sábado, 10 de março de 2012

A Pílula do Amor -

OPINIÃO ( Jornal A Notícia, Joinville )

A pílula do amor, por Guilherme Guimbala Junior*

Não, não é da famosa pílula azul a que quero me referir, mas, sim, a uma que
a indústria farmacêutica freneticamente corre atrás para descobrir a fórmula. As
neurociências começam a responder a algumas perguntas. Amar dói? A paixão vicia?

Sentimos fisicamente as dores do amor? São perguntas que, com o advento das
novas técnicas de mapeamento cerebral e ressonância magnética, começam a ter os
segredos revelados. Os caminhos neurológicos que fazemos no nosso cérebro quando
enamorados se transformam metaforicamente de picadas em avenidas de primeiro
mundo.Segundo as pesquisas, quando manifestamos emoções relativas a um
relacionamento, ativamos uma área chamada tegmentar ventral na região do
mesencéfalo, abaixo do córtex. Quando ativada esta área, perceberam os
cientistas, nas imagens, que um pequeno ponto de luz aparece, e em pessoas com
relacionamentos estáveis e duradouros este ponto de luz se destaca. Só de ver as
fotos dos parceiros, os cérebros automaticamente reagem, ativando a área
tegmentar ventral e produzindo intensa quantidade de dois neurotransmissores, a
oxcitocina e a vasopressina, provocando um enorme sentimento de prazer, chamados
pelo cientistas de neurotransmissores da paixão.

Com todas essas novas
descobertas e estes novos conhecimentos sobre a bioquímica do amor, cientistas
como o professor Larry Young, da Universidade Evory, antecipam que drogas para
manipular os sistemas cerebrais do amor e da paixão não estão tão distantes
assim.A pesquisadora Helen Fischer afirma que a paixão pode ser
comparada a um vício. As mesmas áreas cerebrais ativadas na paixão também são
ativadas quando alguém consome drogas e atuam nos mesmos circuitos cerebrais das
recompensas.

O sofrimento pela abstinência de drogas, segundo Helen, é também
muito semelhante às dores de quem sofre por amor.Aquela cara de pastel
frente à pessoa amada, segundo os neurocientistas, é fruto da endorfina, que
causa um certo torpor – efeito característico do consumo de álcool ou de drogas,
e a principal conclusão dos cientistas é que a paixão vicia. Para os sofredores
passionais e viciados compulsivos da paixão, a esperança é a neurofarmacologia
inventar a pílula do amor para amenizar este sofrimento. E nem precisamos
profetizar que um medicamento desses com eficácia comprovada vai se tornar um
hit de consumo.

( @profguimbala - Professor )

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