terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Rancho Santa Fé e outras lembranças. ( memória nº40 )


Memória nº40

Rancho Santa Fé.

 

Muitas famílias foram residir em Itanhaém por recomendação médica. O ar puro de ozônio e a boa água, junto com os atributos do mar e presença de lama curativa foram motivos que justificaram a presença de ilustres personagens na cidade.Em 1930 já eram muitos os imigrantes que também lá se estabeleciam pelas plásticas naturais inspiradoras e pelo sossego e quietude da Vila dedicada a Nossa Senhora de Conceição.

Entre tantos amantes das artes plásticas que também por lá se estabeleceram encantados pelos incontáveis atrativos para suas telas, vale enumerar Volpi e Tarsila do Amaral.

Volpi morou no início do século passado na Vila, próximo onde havia a fábrica de tamancos, e anos mais tarde Zefa instalou o primeiro cinema do litoral sul paulista. Sua ida à Itanhaém se deu em razão da doença acometida por  sua mulher.Nas imediações também foi inaugurada a Rádio Anchieta, a pioneira da região que transmitia em Ondas Médias cujo alcance era bem superior à potencia instalada, dada a influencia do oceano, aliada a forca gerada pelo sal marinho e pela ausência de obstáculos.

 A renomada pintora, de sua parte, ergueu um pequeno rancho de madeira no Caminho do Porto Novo, próximo à praia, tendo residido por lá durante alguns anos. Com sua morte, Dulce, filha da artista, mudou-se para lá indo viver com sua filha, que lamentavelmente afogou-se presa a uma pedra junto ao costão da Prainha, vindo a tragicamente falecer.

O Rancho Santa Fé, um chateaux de madeira, pintado de vermelho e creme, com janelas esculpidas em coração, vizinho de Tarsila, em 1953 foi adquirido pela família de Lourenço. Bem no pé do morro, junto a mina d’agua, potável e intermitente, o terreno do rancho foi ao longo dos anos sendo desmembrado, dando lugar à casa que permaneceu com a família por 50 anos, até vir a ser vendida, em 2003, ocasião que Lourenço chocado pela  notícia que recebera chegou a adoecer.

A casa serviu de base para a família. Os pais e os irmãos e Lourenço frequentaram assiduamente durante anos seguidos. Amigos e parentes eram convidados a passarem finais de semana ou dias de férias. Anos depois, entre 1983  e 1989 foi a residência de Lourenço, que se estabeleceu com a a mulher e o filho ainda pequeno, vindo de Cananéia, até mudar-se para Gurupi. Na Prainha, próximo ao mar, ao rio, ao Itanhaem Iate Clube, a casa esteve num lugar estratégico e nesses 50 anos, ele e os demais integrantes das famílias dos irmãos, seus sobrinhos, cunhada e cunhado, amealharam muitos amigos e registraram muitas histórias tendo incontáveis boas lembranças.

O Caminho do Porto Novo se transformou em rua Sebastião das Dores, em homenagem ao pescador que no principio do século passado residia com a família na isolada Prainha, próximo ao Púlpito de Anchieta, defronte a ilha das Cabras. Não morava mais ninguém por lá. Vindo a falecer o Caminho transformou-se em rua recebendo o nome do saudoso pescador.

Lourenço durante os anos que residiu em Itanháem participou da fundaçaão do Lions Club Praia, cuja inauguração se deu em 13 de Dezembro de 1983 e foi eleito diversas vezes diretor da OAB ocupando cargo de tesoureiro e secretário por 3 vezes, sendo em duas ocasiões o diretor mais votado, quando ao tempo, a eleição não era por chapa, mas cargo.

Naquele pedaço, junto ao Rancho Santa Fé, firmou amizades que se projetam até hoje e teve no Iate Club situado apenas alguns metros de sua casa, uma extensão da mesma, desde a sua fundação em 1959. Nas imediações aprendeu a dançar, na casa das irmãs Adriana e  Valéria, que todas as noites, durante as férias, colocavam uns discos na vitrola portátil que mantinham no terraço e chamavam os amigos para esses bailinhos improvisados e inocentes. Eram vizinhas.

Enfim, por 50 anos, ali no Porto Novo, da Prainha dos Pescadores, Lourenço teve seu quartel, seu porto seguro, e ergueu parte considerável de sua história. Enriqueceu o conhecimento e a vida que soube desfrutar em Itanhaém a partir daquele saudoso rancho...

Roberto J. Pugliese
presidente da Comissão de Direito Notarial e Registros Públicos –OAB-Sc

Nenhum comentário:

Postar um comentário