerada a semente do modernismo.
"Foi
ela, foram os seus quadros, que nos deram uma primeira consciência de revolta e
de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras" disse o
escritor Mário
de Andrade
, outro expoente do modernismo
brasileiro
.

No entanto, o editor e autor Monteiro Lobato,
em artigo publicado no jornal "O Estado de S.Paulo", criticou a
mostra, esperando atingir seu alvo principal, os modernistas, como Di Cavalcanti,
companheiros da pintora. Ela recebeu mal a crítica. Entrou em depressão e parou
de pintar. Um ano depois, decidida a ser mais convencional, foi tomar aulas de
natureza-morta com Pedro Alexandrino Borges, e se tornou amiga da pintora Tarsila do Amaral.

Os trabalhos de Anita foram exibidos na Semana de Arte Moderna
de 1922
e em outras exposições, onde foi premiada e consagrada. Em 1933,
conquistou a grande medalha de prata do Salão de Belas-Artes em São Paulo -
nesse ano, a cidade completava a marca de um milhão de habitantes. Expôs na 1ª.
Bienal paulista, em 1951. Quando a população paulistana passava dos quatro
milhões, em 1963, Anita mereceu sala especial nessa mesma exposição.

A pintora teve um amigo, confidente, sua paixão platônica de toda uma vida:
Mario de Andrade. Ao que tudo indica, Mario sabia do amor de Anita, mas os dois
nunca falaram sobre isso. Ele morreu, solteiro, em 1945. No décimo aniversário
da morte do escritor, ela escreveu-lhe uma carta:

"Tenho medo de ter desapontado a você. Quando se espera tanto de um amigo,
este fica assustado, pois sabe que nós mesmos, nada podemos fazer e ficamos
querendo, querendo ser grandes artistas e tristes de ficarmos aquém da
expectativa."

Anita
nasceu em 2 de Dezembro de 1889, na cidade de São Paulo e faleceu em Diadema,
em 6 de novembro de 1964.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
( Colhido de Página 3 Pedagogia e
Comunicação )

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