sábado, 18 de fevereiro de 2012

Colégio de São Bento. ( memória, 01 )

O Colégio
de São Bento junto ao Largo do mesmo nome, ladeando o Vale do Anahangabaú e o
velho Viaduto Santa Efigenia, por volta de 1966 ou 67, abrigava nos seus cursos
cerca de aproximadamente 800 alunos.
Os anos
eram de chumbo, com a ditadura sofrendo os primeiros reveses, inclusive já com
movimentos libertários armados urbanos.
Ataques a
bancos, hospitais, escolas e lugares públicos indistintamente, variados e
constantes, provocavam pânico à população e enfraquecia as estruturas do regime
que era forte.
À frente
do colégio, no centro da praça, a Telesc à época a Cia. Telefônica de então,
mantinha uma construção com aparelhos telefônicos para uso público.

Os alunos
dos cursos científico e clássico, durante o recreio tinham liberdade de sair
das dependências do colégio para se distrair ou fazer o lanche.

Numa das
salas, na qual ele, que recorda com saudades do tempo que vai longe, havia uma
turma bem unida. Eram aproximadamente uns quinze alunos que, aproveitavam o
recreio para comer e se divertir.

Às vezes,
iam à Rua de São Bento, logradouro que parte do Largo do mesmo nome em direção
sul, paralela ao Vale do Anhangabaú, e lá, após comerem e beberem, algum deles
enchia de água um copo de papel, e dispunha em pé, no meio da via pública, que
proibida para o trafego de veículos, tinha fluxo de pedestre muito intenso.

Após
fixarem no meio da rua o copo cheio d’água, dissolviam a aglomeração de alunos
que cercavam o local enquanto se instalava o copo e voltavam à porta da
lanchonete Dixon, ou algo parecido, e ficavam aguardando quem do anônimos
transeuntes iria derruba-lo, pisando ou chutando e se molhando. E assim, sob aplausos ou vaias,
assistiam ao incidente, que nem sempre era bem aceito pela vítima...

Outra
lembrança inesquecível era que uma das salas de aula, no segundo pavimento,
tinha suas janelas voltadas para um telhado. Em determinadas aulas, de certos
professores menos atentos, os alunos faziam uma rodinha junto ao professor o
distraindo, de forma que um aluno saia pela janela para ir fumar no telhado.

Certa
vez, por razões que não se lembra, um
dos colegas foi esquecido, talvez propositadamente, no telhado...

Outra
lembrança que guarda na memória era a idéia que um grupo de alunos do mesmo
curso e sala, valiam-se da situação politica da época para passar trote e se
livrar da aula. Não era sempre, para não dar na vista.

Paulinho,
filho de um locutor de rádio e apresentador de programa de televisão, muito
malandro, cada 30, 40 ou 60 dias, junto com mais dois ou três, iam ao bureaux
da telefônica em frente ao mosteiro durante o recreio, e disfarçando o timbre
da voz, ligava para o Colégio, dizia que era da Organização Politica que
inventava na hora e, com energia determinava que em 30 minutos deveria ser
esvaziada a escola, pois uma bomba iria explodir nas suas dependências...

Aliás, já
àquela época, São Paulo era uma metrópole vibrante e crescente. E os movimentos políticos atuavam com intensidade
na metrópole, com ataques à bancos, emissoras de rádio e televisão, provocando
insegurança geral, inclusive a empresários e autoridades públicas, muito mal
vistas, por sinal...

Com o fim
do recreio e retorno dos alunos, as aulas eram reiniciadas na hora marcada e os
alunos, primeiros dos cursos fundamentais, eram conduzidos de forma ordeira e
rápida para saída. Eram todos dispensados, chamada a policia e... as aulas
daquela manhã suspensas.

Bons tempos
de traquinagens inocentes. Tempos duros da ditadura cruel que o povo brasileiro
sofreu. Lembranças tiradas das gavetas das memórias que guarda com carinho,
mesmo tendo esquecido detalhes e minucias de fatos daquele anos de chumbo.

Roberto J. Pugliese
www.pugliesegomes.com.br

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