sábado, 24 de março de 2012

São Francisco do Sul x concentração de renda e poder.

Concentração de renda, poder e miséria. -


A elevada concentração de renda e a miséria do povo.
O PIB é o produto interno bruto de determinada sociedade. Pode ser
de um país, de um município ou mesmo de uma associação particular, pois serve
para apurar o montante do resultado da produção econômica e apontar, dentro do
número das pessoas envolvidas, o grau de resultado que cabe para cada
um.


A partilha no entanto não reflete uma igualdade. Assim, uns ganham mais e outros
menos, quando o pib é dividido entre os envolvidos.
São Francisco do Sul, cidade portuária, situada na ilha de São
Francisco, próximo a Joinville, no litoral norte de Santa Catarina, é um exemplo
típico de dois aspectos negativos da má distribuição do pib. Trata-se de uma
cidade com aproximadamente 42 mil habitantes e um dos maiores pib do país.
Sim, do pais. Um dos maiores pib’s do
país.

Poucas cidades brasileiras tem um pib nesta proporção.
Para se ter idéia, é mais de 3 vezes superior ao de Joinville,
maior cidade do Estado, com 500 mil habitantes e indústria de porte, com
reconhecida capacidade de desenvolvimento em todo o mundo. Cidade moderna,
limpa, com povo instruído, educado e com profissionais qualificados na prestação
de serviços, com renome internacional. Joinville é cidade que oferece qualidade
de vida bem superior a muitas cidades brasileiras, porém seu pib é bem
inferior.

São Francisco do Sul teve no ano de 2010 um PIB de quase R$ 83.000,00, o que vale
dizer que estatisticamente a população deveria estar situada num patamar de
riqueza elevada, superior ao restante do Estado e a muitas cidades importantes,
como Paranaguá, no Paraná ( R$39.000,00 ) ou Santos, ( R$60.000,00) no Estado de
São Paulo.

Ambas cidades citadas são portos, como São Francisco do Sul, com pib inferior, porém
com desenvolvimento e estética radicalmente diferente, a despeito da produção
econômica ser bem inferior.

No entanto, o mesmo IBGE, que divulga esses números aponta que no universo de
habitantes daquele município, quase trezentas pessoas, não percebem um quarto de
salário mínimo e trinta e seis, vencem mais que trinta salários
mínimos.

Isso significa que a concentração de renda é elevada e toda a produção arrecadada é
direcionada para fora da cidade, com investimentos, provenientes da produção
francisquense em outros municípios.

Resultado:
O que se percebe nitidamente é que a cidade não se desenvolve na proporção de
seu potencial econômico. Continua com a massa populacional pobre no mais amplo
dos sentidos, de forma que profissionais mais ousados não se instalam na cidade,
preferindo apostar sua técnica e saber, com o conhecimento mais atual e
profissional, noutras cidades, inclusive na vizinha Joinville ou Jaraguá do Sul,
cujo PiB também é dos mais atraentes no Estado, atingindo
R$34.000,00.

Assim, diante do quadro que se denota, a pobreza da cidade afasta a
qualificação de sua frequência. Basta ver que suas praias são frequentadas, na
maioria, pelos operários das cidades vizinhas e os altos escalões das empresas
instaladas na cidade, Petrobras, Vega do Sul entre outras, residem noutros
municípios, que permitem desfrutar de qualidade melhor do que o lugar onde
trabalham.

Um exemplo do descaso que a elite francisquense vira as costas para
a cidade é que a Associação Comercial local não tem nos seus quadros
associativos, empresas maiores, quer no ramo industrial, quer no comercial,
preferindo esses maiores empresários, estarem associados a ACIJ, Associação
Comercial e Industrial de Joinville, onde o peso de suas deliberações impõe
respeito. Os empresários de Joinville
são respeitados, ouvidos e se manifestam não apenas no âmbito local ou
estadual, porém nacional. Os candidatos a presidência da República, nos últimos
anos, em campanha tem visitado a ACIJ.

São
Francisco do Sul, com a concentração de renda, não tem peso politico e o povo
desta cidade, cuja beleza natural é impar, está alijado de qualquer progresso e
desenvolvimento.
O processo de mudança se faz necessário. Para tanto é preciso que a
classe politica se movimente nesse sentido e que a população pressione para que
haja melhor distribuição do pib e os investimentos sejam direcionados para o
mesmo município, carente de serviços públicos à altura do nível de produção
apontado.

Insta aqui apresentar um parentese, denunciando que entre as 700
cidades cuja qualidade de vida se destaca, Santos, Sp, é a 12a.; Joinville, é a
5a. do Estado e 87a. do Brasil; Jaragua do Sul, é a 145a. sendo certo que São
Francisco do Sul, está fora da listagem na qual se encontra Itapoá, pequeno
municipio situado nas margens norte da baia de Babitonga, limitando-se com S.
Francisco do Sul. Também Pariquera Açu, no Vale do Ribeira e Boa Vista, capital
do Estado de Roraima, estão listadas.

No
entanto essa mudança não se vislumbra, pois, a população não se dá conta da
necessária mudança e seus políticos, se acomodam dentro do quadro elitizado que
se fecharam.

O município perdeu sua vocação natural. E assim está desorientada,
com a população mais qualificada evadindo-se, para não estagnar nas soleiras de
bares e botecos.


Enfim, o exemplo de concentração de renda é uma síntese da
concentração de poder político e econômico e consequentemente de poder de
comando que torna um povo servil e obediente, de modo a servir de exemplo a
todas as comunidades nessa situação.

Cidades adminstradas por coronéis,
cujo povo idolatra e venera elite e concentração de poder, tem sua força
produtiva a serviço de poucos e as multidões de trabalhadores servis aos seus
comandantes, como ocorre no exemplo apontado, São Francisco do
Sul.

ROBERTO J. PUGLIESE
www.pugliesegomes.com.br

( Dados colhidos do IBGE )

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