sábado, 14 de dezembro de 2013

Incidentes rodoviários. ( memória nº 44 )


Memória nº44
Porto Nacional e Santos: Incidentes pitorescos.

 

Depois de algumas semanas mulher e filho estavam retornando à Gurupi. Passaram os festejos de final de ano em São Paulo e pousariam por volta das 10 horas em Porto Nacional, onde se encontra o melhor aeroporto do Estado.

 

Cedinho Lourenço pegou a estrada. Calor, tempestade prevista, abasteceu com álcool, verificou o nível do óleo e completou o nível da água do reservatório auxiliar do radiador. ( O reservatório de água sempre era entupido de água, mas ele não dava a devida importância.) Tudo em ordem: Belém-Brasília, Fátima e o aeroporto era o destino. Pela frente, 190 km. para percorrer em 2 horas.

 

Em pouco mais de uma hora já passava por Fátima e adentrava na TO 255, rumo a mais tradicional cidade do Estado, para percorrer os restantes 70 Km.

 

Muito sol. Calor e estrada vazia naquele domingo, quando escuta um estrondo e observa sair do tampão do motor fumaça. Atenta-se no volante verificando se eram os pneus e não dá muita importância seguindo sem parar.

 

Anda mais alguns minutos e percebe que a temperatura do motor elevou-se sobremaneira e a fumaça idem. A fumaça na verdade era vapor.  Sem titubear, sai da rodovia e ingressa num sítio à beira, pedindo para o proprietário permitir que deixe o auto por lá para ir buscar ajuda.

 

O reservatório havia explodido pela pressão do calor e o elevado nível de água que não permitiu sobrar espaço da evaporação consequente.

 

Em 1991 não havia telefone móvel. No Tocantins telefone era raro e na zona rural...algo inconcebível.

 

Foi à beira do asfalto tentar carona, numa estrada vazia, com o sol já dando lugar às nuvens escuras, quando se deparou com um ônibus que passava em direção à Porto Nacional. O coletivo era da linha e estava no horário, que por sinal, era também do pouso do avião.

 

Não tinha outra alternativa e seguiu viagem no coletivo até adentrar na cidade, quase duas horas depois, e no centro descer, pagar e contratar um taxi.

 

- Preciso ir para Gurupi... antes me leve ao aeroporto.

 

Negociou preço e outros detalhes.

 

No portão principal do aeródromo sua família o esperava com certa preocupação, esclarecendo que uma das malas extraviara e seguira para Belém.

 

Acomodaram-se e iniciaram a viagem, que dada a experiência no volante, percebeu que o motorista não tinha o mínimo traquejo e colocaria todos em risco. Logo estariam saindo da rodovia estadual, sem movimento e ingressariam na BR153, movimentada e preocupou-se.

 

Criativo, determinou que parasse num posto de gasolina para... Ir ao banheiro, abastecer, comer algo... Enfim, para sugerir que ele guiasse.

 

- Se importa que eu vá guiando. Está chovendo... e blá blá blá...E conseguiu convencer o motorista a lhe entregar o volante. Antes haviam dado uma paradinha no sítio e conversara com a dona, explicando que segunda ou terça feira viriam buscar o carro.

 

Sem muita conversa sob a tromba d’água comum àquela época do ano, de Fátima à Gurupi dirigiu o automóvel e a família com a segurança indispensável. Lourenço assumiu o volante. Na porta de casa, tiraram as malas, acertaram as contas e despediram-se do motorista que viera de carona.

 

No dia seguinte o mecânico de sua confiança foi ao sítio retirar o auto... que retornou à reboque.

 

Lourenço dirigira o taxi desde de Fátima até sua casa debaixo da tempestade.

 

Anos antes ia de Itanhaém à Santos com um cliente para uma audiência no Forum santista. Ao chegarem na bifurcação, onde a rodovia segue de um lado, em direção a Samaritá e Cubatão e de outro para Praia Grande, São Vicente, Ponte Pensil, Santos, o carro quebrou. Deu tempo apenas para estacionar o carro no acostamento.

 

Trancou o auto e imediatamente conseguiu parar um taxi que passava no local. O motorista tomando conhecimento do incidente passou numa oficina nas redondezas, Lourenço deixou as chaves e seguiu para a audiência.

 

Mais tarde, após a solenidade na Vara Cível, num outro taxi foram direto para oficina e pegaram o carro que já fora consertado.

 

Interessante que a coincidência impediu que perdessem a hora designada para o ato judicial. Muita sorte o taxi ter passado no momento que o auto quebrara em plena rodovia.

 

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc
Membro da Academia Eldoradense de Letras
Membro da Academia Itanhaense de Letras
Titular da Cadeira nº 35 – Academia São José de Letras
Autor de Terrenos de Marinha e seus Acrescidos, Letras Jurídicas
Autor de Direitos das Coisas, Leud

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