sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Brigada Militar x população de São Gabriel, RS

A
Brigada Militar tem espírito de porco?

“...rendeu
dinheiro aos jornais
cartaz
a polícia...” Racionais
MC’s (“Homem na Estrada”)

*Vitor Hugo Noroefé


Durante boa parte de minha vida,
passada em Cacequí (RS), os integrantes da Brigada Militar – a policia militar
do Rio Grande do Sul – eram conhecidos como pé-de-porco. Até hoje não
descobri se o apelido veio de uma referência a suas botas pretas ou da atitude
de certos membros da corporação.

E assistindo o vídeo postado no sitio virtual
do jornal “Cenário de Notícias”( http://cenariodenoticias.blogspot.com) da cidade gaúcha
de São Gabriel (RS), em 14 de fevereiro, a dúvida permanece.

O vídeo da manchete “Preso com drogas agora à tarde”, mostra um soldado
da tal Patamo (Patrulha Tático Móvel) da BM humilhando um preso por porte de
drogas. Ao chegar na Delegacia de Polícia de São Gabriel(RS), o militar
conduzindo o preso, em tom arbitrário e ao mesmo tempo sarcástico, dá ordens ao
jovem:

- Olha pras câmeras, olha pras câmera ali...

O preso tenta se esconder das câmeras, mas o policial obriga o detento a
permanecer virado para ajudar no desfecho do cinegrafista Toni Jardim. Como
resposta ao ato arbitrário do policial o jovem faz o conhecido gesto “fuck
you”.

Toda a ação acompanhada de risos, continua na hora da autuação pelo
policial civil, já dentro da delegacia, quando o brigadiano faz gozação,
interrogando se o preso quer o boné virado para trás ou não. Outro policial
tenta escrever Patamo com a droga apreendida e alguém comenta “só faltava ter
mais para terminar de escrever Patamo”.

Em matéria posterior, o jornal “Cenário de Notícias” informa que o jovem
preso é Bruno Marcondes de Souza, de 19 anos, conhecido como Leko,detido com 50
gramas de maconha. De acordo com a matéria o “rapaz tinha 22 tijolinhos de
maconha escondidos na cueca”. O que surpreende é que na foto que
ilustra a matéria, o brigadiano aparece rindo em direção ao preso. E quem olha,
fica sem entender o motivo do riso.

A pergunta que fica no ar é: tudo isso para comemorar a prisão de um
vapor baratíssimo, com 50 gramas de maconha? Logo maconha, uma das drogas que
cientificamente é tida por muitos cientistas como menos prejudicial
que o álcool? Tanto carnaval, com um menino de 19 anos, só para
mostrar prepotência e arrogância.

Cópia canhestra da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), de São
Paulo, a Patamo poderia se orgulhar de outras coisas, mas não de uma prisão
dessas. Afinal, isso é chutar cachorro morto.

Mas, parece que o efeito circense tem feito a cabeça de
policiais – militares e civis – de todos os quadrantes do Brasil. Assim, quando
a polícia militar de São Paulo apresenta como sua grande colaboração ao combate
do tráfico de drogas, desalojar e bater em viciados na Estação da Luz(região
conhecida como Cracolândia, devido ao uso do crack),, na capital paulista, não
resta nenhuma dúvida de que, essas entidades, sempre estiveram ao lado dos
grupos e corporações poderosas. No caso da região da Estação da Luz, qualquer um
pode conferir as ações do setor imobiliário por trás das ações
policiais.

Já no Rio Grande do Sul, a Brigada Militar, tem se mostrado eficiente
quando é para demonstrar seu apoio ao que há de mais arcaico no solo gaúcho. Foi
assim, que há pouco tempo atrás, matou um sem-terra na mesma cidade de São
Gabriel, que ostenta o orgulho de ser a “terra dos marechais”. Como se o mundo
fosse feito de marechais sem soldados.

Com essas heranças do tempo arbitrário, pelo qual o Brasil sucumbiu por
mais de vinte anos, as polícias enredam-se em metáforas como combate ao crime e
ao tráfico. Como se fossem paladinos e guardiãs de uma certa moral. Sabem – mas
fingem que ignoram – que são apenas joguetes, verdadeiros cães amestrados para
servir ao Grande Patrão, o conhecido Mercado. Por isso, essas entidades armadas,
se voltam contra seus verdadeiros e únicos patrões: os pobres que,
compulsoriamente, pagam seus soldos.

Á par disso, a Brigada Militar deveria ensinar um pouco de respeito aos
seus componentes. A corporação poderia também educar os seus
militares para que entendam que não possuem poder de julgamento e
muito menos direito de tripudiar sobre as pessoas. As polícias deveriam aceitar
o seu lugar na sociedade, sem ultrapassar seus limites. O contrário disso, é
interferir de maneira inócua e perversa em uma situação que pouco
ou quase nada lhe diz respeito.

Ou alguém pensa que, em sendo militar, pode
solucionar a pobreza projetada e organizada pelas empresas e grandes corporações
financeiras que faturam seus lucros a partir dessa mesma
miséria?

Voltando ao princípio desse texto, não custa questionar se a policia
militar gaúcha continuará fazendo jus a denominação popular ou pretende retirar
de sua vida, presente e futura o seu espírito de porco. Sim, do presente e do
futuro. Porque no passado, já foi.

*Vitor Hugo Noroefé é produtor de textos e detetive social

2 comentários:

  1. tu é um recalcado isso sim! qta ignorância!

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    1. Senhor Anonimo.

      Na visão acovardada de quem escreve e não se apresenta, posso ser o que for. Mas não sou covarde.

      Siga teu caminho na sombra dos amedrontados.

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